Vença o desencorajamento

Um dos ataques mais sutis do inimigo contra pastores e líderes é o desencorajamento e a depressão. Muitos estão esperando resultados em áreas de sua vida e ministério e não compreendem a causa da demora. É difícil ver tantas coisas tremendas acontecendo com outros e não conosco. Quando terei favor? Será que o Senhor se esqueceu de mim? Esse tipo de pensamento pode nos levar a nos tornar amargurados. A verdade, porém, é que o Senhor o ama profundamente. Ele sabe a quantidade de cabelos em sua cabeça. Ele sabe exatamente aonde quer levar você. E mesmo que você esteja cheio de pensamentos de desencorajamento, isso não muda o amor d’Ele por você.

Foi exatamente esse tipo de situação que o profeta Elias enfrentou. Nos dias de Elias, o rei era Acabe, e sua esposa se chamava Jezabel. Acabe era o tipo de homem que não se importava se o povo adorava a Deus ou a Baal. Era indiferente às coisas espirituais e somente se interessava por seu próprio conforto e prazer. Contudo, sua esposa Jezabel, era definitivamente maligna. Ela promovia a adoração a Baal em Israel e matou muitos profetas do Senhor. Nesse ambiente de apostasia e idolatria, aparece em cena Elias.
Então, Elias, o tesbita, dos moradores de Gileade, disse a Acabe: Tão certo como vive o SENHOR, Deus de Israel, perante cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos, segundo a minha palavra. Veio-lhe a palavra do SENHOR, dizendo: Retira-te daqui, vai para o lado oriental e esconde-te junto à torrente de Querite, fronteira ao Jordão. Beberás da torrente; e ordenei aos corvos que ali mesmo te sustentem. Foi, pois, e fez segundo a palavra do SENHOR; retirou-se e habitou junto à torrente de Querite, fronteira ao Jordão. Os corvos lhe traziam pela manhã pão e carne, como também pão e carne ao anoitecer; e bebia da torrente. Mas, passados dias, a torrente secou, porque não chovia sobre a terra. Então, lhe veio a palavra do SENHOR, dizendo: Dispõe-te, e vai a Sarepta, que pertence a Sidom, e demora-te ali, onde ordenei a uma mulher viúva que te dê comida. (1Rs 17.1)

Um senso da presença de Deus
Elias tinha um senso de presença de Deus. Ele declara que estava diante da face do Senhor mesmo quando se colocava diante de reis. “Eu ordenei aos corvos que ali te sustentem.” Sempre há um “ali”, um lugar designado por Deus para o seu suprimento. Se você está no lugar designado, ali haverá provisão. Esteja sempre certo de estar no lugar certo. Acontece, porém, que o lugar designado nem sempre é para toda a vida. Acontecerá que o riacho vai secar. Isso não significa que o lugar não era o designado por Deus para você e nem significa que foi o diabo que secou as águas. Quando Deus tem uma direção nova para nós, Ele vai secar certas fontes. No fim dos três anos, o Senhor manda que Elias se apresente diante de Acabe. Por que Deus manda o profeta se apresentar diante do rei? Porque, se Deus fizesse chover sem avisar o rei, então os profetas de Baal diriam que eles tinham feito chover. Assim, o homem de Deus deveria dizer: “Foi pela minha palavra que veio a seca e é por minha palavra que virá a chuva”. Elias faz, então, o desafio dos deuses no monte Carmelo. O desafio era claro, os profetas de Baal iriam orar para que caísse fogo do céu e depois Elias faria o mesmo. O Deus que respondesse com fogo este era o verdadeiro Deus.

Depois do julgamento, vem a bênção
No verso 36 , diz que, no momento de apresentar a oferta de manjares, isso indica que foi às 3 horas da tarde. Este também foi o momento em que o Senhor morreu na cruz. Sempre que o fogo do juízo cai do céu, se houver o sacrifício, ele não cai sobre os homens. Depois que Deus responde à oração de Elias, ele  anuncia que vem a chuva. A bênção sempre vem depois do sacrifício. Quando temos revelação da obra consumada, a bênção, o favor e a chuva caem sobre nós. Depois do julgamento, vem a bênção. Nós somos abençoados hoje porque o julgamento já aconteceu no Calvário. Depois disso, no topo do monte Carmelo, Elias ora sete vezes para que viesse a chuva. Deus já havia dito que mandaria chuva, mas mesmo assim Elias teve de orar. Há certos momentos em que nós simplesmente falamos com a montanha, como fez Elias em 1 Reis 17.1. Mas há outros momentos em que precisamos aprender a perseverar em oração. Há alguns que ensinam que só se deve orar uma vez, mas a verdade é que há ocasiões em que precisamos orar até sete vezes. Entenda o sete aqui como algo simbólico, significa orar até que surja a nuvem no horizonte. Antes de orar, Elias diz para Acabe preparar a sua carruagem e correr porque viria muita chuva. Mesmo tendo profetizado, ele ainda precisou orar pela chuva.

