Somente o justo pode mover no sobrenatural

por Aluízio A. Silva, pastor presidente da Videira – Igreja em Células

O céu só responde a uma pessoa, ao Justo. Somente quem é justo pode ter os céus abertos e praticar uma vida sobrenatural. Somente justos podem entrar no céu e ter acesso ao Pai. Logo, a questão é: o que é ser justo? Justificação é o ato de Deus aprovar as pessoas de acordo com o padrão de justiça d’Ele. Embora pensemos que somos justos, nossa justiça não é nada quando colocada no prumo da justiça de Deus. Deus mesmo é o padrão. Sendo Deus o padrão, a sua exigência de justiça é absurdamente alta. Por isso, nenhum homem poderia se justificar diante de Deus, o padrão é inatingivelmente alto. Os padrões de Deus não são altos, são inatingíveis.

Diante de Deus, o melhor que eu possa ser é comparado a um “trapo de imundícia” (Is 64.6). Sendo assim, jamais poderíamos ser usados sobrenaturalmente por Deus, pois não temos como cumprir as exigências celestiais. Em João 9.31-33, vemos que o cego sabia que Deus não atende a pecadores e que, se alguém praticar a sua vontade, será ouvido. Mas quem pode, de fato, praticar a vontade de Deus para merecer ser ouvido? O céu exige perfeição para responder, e aqui está uma poderosa chave para o sobrenatural e um grande problema, não temos como cumprir as perfeitas exigências de Deus. O que fazer? Deus quer usar cada um de nós, seus filhos, porém encontra este problema: o seu padrão de exigência. A súplica que pode ser ouvida é apenas a oração do justo, e não dos Justos. Aqui está a saída, Cristo.

A Bíblia diz claramente que a eficácia da oração é a do justo, em Tiago 5.16, e tem de ser no singular mesmo, como se pode ver em Atos 7.52, pois só existe um justo, Cristo. Justo, dikaios, usado para “aquele cujo modo de pensar, sentir e agir é inteiramente conforme a vontade de Deus, e por essa razão não necessita de ratificação no coração ou na vida”.  Não há um justo se quer (Rm 3.10-12), só existe um que de fato é justo, ou seja, somente um cumpriu o padrão exigido pelo céu, somente um pode ter a resposta do céu, pois somente para Ele o céu está aberto.

Mais uma vez, olhando para a Palavra, vemos que os céus somente se abrem para o Justo quanto Ele ora (Lc 3.21,22). O Espírito Santo vem para o justo, e o Pai fala ao Filho amado, que é justo. Na posição de justo, os céus se abrem, o Espírito vem e o Pai fala nos chamando de filhos amados. Esta é a condição, esta é a chave. Tornarmo-nos justos n’Ele. Quando existe a justiça do céu satisfeita, algumas coisas acontecem, não pode mais haver acusação, nem condenação, nem punição. Mas não somente isso, uma vez que as exigências, o padrão foi cumprido, os céus são obrigados a se abrir e liberam vida, paz, prosperidade, poder e sobrenatural.

Fomos colocados em Cristo 

Estou aqui hoje para lhe dar a boa notícia de que o Pai criou a maneira de nos colocarmos nessa posição poderosa de fé para o sobrenatural, Ele nos colocou em Cristo. Em Colossenses 3.2-4, acontece o milagre: nós, que não éramos justos, morremos, e agora a nossa vida está oculta em Cristo. Não somos mais nós que vivemos, ainda que vivos. Vivemos em Cristo. Isso significa que, quando oramos, não somos nós de fato que estamos orando, mas é Cristo que está orando; quando nos apresentamos diante do mundo espiritual, é Cristo que está se apresentando; e, naquele dia, quando comparecermos nas portas dos céus, não seremos nós, mas Cristo será recebido. Essa verdade deve afetar profunda, poderosa e definitivamente a sua vida.

