Um crente pode ser amaldiçoado?

Uma pergunta que as pessoas frequentemente fazem é se ainda existe maldições neste tempo da graça. Obviamente, nós somos abençoados com toda sorte de bênção espiritual, mas será que um crente ainda pode sofrer com maldições? Em Gálatas 1, Paulo diz claramente que qualquer um, inclusive ele mesmo, se vier a perverter o evangelho, sofrerá maldição, anátema. No contexto de Gálatas, as pessoas estavam introduzindo a lei com a finalidade de se tornarem santos.

Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. (Gl 1.6-8)

Essa maldição é para pregadores, mas, no momento em que você começa a compartilhar com outros um evangelho pervertido, você se coloca debaixo de maldição. Assim, podemos afirmar que ainda existem maldições no Novo Testamento. Paulo diz que a maldição poderia vir sobre ele mesmo caso mudasse o evangelho

Um crente sofrendo a maldição

Paulo afirma que a bênção é guardada exclusivamente para aqueles que possuem a mesma fé de Abraão. Quando Abraão creu em Deus, ele foi justificado. Isso foi exclusivamente pela fé, sem nenhuma obra da lei (leia Gl 3.8-9). Os da fé é que são abençoados. Mas o que é ser da fé? É crer que a justificação vem da fé. Quando cremos que somos justificados pela fé, somos abençoados como foi Abraão. Ele foi chamado amigo de Deus, era rico e próspero, viveu quase cento e cinquenta anos e ainda teve mais filhos no segundo casamento com Quetura. Ter a bênção e o favor de Deus é a coisa mais importante na vida. Quando você é abençoado, ninguém pode pará-lo ou resistir-lhe. Talvez você não seja o mais esperto, o mais inteligente e nem o mais bonito ou habilidoso, mas se a bênção está sobre você, tudo ao seu derredor vai convergir para promovê-lo e colocá-lo numa posição de honra.

A vontade de Deus é que sejamos abençoados, mas se deliberadamente resolvemos ainda viver segundo o padrão da lei, então a maldição vem sobre nós. Não é que Deus nos amaldiçoa, mas se decidimos viver pela lei, devemos cumprir todos os mandamentos, caso contrário, a maldição virá. Tiago diz que aquele que quebrar um único mandamento da lei é culpado de todos eles (Tg 2.10).Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo “A vontade de Deus é que sejamos abençoados, mas se deliberadamente resolvemos ainda viver segundo o padrão da lei, então a maldição vem sobre nós” AMALDIÇOADO Um crente pode ser ? aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las. (Gl 3.10)

Os que são da fé são abençoados, mas os que são das obras da lei estão debaixo de maldição. Se você vive pelo favor imerecido, você é abençoado, mas se decide viver pelas obras da lei, você mesmo se coloca debaixo de maldição. A ordem de Deus é muito clara, se queremos viver pela lei, devemos cumprir todos os mandamentos, caso contrário, caímos em maldição. Para aqueles que decidem viver pela lei, a única maneira de se livrar da maldição é cumprindo todos os mandamentos. O problema é que ninguém jamais conseguiu cumprir a lei.

Fomos libertos da maldição
Se vivemos pela graça do evangelho, já não sofremos maldição, pois Cristo se fez maldição em nosso lugar.
Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro). (Gl 3.13) Cristo nos resgatou da maldição da lei e nos deu todas as bênçãos da lei. Em Deuteronômio 28, temos a lista de bênçãos e maldições da lei. São 14 versículos para as bênçãos, mas são 54 para as maldições. Não temos como ver cada bênção, mas vamos ler algumas.
“Bendito serás tu na cidade e bendito serás no campo” (Dt 28.3).
“Bendito o fruto do teu ventre” (Dt 28.4).
“O SENHOR fará que sejam derrotados na tua presença os inimigos que se levantarem contra ti” (v. 7).
“O SENHOR determinará que a bênção esteja […] em tudo o que colocares a mão” (v. 8).
“O SENHOR te abrirá o seu bom tesouro, o céu […] emprestarás a muitas gentes, porém tu não tomarás emprestado” (v. 12).
“O SENHOR te porá por cabeça e não por cauda” (v. 13).
“O SENHOR te ferirá com a tísica, e a febre, e a inflamação, e com o calor ardente, e a secura, e com o crestamento, e a ferrugem; e isto te perseguirá até que pereças” (v. 22).
“O SENHOR te ferirá com as úlceras do Egito, com tumores, com sarna e com prurido de que não possas curar-te” (v. 27).
“Então, o SENHOR fará terríveis as tuas pragas e as pragas de tua descendência, grandes e duradouras pragas, e enfermidades graves e duradouras” (v. 59).

