Uma visão cronológica de Apocalipse

O livro de Apocalipse pode ser dividido de maneira simples em duas partes: do capítulo 1 ao 11 e do capítulo 12 ao 22.

A primeira parte do livro segue uma ordem cronológica. Precisamos ter clareza dessa ordem para compreendermos a sequência dos acontecimentos descritos. No final do capítulo 11 a história será concluída. Quando a sétima trombeta for tocada os reinos desse mundo se tornarão do Senhor e dos seu Cristo e ele reinará pelos séculos dos séculos.

Do capítulo 12 até o final a forma da revelação é alterada. João passa a descrever personagens e eventos que fazem parte da narração até o capítulo 11. Assim temos, por exemplo, uma descrição detalhada da besta e do falso profeta no capítulo 13. Temos a descrição da grande meretriz no capítulo 17 e depois da Nova Jerusalém no capítulo 21.

O capítulo 1 fala da revelação de Cristo

No capítulo primeiro João tema visão de Cristo como sumo sacerdote cuidando das Igrejas. Seu cabelo é alvo como a lá, seus olhos como chama de fogo, os pés como bronze, a voz como som de muitas águas e o rosto como o sol.
Ele passeia entre o candelabros que representam a igrejas para cuidar e não deixar que a luz se apague. Na sua mão estão sete estrelas que são os pastores das igrejas chamados aqui de anjos ou mensageiros.

De 2 a 3 temos as 7 igrejas

O Senhor manda que João escreva a sua mensagem à sete igrejas da Ásia.
Do ponto de vista histórico essas sete igrejas existiram literalmente e os problemas e virtudes mencionados aqui eram reais e as cartas certamente foram úteis na sua edificação.
Mas precisamos entender também que cada Igreja é uma representação profética. Os mestres concordam que cada uma das sete igreja representa um determinado período da história da Igreja desde primeiro século até a volta do Senhor.

Na Ásia havia mais que sete igrejas, porque João mencionou apenas sete?

   ○ É porque as sete representam todas as outras.
○ Desde que há uma igreja na terra, há um candeeiro no céu. Havia mais de sete igrejas na terra, assim deveria ter mais de sete candeeiros no céu. Entretanto, João viu apenas sete no céu. Isto mostra que por ser profecia essas sete igrejas são simbólicas e representativas.

Podemos dizer que essas sete igrejas são ainda sete tipos de igrejas que existem até hoje, ouseja, toda igreja local pode se identificar com uma das sete igrejas.
São sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadelfia e Laodicéia.
Cada carta começa com uma revelação do Senhor, recebem repreensões ou elogios e termina com uma palavra aos vencedores.

Quem são os vencedores?
Não são pessoas extraordinárias. São aquelas normais em tempos de anormalidade.

Nos capítulos 4 e 5 temos a visão do Trono de Deus

João diz que há “alguém no trono”. Ele não ousou definir Deus. Ele se refere a Deus como alguém sentado no trono. Se o trono de Deus é indefinível, muito mais indefinível é Deus.
O trono está rodeado de um arco-íris. Esse arco simboliza a aliança de Deus conosco (Gn. 9:13).
Diante do trono estão as sete tochas de fogo são os sete Espíritos de Deus. São sete para indicar que é pleno e absoluto.
Há um mar de vidro diante do trono que Daniel diz que é de fogo líquido (Dn. 7:9).
João também descreve 4 seres viventes que são chamados de querubins em Ezequiel 10. Havia 24 anciãos sentados em tronos com coroas na cabeça
Esses anciãos são anjos do início da criação que governam o universo. Eles vão entregar suas coroas porque os herdeiros do universo estão chegando.

