Seja livre da má consciência

por Aluízio A. Silva, pastor presidente da Videira – Igreja em Células

Existem muitas alianças na Palavra de Deus, como a Aliança Noaica ou a Aliança Davídica, mas basicamente há duas que precisamos conhecer, a Velha e a Nova Aliança, a lei e a graça. E, quando falamos da Velha Aliança da lei, não estamos falando de todo o Velho Testamento, pois a lei foi dada quatrocentos e cinquenta anos depois de Abraão. Mas podemos dizer em termos gerais que as pessoas do Velho Testamento estavam debaixo da lei e que os crentes do Novo Testamento estão debaixo da graça.

A Nova Aliança está oculta na Velha, e a Velha é revelada plenamente na Nova. A Palavra de Deus diz, por exemplo, que quando o povo de Israel vinha caminhando no deserto, eles murmuravam, e por causa disso vieram serpentes venenosas que os atacaram. No deserto, havia muitas serpentes, mas até então nenhum deles havia sido picado; quando, porém, começaram a murmurar, eles quebraram a cerca de defesa. Deus, então, mandou que Moisés fizesse uma serpente de bronze e a colocasse na ponta de uma haste, e a promessa era que todo aquele que tivesse sido picado por uma cobra, quando olhasse para serpente de bronze, seria curado do veneno.

No Novo Testamento, o Senhor disse a Nicodemos que, do mesmo modo como Moisés levantou a serpente de bronze no deserto, era necessário que o Filho do homem fosse levantado na cruz (Jo 3.14-15). Assim, ficamos sabendo que o Senhor Jesus era aquela serpente de bronze. Por quê? Deus quer que saibamos que, na cruz, o Senhor Jesus se tornou o que nós éramos, para que possamos nos tornar o que Ele é (2Co 5.21). Como o Senhor Jesus, que nunca cometeu pecado, se tornou pecado? Ele recebeu o nosso pecado. Como nós, que nunca praticamos a justiça, nos tornamos justos? Nós recebemos a justiça d’Ele. Esta é a grande troca do Calvário. O Senhor não merecia se tornar pecado, e nós não merecemos ser feitos justos.

Livres da consciência de pecado

Hebreus 10 diz que a lei era apenas uma imagem, uma sombra das coisas que estavam por vir (Hb 10.1). Todos os anos, durante mil e quinhentos anos, o povo de Israel celebrou o Yom Kipur, ou dia da expiação. Na verdade, até hoje eles celebram, mas sem o sacrifício de animais, pois o templo foi destruído. Nesse dia, eles imolavam o sacrifício da expiação e os seus pecados eram cobertos por um ano. Foi assim até o dia em que João Batista declarou no deserto da Judeia: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).

Anteriormente, o sangue de animais apenas cobria os pecados, mas agora o Cordeiro de Deus veio para os remover completamente e de uma vez por todas. No dia em que o Senhor morreu no Calvário, a conta foi quitada. O problema é que muitos ainda vivem como se estivessem no Velho Testamento. Na lei, havia a recordação dos pecados, mas agora que nossos pecados foram purificados de uma vez por todas, não mais precisamos viver debaixo de consciência de pecados (Hb 10.2-3). Quando você fica se lembrando dos seus pecados, você está dizendo com a sua ação que o sangue do Cordeiro de Deus não tirou o pecado definitivamente da sua vida. Mas a verdade está clara a partir do verso 10 de Hebreus.

Quando você recebeu Jesus em sua vida, você foi aperfeiçoado para sempre (Hb 10.10-12). Podemos dizer isso porque o texto de Hebreus afirma que ele se assentou (v. 12). No tabernáculo, não havia nenhum móvel preparado para que o sacerdote se assentasse. Não havia nenhuma cadeira no santo lugar. É assim porque a obra do sacerdote nunca era consumada. Mas a obra do Senhor Jesus foi consumada, por isso Ele se assentou. E também nos fez assentar junto com Ele (Ef 2.4-6). Assentar-se na Bíblia simboliza descanso. Isso significa que Ele consumou a obra para que pudéssemos nos assentar com Ele no descanso. Pare de depender de seus esforços para se qualificar e obter as bênçãos de Deus em sua vida. 

Aproximemo-nos com ousadia

No verso 17, o Senhor diz que nunca mais se lembrará dos nossos pecados para sempre. Se Ele não se lembra, nós também não precisamos nos lembrar (Hb 10.17-18). E, uma vez que não temos uma consciência de pecados, podemos nos aproximar com ousadia em plena certeza de fé. Mas para termos essa ousadia em fé, precisamos ter o coração purificado da má consciência.

Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura. (Hb 10.19-22)

No Velho Testamento, as pessoas não tinham ousadia para se aproximar de Deus, pois quanto mais elas se aproximavam, maior era a chance de morrerem. O sumo sacerdote entrava no santo dos santos uma vez por ano, mas com muito medo, pois se ele tivesse pecado, morreria diante de Deus. O caminho até o santo dos santos era um caminho de morte e medo, mas agora Jesus abriu um novo e vivo caminho, um caminho de vida. Isso significa que, quanto mais você anda nesse caminho aproximando-se, mais vida você desfruta.