A boa notícia é que não estamos mais debaixo de nenhuma dessas maldições da lei. Mas aqueles que escolhem viver pelas obras da lei estão ainda sujeitos a elas. Gerarás filhos e filhas, porém não ficarão contigo, porque serão levados ao cativeiro. (v. 41)
Ser levado cativo é estar preso por drogas, álcool e coisas assim. A respeito da provisão, também havia maldições na lei.
O estrangeiro que está no meio de ti se elevará mais e mais, e tu mais e mais descerás. Ele te emprestará a ti, porém tu não lhe emprestarás a ele; ele será por cabeça, e tu serás por cauda. (Dt 28.43-44)
Certamente, você foi redimido da pobreza e da miséria. A graça do Senhor Jesus Cristo é que, sendo rico, Ele se fez pobre por amor de nós, para que, pela sua pobreza, nos tornássemos ricos (2Co 8.9). O SENHOR te fará voltar ao Egito em navios, pelo caminho de que te disse: Nunca jamais o verás; sereis ali oferecidos para venda como escravos e escravas aos vossos inimigos, mas não haverá quem vos compre. (Dt 28.68)

Além de serem vendidos como escravos, não haveria ninguém interessado em comprá-los. A última palavra de maldição é que ninguém iria comprá-lo, mas Cristo veio justamente para nos redimir. A palavra “resgatar” significa “comprar”. Ninguém se interessou em pagar o preço por nós, mas Cristo veio e nos comprou (Gl 3.13). A palavra usada em Gálatas 3.13 traduzida como resgatar é exagorazo. Ela vem de duas palavras gregas ex e ágora. Ex é um prefixo que designa algo para fora e ágora era o mercado de Atenas. Resgatar, então, significa comprar no mercado de escravos. Nos dias de Jesus, a forma comum como os judeus executavam os criminosos era pelo apedrejamento. O Senhor Jesus poderia ter morrido dessa forma, mas, em vez disso, Ele foi crucificado. Mil anos antes de existir a crucificação, Moisés disse que aquele que fosse pendurado no madeiro seria amaldiçoado (Dt 21.23).

Isso significa que o Senhor não derramou o seu sangue apenas para nos perdoar dos pecados, mas também para nos livrar da maldição, fazendo-se Ele próprio maldição. Todas as vezes que resolvemos nos relacionar com Deus com base em nossa performance, nós decaímos para a lei e nos separamos da graça de Deus. Só existe duas possibilidades: ou vivemos pela graça ou confiamos na lei. Esses dois princípios de vida são como água e óleo, não podem se misturar (Gl 3.11-12). Esta é a razão por que muitos crentes não são abençoados, eles ainda vivem confiados no mérito da lei. Não dependem de fé, mas de obras de justiça. A minha justiça é apenas um dom que eu recebi, e não uma virtude que eu conquistei pela minha obediência aos mandamentos.

O justo vive pela fé
Todos os milagres do Senhor foram feitos exclusivamente pela fé. Em nenhum momento, o Senhor exigiu das pessoas um bom comportamento antes de fazer o milagre. As pessoas certamente tinham problemas conjugais, ressentimentos e intrigas, mas o Senhor nunca lhes disse que primeiro eles deveriam cumprir os mandamentos antes de curá-los. O Senhor também jamais enviou doenças sobre alguém como forma de discipliná-lo. Ele nunca impôs as mãos para dar lepra, só para curar. Em nenhum momento, o Senhor fez os milagres com base no merecimento das pessoas, mas sempre com base na fé. Todas as pessoas que vieram a Jesus foram curadas. Será que todas elas cumpriam a lei perfeitamente? Claro que não. Em Mateus 9, temos o relato da cura de dois cegos. A única condição do Senhor foi a fé (leia Mt 9.27-29).