No capítulo 6 temos os sete selos

O conteúdo do livro de Apocalipse inclui todo o governo soberano de Deus sobre a história desde a ascensão de Cristo até a Nova Jerusalém.
A história desse governo é contada através de grupos de itens: sete selos, sete trombetas e sete taças.
Os primeiros quatro selos abrangem a história do mundo da ascensão de Cristo até a sua volta. Nesse quatro selos vemos quatro cavalos e cada um deles com um cavaleiro.
Em Zacarias 6:1-4 aos quatro cavaleiros são quatro ventos. A palavra vento é a mesma palavra para espírito em português, por isso podemos dizer que os quatro cavaleiros são quatro espíritos. Esses quatro cavaleiros estão percorrendo toda a terra hoje.

O cavaleiro do primeiro cavalo é o espírito de engano. Ele aponta para os falsos ensinos e falsas doutrinas. O arco não tem flechas porque esses falsos ensinos não tem poder para vencer e mudar o homem.
O segundo é a guerra e o terrorismo. A cor vermelha simboliza duas coisas: sangue e guerra. Tirar a paz da terra e matarem uns aos outros com uma espada nos fala claramente de guerra. A este segundo cavaleiro foi dado tirar a paz da terra.
O terceiro é a fome. Esse cavaleiro tem uma balança na mão, simbolizando: carestia, inflação e escassez de alimentos. Vivemos a época mais abundante de história e ainda assim há milhões passando fome.
O quarto cavaleiro é a morte por meio de epidemias e pestes. Ele tem a cor amarelo-esverdeada, – a cor de um cadáver.
O quinto selo fala do clamor dos santos martirizados (6:9-11). No final desta era os santos martirizados clamarão a Deus por vingança. Não pense que nos dias de hoje não haja mártires. Segundo dados de agências missionárias cerca de 200 mil cristãos são mortos todos os anos em países muçulmanos e comunistas.
O sexto selo é um aviso da chegada da grande tribulação(6:12-17). Naqueles dias Deus derramará a sua ira sobre a terra.

Parece que o sol vai escurecer a e a lua ficará como sangue em duas ocasiões, uma no início da grande tribulação e a outra no final quando o Senhor voltará nas nuvens.

No capítulo 7 temos o arrebatamento

Vimos que o sexto selo é uma advertência de Deus da tribulação que está vindo. Mas antes disso ocorrer Deus selará os seus dois povos: os judeus e a igreja.
Desde o começo do mundo tem havido calamidades naturais, mas a partir do sexto selo as calamidades serão sobrenaturais, Deus mesmo estará derramando sua ira sobre a terra.
Os judeus são selados antes das primeiras trombetas que atingem a terra, árvores, mar, rios e hostes celestiais.
É interessante que o anticristo também fará uma marca, mas antes disso Deus mesmo marcará os seus.
Aqui vemos que Deus tem dois povos, Israel e a igreja. Este é o arrebatamento dos santos vencedores que estarão preparados nesse momento.
Deus preserva os judeus através de um selo, mas os santos redimidos da igreja serão arrebatados.
A grande tribulação aqui não pode significar o grande e terrível diz do Senhor porque este ainda não começou. Começa no sétimo selo. Deve apontar para as tribulações que passam todo aquele que serve a Deus fielmente.
O arrebatamento será antes da grande tribulação. O fato deles estarem diante do trono se refere claramente ao que Jesus disse em Lucas 21:36, o que indica claramente o arrebatamento.
Isto nos mostra que o arrebatamento dos crentes vencedores acontecerá antes da grande tribulação

De 8 a 11 temos a sete trombetas

As sete trombetas são o conteúdo do sétimo selo e também descrevem a grande tribulação.

A primeira trombeta é o julgamento sobre a terra (8:7).

É a terça parte e não um terço da terra, indicando provavelmente uma região específica.
É possível que Deus use coisas naturais para executar esse juízo da primeira trombeta. Assim é possível que se trate aqui de uma assombrosa chuva de meteoritos que vai incendiar e devastar um terço do planeta.

A segunda trombeta é o julgamento sobre o mar (8:8-9).

Mais um vez a imagem que nos vem é de algo caindo do céu. Mas pode também se tratar de alguma erupção vulcânica espetacular.
O fato é que a terça parte dos animais marinhos morrerá e a terça parte das embarcações será destruída.