De acordo com Gálatas 2.19-20, primeiro você precisa estar crucificado, e isso significa o despojamento da justiça própria e do velho homem. Agora, não sou mais eu, e sim Cristo que está vivendo a minha vida. Mas isso não significa que eu não estou vivo, mas que estou vivendo pela fé n’Ele, na obra d’Ele, na justiça d’Ele, e por isso posso viver o sobrenatural. Ser justificado significa que Deus tomou os meus pecados e colocou sobre Cristo e pegou a justiça de Cristo e a colocou em mim. O céu não está cheio de ladrões perdoados, está cheio de justos que não têm passado, que nunca pecaram.

Crer é hoje a única condição

Deus tomou a lei e a substituiu pela fé. Crer é a única lei que Deus exige do homem pecador. Se o homem crê em Cristo, essa fé lhe é imputada por justiça. É uma experiência espiritual. Em Cristo Jesus, nós fomos feitos justiça de Deus (2Co 5.21). Você não foi apenas perdoado, você foi declarado justo. Ser justificado é muito mais que ser perdoado. Ser perdoado significa que o pecador pode ser liberado de pagar a penalidade que ele merece, mas ser justificado significa que posso entrar na comunhão com Deus, pois sou justo, jamais cometi pecado. O perdão é negativo, é o cancelamento de um débito, enquanto a justificação é positiva, é receber um novo status de justo diante de Deus.

Quando Cristo morreu, eu morri com Ele, e quando Ele ressuscitou, eu renasci para uma nova vida. Isso tudo se torna uma realidade no momento em que confesso a Jesus. A nossa justiça é um dom de Deus. Você foi feito tão justo como Jesus, não por meio do seu comportamento, mas pela fé n’Ele e em sua obra consumada na cruz (Rm 5.17). A razão por que muitos crentes vivem uma vida de derrota é porque acreditam na mentira de que Deus está zangado com eles. Por causa da obra consumada de Jesus, a ira de Deus não pode mais estar sobre nós. Toda a ira de Deus por causa do pecado caiu sobre o Senhor Jesus na cruz. Não estamos mais debaixo da velha aliança, segundo a qual Deus às vezes estava feliz com você e às vezes estava zangado. Hoje, Ele tem total prazer em você por causa de Jesus.

ABRAÃO FOI JUSTIFICADO PELA FÉ

Tudo começa pela revelação de que somos justos. Para isso, vamos olhar para Abraão, o pai da fé, o pai dos que são justos em Cristo. Porque Abraão creu em Deus, ele se tornou justo e amigo de Deus (Tg 2.23). Abraão agora tinha acesso ao coração de Deus, isso é ser amigo de Deus. Isso aconteceu porque ele creu e, como justo, pode se aproximar. Preste atenção, Ele é o pai da fé, logo é uma chave para o sobrenatural, pois ela acontece somente pela fé. Abraão não foi justificado pela lei, mas pela fé. A lei nos ocupa com o nosso eu, mas a graça nos ocupa com Cristo. Não precisamos nos preocupar em guardar nenhuma lei mais, porque Cristo já imprimiu em nosso coração as suas leis. É o que diz em Hebreus 8.6-13.

Tudo é uma questão da justiça de Cristo

Não precisamos viver mais preocupados com o pecado. Não somos justos hoje e então pecamos amanhã e devemos nos tornar justos amanhã novamente, não, a Bíblia diz que Jesus veio para trazer justiça eterna, que não acaba nunca mais, não importa o que nos aconteça, uma vez que nós estamos n’Ele e Ele é a própria justiça (Dn 9.24). A obra do sangue de Cristo nos tira de um lugar de pecado onde a sua santidade não via nenhuma justiça e nos leva para um lugar onde Ele não vê nenhum pecado em nós. Voltemos para Abraão, o justo. Ele tinha pecado, ele mentiu duas vezes em relação a Sara, sua mulher, dizendo que ela não era a sua esposa. Mentiu covardemente por medo, mas isso não mudou o fato de quem ele era e nem mesmo de Deus o usar.