Não ande por vista
Quando Acabe chega ao palácio, ele conta a Jezabel tudo o que acontecera e como os profetas haviam sido mortos. Jezabel ameaça Elias de morte, e aqui começa a nossa mensagem. Elias fugiu para Berseba, que fica no sul de Israel. E Acabe fez saber a Jezabel tudo quanto Elias havia feito e como totalmente matara todos os profetas à espada. Então, Jezabel mandou um mensageiro a Elias, a dizer-lhe: Assim me façam os deuses e outro tanto, se decerto amanhã a estas horas não puser a tua vida como a de um deles. O que vendo ele, se levantou, e, para escapar com vida, se foi, e veio a Berseba, que é de Judá, e deixou ali o seu moço. (1Rs 19.1-3). Se você é um líder desanimado, que acredita que os melhores dias já passaram, saiba que você não é o único a passar por isso. Elias tinha experimentado uma grande vitória sobre o monte. Toda a nação tinha se voltado para Deus, mas repentinamente tudo se dissipou em sua mente. Em vez de atentar para o poder de Deus, Elias olhou para o que uma mulher maligna poderia fazer.

Elias, o homem de Deus, que estava diante da face de Deus, aquele a cuja oração Deus respondeu com fogo, sentiu-se amedrontado. Por que aconteceu isso? Na tradução Revista e Corrigida, o texto diz que “vendo Elias”. Este é o problema, colocar nossos olhos nas coisas naturais. Ele começou a andar por vista. Esta é a nossa tragédia, quando vemos a multidão se dissipando, ficamos desencorajados. Nós vemos a crise financeira, então ficamos desencorajados. Nós somos limitados pelo que é visível. O diabo sempre usa o que é visível. Elias se esqueceu dos corvos que o alimentaram, do suprimento na casa da viúva, do óleo e do trigo que nunca acabaram, da ressurreição da criança. Ele se esqueceu de como Deus lhe respondeu com fogo e da chuva que caiu. Mesmo aquele que tem a maior fé pode decair dela e voltar a andar por vista.

O lugar do desencorajamento
Ele mesmo, porém, se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse: Basta; toma agora, ó SENHOR, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais. Deitou-se e dormiu debaixo do zimbro; eis que um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come. Olhou ele e viu, junto à cabeceira, um pão cozido sobre pedras em brasa e uma botija de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir. Voltou segunda vez o anjo do SENHOR, tocou-o e lhe disse: Levanta-te e come, porque o caminho te será sobremodo longo. Levantou-se, pois, comeu e bebeu; e, com a força daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus. (1Rs 19.4-8).
Elias foi, sentou-se debaixo de um zimbro e pediu para si a morte. Esta não parece ser uma cena muito edificante. Muitos de nós presumimos que, quando nos sentimos desencorajados e deprimidos, Deus se afasta de nós. Pensamos que que, quando a nossa fé é fraca, Ele nos abandona. Mas isso é apenas mais uma falácia do maligno. Todas as vezes que vemos a expressão “anjo do Senhor” no singular no Velho Testamento, ela sempre se refere a uma manifestação de Cristo. O Senhor Deus de Elias no Velho Testamento é o Senhor Jesus do Novo Testamento. A Palavra de Deus diz que o anjo sabia como seria a jornada diante de Elias e o preparou para isso.

O suprimento do pão do céu
A maneira como o anjo o preparou foi com o pão do céu. O pão é um símbolo da palavra de Deus e do próprio Senhor Jesus. Você precisa ir ao culto ouvir a palavra, precisa ouvir cotidianamente, pois uma palavra do Senhor pode capacitá-lo para uma grande jornada. Mas, além disso, Elias dormiu e descansou fisicamente. Depois disso, Elias vai até o monte Horebe, que é outro nome para o monte Sinai. Deus não havia dito que ele voltasse para o monte da lei. Tudo o que Elias fazia era para salvar a própria vida, com medo de uma mulher.

Quando chega ao monte, Elias entra numa caverna, e o Senhor lhe pergunta: “O que você está fazendo aqui?” Elias se apresentou a Acabe, dizendo que estava perante a face do Senhor. Veja que o Senhor nunca o tinha abandonado. A jornada de Elias até ali era do próprio Elias. Nos dias em que Elias caminhou em fé e passou pela seca, Deus mandou corvos para sustentá-lo, mas nos dias em que a fé de Elias vacilou e ele se sentiu desencorajado e deprimido, o próprio Senhor veio pessoalmente lhe trazer o pão do céu. Deus enviou Elias para o ribeiro e depois para a casa da viúva, mas dessa vez foi Elias que foi. Elias fugiu por causa da palavra de uma mulher.

