Vivendo como quem ama a volta de Cristo

por Francisco Vasco, pastor da Igreja Videira em Goiânia

Enquanto salvos, temos a alegria de saber que não existe mais condenação para nós que estamos em Cristo Jesus, e nosso conforto se estende ao fato de que nada pode nos separar do amor de Deus. Somos justos porque Cristo nos justificou, e isso é dom de Deus. Somos salvos pela graça mediante a fé, e isso é presente de Deus. Uma vez que somos salvos, temos paz com Deus e, portanto, todo medo da ira da condenação é arrancado de nós. Pelo fato de estarmos em Cristo Jesus, não mais precisamos ter medo de chegar diante de Deus. Agora estamos certos de que Ele não somente nos ama, mas deseja estar conosco.

Também é verdade que, por que estamos em Cristo, passamos a desejar estar com Ele nas regiões celestiais. Assim, surge em nosso coração uma vontade de que os dias sejam abreviados, pois sabemos que Jesus Cristo em breve voltará para buscar a igreja. Esse desejo é colocado em nós pelo Espírito e pela certeza que a Palavra de Deus nos dá sobre a volta de Jesus. Por essa razão, precisamos conhecer bem o que a Bíblia nos diz sobre esse tão esperado acontecimento e sobre como devemos nos preparar para a sua volta. Portanto, gostaria de tratar hoje primeiramente dos aspectos gerais da volta de Cristo, especificando bem o que isso significa biblicamente. Em seguida, trataremos das características dos salvos que vivem como quem ama e deseja que nosso Senhor volte.

 

A VOLTA DE CRISTO: ARREBATAMENTO E SEGUNDA VINDA

Antes de qualquer coisa, precisamos definir o que entendemos por volta de Cristo. Essa expressão, muitas vezes dita de modo geral, engloba eventos que a Bíblia distingue com clareza. Um desses eventos é o arrebatamento da igreja e o outro é a segunda vinda propriamente dita. O arrebatamento é o evento quando os crentes vencedores serão retirados da terra repentinamente. Esse evento pode ocorrer a qualquer momento e não há sinais que possam determinar ou apontar quando será. Enquanto Videira, cremos que o arrebatamento dos crentes vencedores acontecerá anteriormente à grande tribulação.

Segundo a Palavra de Deus, Jesus virá como um ladrão, num dia e hora inesperados, para assaltar a terra e retirar dela os seus vencedores. Este será um dia de salvação, pois Ele livrará os seus fiéis da grande tribulação que está por vir (Ap 3.3). Quanto ao arrebatamento, portanto, não há sinais. Por essa razão, o crente precisa vigiar e estar preparado. Assim sendo, uma das características do vencedor é o amor. Aquele que ama Cristo espera ansiosamente por sua vinda e, por isso, está sempre aguardando que Ele volte (Mt 24.36-42).

Uma vez que os vencedores forem arrebatados, a terra permanecerá com vida e organização político-social que conhecemos. Todavia, sua população se dividirá entre ímpios e crentes que não foram arrebatados. O planeta conhecerá um momento de “paz hipotética”, seguido de um tempo de terrível perseguição. Esse tempo desastroso é chamado de grande tribulação, que será o momento anterior à segunda vinda de Cristo.

Após esse evento, Jesus Cristo virá com poder e glória para tomar o reinado do anticristo e, enfim, governar sobre a terra juntamente com os crentes vencedores, ou seja, os que haviam sido arrebatados. Diferentemente do arrebatamento, que acontecerá às escuras e sem aviso prévio, a segunda vinda de Jesus será às claras e com sinais mostrando o momento em que acontecerá. A Bíblia nos fala que esse momento será visto por todos, pois Ele virá nas nuvens, e de acordo com Atos 1.11-12, o Senhor virá da mesma maneira que subiu ao céu. Uma vez que Ele subiu do Monte das Oliveiras, será de lá que Ele virá (Mt 24.27-30). A Bíblia nos fala que Jesus voltará no fim da grande tribulação, pelo ressoar da última trombeta (1Ts 4.16).

Estejamos certos de que Jesus arrebatará os vencedores. Ele livrará seus fiéis das dores e confusões da grande tribulação. Nada disso foi reservado para nós. Nosso Pai de amor organizou todas as coisas para poupar aqueles que desejarem com ardor a sua volta, atentando-se a tudo o que Ele nos ensinou. Ao tratar desses assuntos escatológicos, Jesus contou algumas parábolas. Em todas elas, há um ponto em comum que deve ser observado: em todas elas, há um senhor ou o noivo que se ausentou do país com a promessa de voltar e servos ou noivas que aguardaram piamente essa volta, bem como aqueles que a negligenciaram.

