Sim, Deus fala com você

Todo homem é espírito, alma e corpo.

O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo, sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. (1Ts 5.23)

Espírito e alma não são a mesma coisa. A Palavra de Deus não usaria duas palavras para designar a mesma coisa.

Hebreus 4.12, por exemplo, diz que a palavra de Deus é viva e eficaz e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito. Alma e espírito, portanto, não são a mesma coisa. É absolutamente vital para a vida cristã sabermos a diferença entre a alma e o espírito.

Nós vivemos hoje debaixo da Nova Aliança, na qual todos são ensinados do Senhor (Jr 31.34). Você não sabe como chegou a saber disso, mas há algo em seu interior que diz que certas coisas não são verdadeiras e outras são. Chamamos isso de intuição.

Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão dizendo: conhece ao Senhor, porque todos me conhecerão, desde o menor até o maior deles. Diz o Senhor (Jr 31.34)

As revelações de Deus e todas as ações do Espírito Santo se tornam conhecidas por nós pela intuição do espírito.

Intuição é um saber que não tem origem na mente e nem nas circunstâncias ao redor. As coisas do Espírito precisam ser discernidas pelo nosso espírito (1Co 2.14).

Jesus percebia, no seu espírito, o que os outros arrazoavam (Mc 2.8).  Paulo foi constrangido no espírito (At 20.22). Em todas essas referências, temos a forma como se manifesta a intuição do espírito.

A intuição se manifesta pela restrição e pelo constrangimento.  A restrição é uma sensação que às vezes parece opor-se ao que a nossa mente pensou, nossa emoção aceitou e a nossa vontade decidiu. É uma sensação de que algo não deve ser feito.

O constrangimento é um impulso, um estímulo para que façamos algo que parece irracional e até contrário à nossa vontade.

 Por que precisamos saber a diferença entre a alma e o espírito

  1. Porque Deus é espírito

Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade. (Jo 4.24)

Ora, para que possamos ter contato com a matéria, precisamos ser matéria. Do mesmo modo, para que possamos ter contato com Deus, que é Espírito, precisamos ser um espírito.

Não podemos ouvir de Deus com nossos ouvidos físicos, nem tampouco olhá-lo com nossos olhos da carne. Todavia, nós podemos conhecer a Deus. Como viemos a conhecê-lo? Evidentemente, pelo espírito.

É por meio do nosso espírito que entramos em contato com Deus. Se falharmos em discernir o nosso próprio espírito, como poderemos conhecer a Deus? 

 

  1. O novo nascimento é algo que ocorre inteiramente em nosso espírito

O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. (Jo 3.6)

“O que é nascido da carne, é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito”. Todo aquele que é nascido de novo é espírito.

Quando Adão pecou, ele morreu, e bem assim toda a sua descendência. A morte de Adão não foi de imediato uma morte física, mas espiritual. O seu espírito morreu para Deus. Não que o homem natural não tenha espírito, mas o seu espírito está morto, incapaz de manter contato com Deus. O novo nascimento é o renascer desse espírito para Deus.O nosso espírito é como um rádio que capta as ondas celestiais.

 

  1. O conhecimento espiritual é adquirido no espírito

Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. (1Co 2.14)

Não é que as coisas do espírito sejam difíceis ou misteriosas, mas o espírito do homem natural está morto. Assim, o seu rádio espiritual não sintoniza a frequência de Deus.

Em 2 Coríntios 3.6, lemos que a letra mata, e em João 6.63, Jesus disse que as suas palavras são espírito. Se a palavra é espírito, somente o espírito pode percebê-la.

Todo conhecimento que tem valor na vida cristã é adquirido espiritualmente. As coisas espirituais se discernem espiritualmente, ou seja, pelo espírito. O homem natural, por ter o seu espírito morto, não consegue entender as coisas do Espírito.

O problema é que muitos cristãos, apesar de nascidos de novo, ainda usam sua mente para entender coisas que só se discernem espiritualmente. Aqueles que não sabem discernir o próprio espírito, normalmente leem a Bíblia usando a mente e, por isso, retiram tão pouco proveito dela.

 

  1. A adoração é algo que é feito no espírito

Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade. (Jo 4.24)

Deus é espírito e deve, portanto, ser adorado em espírito. Não é uma questão de forma, mas de origem. Devemos exercitar o nosso espírito se queremos adorar a Deus.

Se falharmos em perceber o nosso próprio espírito, a nossa adoração será comprometida. O máximo que iremos alcançar será um louvor no nível da mente, da alma.

 

  1. Devemos orar sem cessar no espírito

[…] com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos. (Ef 6.18)

Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente. (1 Co 14.15)

Existe um tipo de oração que é feita no nível do espírito, a oração em línguas, por exemplo. Em 1 Coríntios 14.14, Paulo diz: “Se eu orar em outra língua, então meu espírito ora […]”.  E, no verso seguinte, ele diz: “Orarei com o espírito […]”. Para orar com o espírito, não precisamos usar a mente, por isso podemos orar o tempo todo mesmo enquanto trabalhamos ou estudamos.