A graça depende de fé, mas a lei é a confiança nas próprias obras e méritos. Em Mateus 15, o Senhor falou a mesma coisa para a mulher siro-fenícia, apenas a fé foi necessária. Então, lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã. (Mt 15.28)
Essas pessoas não eram perfeitas. Elas não receberam o milagre com base em quão santas eram. É claro que a santidade glorifica o Senhor, mas não é a razão para a bênção. Na verdade, a bênção é que produz santidade, pois é a bondade de Deus que nos conduz ao arrependimento (Rm 2.4). O Senhor nunca diz: “Grande é o meu poder!” Mas Ele disse à mulher que a fé dela era grande.

Em Lucas, na parte do leproso curado que voltou para agradecer, mais uma vez, o Senhor mostra que a única condição é a fé (Lc 17.19). No Evangelho de Marcos, o Senhor também curou o paralítico unicamente por causa da sua fé (Mc 2.5). Dirigindo-se à mulher hemorrágica, o Senhor disse que foi a fé dela que a salvou (Lc 8.48). Infelizmente, muitos ainda estão focados em sua performance em vez de apenas crerem. Na verdade, quanto mais olham para o que têm feito, menos fé conseguem ter. Diante da importância da fé, os discípulos pediram a Jesus que lhes aumentasse a fé. Então, disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé. Respondeu-lhes o Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá. (Lc 17.5-6) Não precisamos de uma grande fé. Se tivermos fé como um grão de mostarda, que é a menor das sementes, isso será suficiente para recebermos o milagre de Deus. Que tipo de vida você deseja? Uma vida de performance ou uma vida de fé?

A justiça própria foi amaldiçoada
No dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome. E, vendo de longe uma figueira com folhas, foi ver se nela, porventura, acharia alguma coisa. Aproximando-se dela, nada achou, senão folhas; porque não era tempo de figos. Então, lhe disse Jesus: Nunca jamais coma alguém fruto de ti! E seus discípulos ouviram isto. (Mc 11.12-14).
Em Israel, durante o inverno, as figueiras perdem as suas folhas, que brotam novamente na primavera. Quando as folhas voltam, todos sabem que, dentro de mais seis semanas, o tempo dos figos estará chegando. Mas quando as folhas brotam, também brotam os figos temporãos. Era por esses figos que o Senhor estava procurando. Entretanto, se uma figueira não tinha esses primeiros figos temporãos, isso demonstrava que, seis semanas depois, não haveria figo nenhum. O que representam as folhas da figueira? Para compreendemos isso, precisamos recorrer ao princípio da primeira menção. As folhas da figueira foram mencionadas pela primeira vez quando Adão e Eva tentaram fazer cintas para si (Gn 3.7). Elas simbolizam a obra humana procurando ter justiça própria diante de Deus. É um esforço humano para tentar cobrir o pecado sem o sangue de Jesus.

A figueira com folhas sem frutos foi amaldiçoada por Jesus. O Senhor fez muitos milagres, mas todos eles foram obras de graça e misericórdia, apenas um foi um milagre de maldição. Quando o Senhor amaldiçoou a figueira, na verdade, Ele estava amaldiçoando a justiça própria, o tentar se justificar pelas obras da lei. Nós estamos debaixo da bênção, mas se decidirmos confiar em nossos méritos e obras da lei, estaremos nos posicionando segundo um estilo de vida que foi amaldiçoado por Jesus. Não faça isso. Permaneça na posição da bênção. A bênção e a maldição estão relacionadas ao nosso entendimento da lei e da graça. Depois que somos justificados pela fé, podemos viver como vencedores ou derrotados.

Perguntas para compartilhar:
1. Deus permite maldição em crente?
2. O que pode aprisionar o crente em uma vida de maldição?

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