A condenação da lei
Disse-lhe Deus: Sai e põe-te neste monte perante o SENHOR. Eis que passava o SENHOR; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante do SENHOR, porém o SENHOR não estava no vento; depois do vento, um terremoto, mas o SENHOR não estava no terremoto; depois do terremoto, um fogo, mas o SENHOR não estava no fogo; e, depois do fogo, um cicio tranqüilo e suave. Ouvindo-o Elias, envolveu o rosto no seu manto e, saindo, pôs-se à entrada da caverna. Eis que lhe veio uma voz e lhe disse: Que fazes aqui, Elias? (1Rs 19.11-13).
Veja que o Senhor não apareceu como foi com Moisés no monte Sinai, mas Ele estava no vento suave. Isso aponta para a graça. Quando Elias percebeu a presença do Senhor, ele assume uma postura de adoração cobrindo o rosto. Somente a graça produz verdadeira adoração. Na graça, esquecemo-nos de nós mesmos. Não falamos de nosso trabalho ou vitórias, mas olhamos para o Senhor.

Só eu fiquei
Ele respondeu: Tenho sido em extremo zeloso pelo SENHOR, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida. (1Rs 19.14).
Por três vezes, Elias acusa o povo: “Deixaram a tua aliança, derribaram teus altares e mataram teus profetas”. E, por fim, declara que só havia restado ele. No monte Carmelo, Elias tinha sustentado o nome de Deus, mas agora ele quer que o seu nome seja sustentado. Precisamos entender que somos filhos e estamos sentados à mesa, mas o Pai exige boas maneiras. Ele não permitirá que um filho fique criticando o outro. Mesmo que seja verdade, não cabe a nós condenar os irmãos. Elias diz que ele era o único que tinha perseverado, mas o Senhor diz que tinha outros 7 mil. Elias aprendeu na caverna que ninguém é indispensável ou insubstituível. No momento em que ele começa a realçar a sua própria importância, Deus manda levantar um sucessor. Elias era humilde; foi, pois, e ungiu Eliseu no seu lugar. A principal lição que Deus quer nos ensinar é humildade.

É interessante como depois disso Elias se torna outro homem, o seu medo desaparece completamente. Deus manda Elias ungir a Hazael, rei da Síria, e a Jeú, rei de Israel. Ao fazer isso, Deus estava dizendo que a questão de Jazabel seria resolvida por ele mesmo. E Jeú foi o que matou Jezabel. Aconteceu que, depois disso, Acabe morreu e seu filho Acazias, filho de Jazabel, tornou-se rei de Israel. Acazias um dia caiu da janela do quarto e adoeceu. Então, ele mandou consultar Baal-Zebube se sararia da doença (ler 2 Rs 1.1-3). Diante disso, Elias envia a palavra do Senhor, dizendo que, por causa disso, ele iria morrer. Depois do desafio no monte Carmelo, tínhamos pensado que o povo tinha se voltado para Deus, mas agora estavam adorando a Baal novamente. Acazias manda um capitão de cinquenta prender Elias, que estava em cima do monte, mas fogo de Deus os consome. Ele manda um segundo grupo, que também morre por causa do fogo de Deus. O terceiro capitão se humilhou diante de Elias e, por causa disso, Elias foi com ele. Elias agora volta para Samaria no palácio do rei. Veja como ele agora está diferente, não há sinal de medo nele. Ele tinha fugido de Samaria por medo de Jezabel, mas agora está cheio de paz e confiança. Acazias morreu e não houve nada que sua mãe, Jezabel, pudesse fazer. Quando você percebe que não é indispensável e insubstituível, quando você entende que tudo o que você realiza é pelo poder de Deus e é um privilégio servi-lo, então todo medo e desencorajamento vai embora. Mas precisamos entender que, se não quisermos o ministério, Deus vai levantar outra pessoa.

A melhor resposta que podemos dar é agir, como fez o último capitão. Ele se humilhou diante do homem de Deus. Há duas ocasiões em que Elias está em cima do monte e o fogo de Deus cai. Na primeira vez, havia o sacrifício, por isso o fogo não caiu sobre as pessoas, mas na segunda vez, não havia sacrifício, e o resultado foi condenação e morte. Tudo isso é sombra da morte do Senhor Jesus na cruz pelos nossos pecados. O mundo precisa compreender que o fogo do juízo caiu sobre Jesus. Mas, se eles tratam com desrespeito o enviado de Deus e ignoram o sacrifício de Jesus, então sofrerão o juízo sobre si mesmos.
E a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. (2Ts 1.7-8)

Perguntas para compartilhar:
1. Por que Deus manda o profeta se apresentar diante do rei?
2. Por que devemos vencer o desencorajamento?

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