Existe um tipo de oração que é feita no nível do espírito. Como poderei fazer esse tipo de oração se eu nem mesmo sei que possuo um espírito? A adoração é no espírito e uma oração que também é no espírito. A prática normal da vida cristã implica uma compreensão clara de que somos um ser espiritual, que possui uma alma e habita em um corpo.

Toda a nossa vida cristã consiste em aprendermos a exercitar o nosso espírito humano recriado para contactar o Senhor e sermos por Ele guiados. Tudo de que necessitamos para alcançar uma vida cristã plena e frutífera já nos foi dado pelo Espírito Santo, que habita em nós.

 

  1. Somos exortados a andar no espírito

Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. (Gl 5.16)

Toda a nossa vida cristã consiste em aprendermos a exercitar o nosso espírito humano recriado para contactar o Senhor e sermos por Ele guiados.

Em 1 Coríntios 14.14, Paulo diz: “Se eu orar em outra língua, então meu espírito ora […]”.  Veja a forma como ele diz: “Se eu orar […], então meu espírito ora”. Veja que o “eu” e o “espírito” são a mesma coisa, mostrando que Paulo se via como um ser espiritual.

Podemos dizer, então, que nós somos um espírito que tem uma alma e habita em um corpo celestial. Eu sou um ser espiritual, eu sou da natureza de Deus, fui feito à sua imagem e semelhança (Sl 82.6). Não devemos pensar que somos o nosso corpo. Nós somos espírito.

O Espírito Santo não habita na alma, e sim em nosso espírito humano recriado. Toda direção que o Espírito nos dá vem através do nosso espírito. O nosso espírito é a parte do nosso ser que tem a função de contactar Deus.

O espírito é como um rádio que tem a capacidade de sintonizar as ondas que vêm do trono de Deus. Falhar em discernir o próprio espírito pode ser extremamente prejudicial para um padrão de vida vitoriosa. A nossa vida cristã, em última análise, consiste em sermos guiados pelo Espírito. Se eu não consigo ouvir o que o Espírito Santo está dizendo, como serei guiado por Ele?

Este é o centro da vida cristã: Deus habita em nós na pessoa do Espírito Santo, moldando-nos e nos guiando a toda a verdade. Este é o ápice da revelação de Deus, que Cristo Jesus habita em nós, sendo a nossa própria vida.

A vida cristã consiste em duas substituições: a primeira na cruz, onde Ele morreu em nosso lugar; e a outra, no nosso dia a dia, quando Ele vive a vida cristã por nós.  Tudo é feito por sua graça: a salvação e a santificação.

 

  1. Servimos a Deus no espírito

Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, é minha testemunha de como incessantemente faço menção de vós em todas as minhas orações (Rm 1.9)

A maneira de servirmos a Deus é exercitando o nosso espírito. Somente por meio do nosso espírito podemos conhecer o coração de Deus e servi-lo fazendo a sua vontade.

João 16.13 diz que “o Espírito da verdade nos guiará a toda a verdade”. Como o Espírito nos guia a toda a verdade? Falando conosco através de nosso espírito recriado.

Como podemos perceber o nosso espírito?

Eu sou um ser espiritual, eu sou da natureza de Deus, fui feito à sua imagem e semelhança (Sl 82.6). Não devemos pensar que somos o nosso corpo. Nós somos espírito. E é por isso que nós somos aptos a ter comunhão com Ele, ouvir e falar com Ele.

Evidentemente, nós não somos apenas espírito, somos também alma e corpo. Em Romanos 7.18, Paulo também diz: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne […]”. Veja que ele também diz que ele é matéria. Nós somos um ser triúno. A divisão que ora fazemos é apenas visando facilitar a aprendizagem. Eu sou apenas um homem, e não três. Espírito, alma e corpo são partes de um único ser: o homem.

Entretanto, o nosso corpo será glorificado, pois o corpo que hoje possuímos é apenas a casa onde moramos nesta terra. Paulo nos diz, em 2 Coríntios 5.1-2, que o corpo é apenas a nossa casa terrestre; quando estivermos com o Senhor, receberemos uma habitação celestial. Podemos dizer, então, que nós somos um espírito que tem uma alma e habita em um corpo celestial.

Alguém pode estar se perguntando: Como posso perceber o meu espírito? Eu sei perceber o meu corpo e também sei perceber a minha alma, ou seja, minha mente e emoções, mas como posso perceber o meu espírito? O nosso espírito muitas vezes é chamado de coração na Bíblia (os dois termos parecem ser intercambiáveis).

Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus. (Rm 2.28-29) 

Paulo explica que o coração é o espírito, ou pelo menos é o meio pelo qual ele pode ser percebido. Não devemos pensar que o coração seja este órgão físico que pulsa em nós. Quando a Bíblia fala de coração, ela está falando de algo íntimo, das profundezas do nosso ser.

Podemos ver que, se o coração não é o espírito, pelo menos ele é o meio pelo qual o espírito pode ser percebido.

 

Perguntas para compartilhar:

– Como você tem servido a Deus?

– Você tem discernido o seu espírito?

– De que maneira você tem exercitado o seu espírito?

 

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