A terceira trombeta é o julgamento sobre os rios e as fontes das águas(8:10-11).

Observe que depois de ter uma parte do planeta destruída, uma parte das embarcações destruídas agora vemos que a água se tornará escassa. A vida na terra se tornará insuportável.

A quarta trombeta é sobre os homens.

As primeiras quatro trombetas atingem diretamente a natureza, mas não a humanidade. As últimas três trombetas atingem o homem  diretamente.

A quinta Trombeta é a queda de satanás para a terra (9:1-12).

Quando a Bíblia atribui características humanas as coisas inanimadas isto sinaliza para um símbolo. Nesse caso a quinta trombeta começa com um anjo caindo do céu. É uma referência ao diabo  (Jó. 38:7, Ap. 12:4).
Satanás como  o arcanjo era a estrela da manhã (Is. 14:12). Em Lucas 10:18 vemos o julgamento sobre ele, mas em 12:9-10 vemos a execução daquele julgamento.
O abismo é o lugar da habitação dos demônios (Lc. 8:31).
No capítulo 12 ficamos sabendo quando Satanás será lançado na terra. Isto acontecerá quando for arrebatado o filho varão que representa os santos vencedores.
Hoje Satanás habita as regiões celestiais, mas na quinta trombeta ele será lançado na terra.
Nas primeiras quatro trombetas haverá uma explicação natural para as calamidades e não atingirá o homem diretamente. Mas a descrição dos gafanhotos só pode se referir a demônios, pois têm sobre si como rei o anjo do abismo cujo nome é Abadom ou Apolion.
A duração desta praga será de cinco meses. Os homens vão desejar a morte, mas esta fugirá deles.
Com a terra parcialmente escura, as fontes de água danificada, os mares atingidos e parte da terra destruída como vemos nas primeiras quatro trombetas, um tipo de praga assim torna a vida na terra intensamente angustiante.

A sexta trombeta fala da morte da terça parte da humanidade (9:13-21)

Hora, dia, mês e ano pode ser referir a uma data específica ou a um período de um ano, um mês e um dia. Pessoalmente creio que se refere a um período de tempo de treze meses, um dia e uma hora.
O número desses demônios que serão liberados será de 200 milhões.

A sétima trombeta

Quando a sétima trombeta soar muitas coisas acontecerão. Essa soará por um período de tempo, e este durará pela eternidade.
Em cada uma das seis trombetas anteriores apenas um item aconteceu, mas na sétima muitas coisas acontecerão como vemos no verso 18 do capítulo 11. Estas coisas podem ser resumidas assim:

○ A ira de Deus consistindo nas sete taças (15:1 e 16:1-21)
○ O último ai para os moradores da terra (8:13, 9:12 e 11:14)
○ A destruição dos que destroem a terra (v. 18).
○ O reino eterno de Cristo (11:15-17).
○ O julgamento dos mortos (v. 18).
○ O galardão dos profetas e santos (II Cor. 5:10).
○ A ressurreição e arrebatamento dos santos ( I Cor. 15:23, 52, I Ts. 4:16-17).

Assim a sétima trombeta inclui todas as coisas desde o fim da grande tribulação até a eternidade futura.

○ A ressurreição.
○ O galardão.
○ A destruição da grande Babilônia (17:1 a 19:6).
○ As bodas do Cordeiro (19:7-9).
○ A destruição do Anticristo, do falso profeta, de Satanás e seus seguidores (19:11 a 20:3).
○ O reino milenar (20:4-6)
○ O julgamento final dos mortos e de Satanás (20:7-20, 11-15)
○ O novo céu e a nova terra e a Nova Jerusalém pela eternidade (21:1 a 22:5).

Como você percebe, no final do capítulo 11 a história se encerrou e o que temos daí em diante são explicações adicionais de personagens e eventos que estão inseridos até o capítulo 11.

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