Abraão mente para Abimeleque, o qual, por esse motivo, quase é morto por Deus (Gn 20.2-8,14,16-18). Deus trata duramente com Abimeleque, mas sequer menciona coisa alguma sobre o pecado de Abraão com ele. No verso 7, Deus diz que ele é profeta. Esta é a primeira menção para a palavra “profeta” na Bíblia, o que determina em linhas gerais o significado e a condição para o profeta, os homens que se moviam no sobrenatural. Está claro que o único motivo que colocou Abraão na condição de ser profeta, de se mover no sobrenatural, é porque ele era justo, apesar dos seus erros.

Nos versos 14 e 16, tanto Abraão quanto Sara recebem tesouros e prosperam. Meu Deus! O cara apronta e ainda enriquece! No verso 17, temos também a primeira menção para a palavra “Sara”, “curar” – rapha – quando Abraão ora e Deus sara Abimeleque, sua mulher e suas servas. Mais uma vez, o Senhor está nos mostrando pela lei da primeira menção que os milagres estão totalmente condicionados à revelação de que somos justos. Veja, o erro de Abraão não pode impedi-lo de ser justo, de vir a ser o pai da fé e nem mesmo de ser o modelo para os que se movem no sobrenatural.

Precisamos confessar que nossa justiça é irreversível, porque ela não se baseia na nossa performance, mas unicamente na obra de Cristo. Não é pela minha obediência, é exclusivamente pela obediência d’Ele que eu me torno justo. Sou justo hoje baseado na obediência de um homem na cruz. A estratégia do inimigo é que você se ocupe com a sua obediência ou a falta dela e assim fique deprimido. Precisamos levar cativo todo pensamento à obediência de Cristo, e não à nossa (2Co 10.5).

Não estamos provando mais do sobrenatural, das bênçãos de Abraão, porque satanás coloca nosso foco na lei, dizendo que, porque não guardamos os mandamentos, então não podemos receber, mas Abraão não se tornou herdeiro do mundo por guardar a lei, e sim pela justiça que vem da fé (Rm 4.13-14). O que anula a fé não é o pecado, e sim a lei, e faz a promessa inútil, sem efeito (Gl 5.4). Quando perdemos a fé por causa do erro, nos desligamos de Cristo. Isso não é perder a salvação, mas significa que Cristo não pode nos servir, fica inútil para nós, nos tira da posição para o sobrenatural, e Ele é tudo de que precisamos.

Hoje, somos justos pela fé porque, há dois mil anos, uma figura solitária foi pendurada na cruz. Ali, Deus pegou os meus e os seus pecados e colocou sobre Ele. Foi o Pai que deu o Filho, porque nos ama. E Cristo deu sua vida porque ama o Pai e a nós também. Após três horas de trevas, Jesus clama chamando o Pai de Deus, a única vez na Bíblia: “Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste?” Ele falou assim porque estava assumindo nosso lugar. O Pai virou as costas para Jesus e Jesus gritou: “Está consumado”. Ele fez isso para ficar claro que o preço foi pago, para que saibamos que agora teremos constantemente a presença do Pai em nossa vida, a condição para o sobrenatural, mesmo quando fracassamos. Deus virou suas costas para o seu Filho na cruz e olhou para nós, rasgou o véu e disse: “Sejam bem-vindos!”

Aleluia, em Cristo, os céus estão abertos para nós, o sobrenatural está ao nosso alcance, está dentro de nós. Não é a sua obediência, e sim a de Cristo que o faz justo. Quando você crê nisso, a obediência em sua vida não é mais uma raiz, e sim um fruto; ela brotará naturalmente sem que você perceba. Na velha aliança, o juízo era maior que o sacrifício. Mas, na cruz, Jesus recebeu todo o juízo e toda a ira de Deus contra nós. Não há mais nenhuma ira ou juízo sobre nós hoje, aconteça o que acontecer (Is 54.9). Não precisamos mais temer, Ele foi totalmente suficiente para que não tenhamos de pagar mais coisa alguma. Precisamos apenas crer e declarar que somos justos e, dessa posição, reinar em vida. Deus o vê justo mesmo depois de você pecar, Ele não está mentindo. A dádiva da justiça é irreversível. 

Perguntas para compartilhar:

– Você tem respondido a Deus com base em qual justiça?
– O que é ser justificado?

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