Hoje, vamos centrar nos que aguardaram a volta do seu Senhor ou do noivo, pois esses são os vencedores, e, como estou certo de que todos desejamos ser vencedores, devemos estar atentos às suas características para podermos viver como os personagens dessas parábolas, garantindo assim o elogio de “servo bom e fiel, entra no gozo do seu Senhor!”

PRIMEIRA PARÁBOLA: SERVOS E CONSERVOS

Mateus 24.45-49 fala sobre servos e conservos. Essa parábola nos conta a história de um senhor que confiou um trabalho aos seus servos por um período de tempo que estaria distante, todavia poderia voltar a qualquer momento. A parábola apresenta a possibilidade da existência de dois tipos de servos: o fiel e prudente ou o infiel, imprudente e mau. Entretanto, como são servos, são todos já justificados; já se tornaram justos diante de Deus mediante a fé em Cristo Jesus. Cada um desses servos possui uma característica específica e, por causa dessa característica, cada um receberá a punição ou a recompensa devida.

Segundo o texto, o servo fiel e prudente é aquele que dá o sustento aos seus conservos a seu tempo. Isso nos permite entender que o senhor espera que alimentemos os irmãos ministrando a Palavra de Deus. Por um lado, precisamos cuidar de nossa própria vida espiritual, buscando crescimento e transformação; por outro, precisamos cuidar dos membros da família de Deus. Há muitos filhos do Senhor necessitando de nosso cuidado, do alimento espiritual que podemos dar, para que a igreja seja edificada.

Evidentemente, esse cuidado exigirá de nós consagração e disposição, que deixemos nosso egoísmo e comodismo para ir visitar, ouvi-los, orar com eles, a fim de supri-los com a vida de Deus. A promessa ao servo fiel que amadureceu espiritualmente e que alimenta os conservos é que ele receberá o galardão de governar juntamente com o Senhor por mil anos. Todavia, há cristãos que não buscam a maturidade em vida e que não se preocupam com os irmãos. Um mau servo, um cristão que vive de maneira desleixada, supõe que seu Senhor não voltará tão logo e assim pensa: “Meu senhor demora-se”, e passa a espancar os seus companheiros e a comer com ébrios (Mt 24.48,49). Esses vivem como se não tivessem que ajustar contas e passam a espancar os companheiros. Isso significa maltratar o irmão, desprezá-lo, cometendo injustiças contra ele, criticando-o em vez de alimentá-lo. Além disso, por não se preocupar com a volta do Senhor, passa a comer e beber com ébrios, ou seja, vive em contato com as pessoas do mundo, tendo o mesmo viver dissoluto que elas têm.

O problema desse servo não é desconhecer que o Senhor virá, mas não esperá-lo. Ele não vive como alguém preparado para a volta do Senhor, especialmente no que se refere ao seu relacionamento com os outros cristãos e com as pessoas do mundo. Lembremo-nos hoje de que não somos deste mundo, somos peregrinos nesta terra, ou seja, estamos aqui somente de passagem e em breve voltaremos para o nosso lar, a casa do Pai (Jo 4.1-3).

SEGUNDA PARÁBOLA: AS DEZ VIRGENS

Como na parábola anterior, Mateus 25.1-13 fala sobre as dez virgens. Essa parábola também tem o senhor distante, mas que voltará a qualquer momento. Sem entrar em muitos detalhes, essa parábola também fala dos justificados, pois trata de virgens. Essas virgens, justificadas em Cristo, segundo a parábola, esperavam o noivo. Todas tinham suas lâmpadas acesas, mas cinco tinham azeite de reserva e outras cinco não.

A parábola conta que o noivo tardou e elas dormiram. Mas, ao chegar o noivo, as que não tinham azeite de reserva não puderam fazer parte das bodas, pois saíram para buscar azeite e, ao voltarem, as portas já haviam sido fechadas. Essa parábola fala sobre a unção do Espírito Santo. Como crentes, precisamos ser constantemente cheios do Espírito. Nossa busca ao Senhor deve ser intensa e diária. O Espírito Santo é o combustível da vida cristã. Nossa lâmpada espiritual deve estar sempre acesa e ainda nossa vasilha de azeite, sempre cheia.