Por isso, a ordem é que nos aproximemos com ousadia e um coração sincero, purificado da má consciência. O que é uma má consciência? É aquela consciência que está todo o tempo acusando-o de pecado. Não somos impecáveis, mas os nossos pecados foram cravados na cruz, e Deus não mais se lembra deles.

 Em plena certeza de fé

Sabe por que muitos cristãos têm dificuldade de manter uma vida de oração? Simplesmente porque não querem se aproximar de Deus. Eles possuem uma má consciência e por isso temem a presença de Deus. Infelizmente, ainda vivem segundo o conceito do Velho Testamento e se relacionam com Deus como os judeus do tempo de Jesus. Para eles, Deus era onipotente, transcendente, e qualquer contato com Ele colocava-os em perigo.

As instruções de Levítico para os sacerdotes nos levam a pensar em algo como o material radioativo de nossos dias. Se apresentassem um animal que não fosse perfeito, poderiam morrer. Se tocassem na Arca, morreriam. Tinham sempre de deixar a fumaça subindo e nunca podiam entrar ou olhar dentro do santo dos santos, senão morreriam. O sumo sacerdote somente poderia entrar no santo dos santos uma vez por ano e, se tivesse pecado, morreria diante de Deus. Agora, porém, chegamos a um novo tempo. Nós podemos ter ousadia para entrar no santo dos santos. Algo definitivamente mudou na Nova Aliança.

Viva uma nova realidade

Moisés simboliza a lei do Velho Testamento. Em Êxodo 3, lemos a respeito do dia em que Deus lhe apareceu na sarça ardente (Êx 3.1-6). Aquela era a realidade do Velho Testamento, mas agora a realidade mudou. O Anjo do Senhor sempre aponta para o Senhor Jesus antes de Ele se fazer homem. É sempre o Anjo com artigo definido. O Senhor Jesus apareceu, então, no meio de uma sarça.

Moisés, curioso pela sarça que queimava, mas não se consumia, se aproximou para ver. O Senhor sempre procura capturar a nossa atenção. Mas qual foi a primeira coisa que o Senhor lhe disse? “Não se chegues para cá!” A ordem de Hebreus é para que nos aproximemos com ousadia; mas, para Moisés, foi: “Não chegue perto”. Moisés representa a lei, e essa foi a primeira vez que Deus falou com ele.

A segunda coisa que Deus disse a Moisés foi: “Tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa” (v. 5). Em outras palavras, Moisés não podia participar da santidade de Deus. Mas, em Lucas 15, o Senhor contou a Parábola do Filho Pródigo. Nessa parábola, o pai divide a herança com seus dois filhos (15.12). O fato de o filho mais novo pedir a herança com o pai ainda vivo é uma forma de desejar a morte do pai. Mesmo assim o pai graciosamente dividiu com eles a herança.

O mais novo saiu pelo mundo e gastou todo o seu dinheiro em orgias e bebedices. Quando não tinha mais dinheiro e os seus amigos o abandonaram, ele se tornou um cuidador de porcos, a profissão mais indigna para um judeu. Num dia, ele caiu em si e disse: “Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai”. Disse Jesus que “vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou” (Lc 15.20).

O pai não disse: “Não chegue para cá”. Antes, ele correu ao encontro do filho pecador. A segunda coisa que Deus disse a Moisés foi: “Tira as sandálias dos teus pés”. Mas o que fez o pai? Mandou que colocassem sapatos no filho. Ele tem o direito de permanecer no solo da família. Depois, mandou que matassem o novilho. Eles podiam fazer a festa porque outro iria morrer no lugar do filho. O novilho aponta para o Senhor Jesus.

Depois de ouvir a promessa de Deus de que Ele livraria o seu povo, o que Moisés disse? “Quem sou eu para ir?” A lei sempre nos faz conscientes de nós mesmos em vez de conscientes de Deus. A questão não é quem sou eu, mas sim quem é Deus. Não é a minha fraqueza, mas a sua força. Não é a minha pobreza, mas a sua provisão superabundante. Não são as minhas limitações, mas o poder sem limites de Deus.

A resposta do Senhor foi: “Eu serei contigo”. “Mas e se perguntarem quem me enviou, o que direi?” “Diga que o Eu Sou te enviou.” Sabe o que é “Eu Sou”? Um cheque em branco. Não importa a sua necessidade, Ele sempre dirá: “Eu Sou a sua provisão”. Você está doente? Eu Sou a sua cura. Está passando por lutas? Eu Sou a sua vitória. Está vivendo em depressão? Eu Sou a sua paz e o seu libertador. Quando o Senhor Jesus vem, Ele diz: “Antes que Abraão existisse, EU SOU” (Jo 8.58). Ele é o mesmo ontem e hoje, mas houve uma mudança, estamos agora numa Nova Aliança. Não precisamos temer nos aproximar, pois o caminho nos foi aberto. Não precisamos viver com uma má consciência que nos acusa todo o tempo dos nossos pecados, pois a sua promessa é esta: “Dos seus pecados jamais me lembrarei”.

Perguntas para compartilhar:

  1. A má consciência tem como base o quê?
  2. Qual é a consciência correta na Nova Aliança?

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