A oração, a leitura da Palavra, o jejum, a comunhão com os irmãos, nosso trabalho nas células e cultos, tudo isso são meios de enchermos nossa vasilha de azeite e manter nossa chama acesa. Interessante na parábola é que as virgens dormiram. Jesus estava falando sobre a morte. Isso é algo que pode acontecer a qualquer um de nós a qualquer momento. Ninguém sabe o dia nem a hora de sua morte, de igual modo ninguém planeja morrer.

Portanto, Jesus adverte: “Vigiai, pois não sabeis o dia nem a hora” (Mt 25:13). Como crentes, temos de estar em constante alerta. Precisamos viver cada dia como se fosse o último. Nossa postura deve ser a de total alerta e de total preparo. Precisamos manter nossa lâmpada acesa e as vasilhas cheias de azeite. Queridos, sejamos prudentes! Vamos encher nossas vasilhas com o azeite do Espírito! A geração que será arrebatada e que encontrará com o noivo é a geração que é cheia do azeite. Quem é cheio do Espírito Santo anseia pelas coisas do céu.

TERCEIRA PARÁBOLA: OS TALENTOS

Mateus 25.14-30 fala sobre os talentos nessa parábola. Como nas anteriores, o senhor também se encontra distante, mas voltará a qualquer momento para compensar ou disciplinar seus servos segundo suas obras. Como na primeira parábola, o senhor desta deixou uma tarefa explícita para seus servos: eles precisavam multiplicar os talentos dados pelo senhor dos talentos.

A palavra “talento”, originária do latim, significa “balança ou medida”. Um talento na época de Jesus pesava 91 quilos de ouro. Certamente, na ocasião da parábola, esse senhor distribuiu talentos de ouro, visto que se tratava de seus bens. Cada um dos servos deveria multiplicar a riqueza de seu senhor. Todos deveriam aplicar esses talentos e fazê-los multiplicar enquanto o senhor dos talentos tivesse fora.

O Senhor nos supre com toda graça e vida de que que necessitamos para servi-lo. Nossa responsabilidade é trabalhar, multiplicar os dons que recebemos. Talvez, para aqueles que receberam cinco ou dois talentos, seja mais fácil usá-los, talvez o de um talento seja mais tímido e despreparado. Todavia, isso não deve ser desculpa para negligenciarmos o uso do dom que recebemos. Se somos de um talento, isso deve nos forçar a exercitar a fé mais do que os outros para usarmos diligentemente nosso dom. Se para nós é mais difícil usar o espírito ou nos manter separados para Deus, então precisamos nos esforçar mais que os outros. O que importa é que alcancemos o prêmio. Tenhamos a certeza de que o Senhor, ao nos dar dons, Ele mesmo nos capacita para multiplicá-los.

É lamentável mais existem aqueles que escondem o talento na terra. Esconder na terra o talento é se deixar envolver com as coisas terrenas, mundanas, e não com as espirituais, tornando-se, por isso, inativo e infrutuoso. Quanto mais envolvidos com os cuidados e prazeres desta vida, menos interesse teremos pelas coisas espirituais. O apóstolo Paulo nos exorta a amar a vinda do Senhor (2Tm 4.8). Como igreja de vencedores, precisamos amar a vinda do nosso Senhor!

CONCLUSÃO

Cremos que 2018 será corado o ano da bondade do Senhor, portanto estamos certos de que seremos fartos em todas as coisas. Nosso Pai está nos ensinando a caminhar com mais precisão em sua Palavra e estamos certos de que todos nós ansiamos por isso com sinceridade de coração. É tempo de ajustarmos nossos passos e caminharmos em direção àquilo que Ele quer que caminhemos. Por essa razão, devemos estar atentos às características que precisamos trabalhar com mais afinco em nós no ano de 2018. Lembremo-nos que nada disso faremos por nós mesmos; nada disso faremos por nosso esforço, mas confiados na graça. É o Espírito Santo de Deus em nós que nos permite ser servos bons e fiéis. Que nesse novo ano que se inicia possamos clamar: “MARANATA! Ora vem, Senhor Jesus!”

Perguntas para compartilhar:
1. Como o cristão deve estar preparado para o arrebatamento?
2. Quais são os aspectos gerais da volta de Cristo?

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