Sabedoria para tomar decisões

É importante lembrar que Deus não se atrasa, Ele tem a hora certa para agir”

Quando o rei Assuero viu Ester no pátio do palácio, ela obteve favor aos seus olhos e ele estendeu o cetro de ouro em sua direção. Lembre-se de que, sem esse gesto do rei, ela morreria. Agora, cheia de confiança, ela toca a ponta do cetro.

Então, lhe disse o rei: Que é o que tens, rainha Ester, ou qual é a tua petição? Até metade do reino se te dará. (Et 5.3)

Gosto dessa parte. Ester não sabe o que esperar e o rei diz simplesmente: “O que há com você? O que a perturba?” Então ele continua: “O que posso fazer por você? Diga. Não há limites, o que quiser será seu”.

Chegará o momento de acusar Hamã, mas ela não faz isso. Não naquela hora. Esta é uma mulher sábia, que conhece o valor da oportunidade. Ester não tem pressa, nem deseja vingança. Sabe por quê? Porque espera no Senhor. Nós nos precipitamos quando não esperamos no Senhor. Agimos impensadamente, falamos demais, dizendo coisas de que nos arrependemos mais tarde. Mas, quando esperamos no Senhor, Ele toma o controle da situação. Nesses momentos, somos como uma luva, e a sua mão nos leva aonde Ele quer. Nada é melhor que ser conduzido pelo Senhor! Veja a resposta de Ester:

Se bem te parecer, venha o rei e Hamã, hoje, ao banquete que eu preparei ao rei. (Et 5.4)

Que coisa incrível! Enquanto Ester jejuou por três dias, ela também preparou um banquete. Isso requer um enorme controle e disciplina. Deus operou durante a espera, enchendo os seus pensamentos com um plano: “Dê um banquete, convide Hamã. Você deve fazer isso”.

Quando você espera no Senhor, não precisa ficar num canto com os seus botões, ou andar em círculos. Não precisa isolar-se em uma fazenda sem querer ver uma viva alma, embora momentos de solitude e silêncio com o Senhor sejam maravilhosos para nutrir a nossa alma. Mas, no geral, continuamos com nossos afazeres e com nossas atividades regulares. Fique tranquila, o Senhor nos encontrará e falará conosco. Quando buscamos o Senhor, Ele nos ouve e vem ao nosso encontro.

Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós, diz o SENHOR, e farei mudar a vossa sorte. (Jr 29.12-14)

Como eu gosto desse texto de Jeremias! Há uma promessa e uma garantia de que, quando invocarmos o Senhor e o buscarmos de todo o nosso coração, nós o acharemos. O Senhor fará mudar a nossa sorte. Isso significa que algo vai acontecer, algo vai mudar. Deus vem ao nosso encontro e fala conosco. Ele nos dá sabedoria e coloca em nosso coração estratégias e direções claras de como agir.

[…] certamente, se compadecerá de ti, à voz do teu clamor, e, ouvindo-a, te responderá. […] os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: Este é o caminho, andai por ele. (Is 30.19,21)

Foi o que aconteceu com Ester. Deus deu a ela a estratégia certa para agir naquela situação. Em vez de chegar acusando Hamã e contando imediatamente ao rei o que ele havia feito, ela teve outra atitude. Não se precipitou. Não provocou as emoções do rei ou tentou manipulá-lo explodindo em lágrimas. Disse apenas calmamente, sem agitação ou soluços: “Preparei um banquete e gostaria que você e Hamã compartilhassem dele”. “Boa ideia”, respondeu o rei, “aprecio banquetes” – ela sabia disso (Et 5.5).

Como é bom andar com Deus! É um andar de fé e cheio de surpresas. Ainda que passemos por situações difíceis, ameaçadoras, que nos preocupam e nos angustiam, Ele nos assiste em nossas fraquezas, cuida de nós e nos conduz para uma luz no fim do túnel.

Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. (Rm 8.26)

O Senhor honrou Ester por aguardar e lhe deu sabedoria para agir. Ester, com calma e confiança, encheu-se de coragem para enfrentar o maior desafio de sua vida. Experimentou sua hora mais esplendorosa quando tudo parecia completamente escuro.

Se Deus fez isso por ela, fará por nós também. Substituirá a nossa fraqueza pela sua força. Ele nos dará confiança de que todas as coisas estão em suas mãos e, portanto, sob seu controle. Ainda que seja difícil, devemos aguardar pacientemente pela sua obra em nós!

Veio, pois, o rei com Hamã, para beber com a rainha Ester. No segundo dia, durante o banquete do vinho, disse o rei a Ester: Qual é a tua petição, rainha Ester? E se te dará. Que desejas? Cumprir-se-á ainda que seja metade do reino. (Et 7.1,2)

Este é o segundo banquete que Ester dá ao rei. É o evento, o momento em que ela rompe o silêncio. Mais uma vez, os três sozinhos: o rei, a rainha, e o primeiro-ministro. “Qual é a tua petição?”, pergunta o rei a Ester. “Qual é o teu pedido?” Ele já perguntara isso duas vezes antes: quando ela se apresentará no pátio e ele apontou-lhe o cetro, e depois, no primeiro banquete. Mas Ester não responderá porque não estava na hora.

De acordo com a direção que Deus lhe havia dado, não prosseguiu no assunto. Sabia quando agir e quando esperar. O que temos a aprender com Ester? Quando estivermos à beira de uma decisão importante, devemos esperar. Quanto mais difícil a decisão, maior deve ser a espera. Não devemos nos apressar. Melhor é aguardar no Senhor. Por quanto tempo? Podem ser três dias, três semanas, três meses ou até anos. O importante é que, durante o período de espera, não devemos tentar agir por conta própria. Enquanto esperamos, devemos orar. A oração nos sustenta quando não conseguimos entender o motivo da “demora”. É importante lembrar que Deus não se atrasa, Ele tem a hora certa para agir!

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu […] tempo de estar calado e tempo de falar. (Ec 3.1,7)

Até aquele instante, Ester não havia contado ao rei que era judia. Mas agora, sim, chegará o momento de quebrar o silêncio. Ester tomou coragem para fazer a sua petição (Et 7.3,4). E, nesse momento, Ester demonstra grandeza de caráter. Seu marido a ouve atentamente!

Então, falou o rei Assuero e disse à rainha Ester: “Quem é esse e onde está esse cujo coração o instigou a fazer assim?” (Et 7.5). Nós já sabemos o fim dessa história. Hamã é morto na forca que havia preparado para Mordecai, e este é honrado pelo rei, assumindo o lugar de Hamã como o primeiro-ministro da Pérsia. Os judeus foram preservados e o nome de Deus foi glorificado. 

Ester foi essa mulher que não se precipitou, não agiu da maneira que achava melhor, mas esperou em Deus a sabedoria para discernir a hora certa para agir, a hora de silenciar e de falar. Assuero sabia que tinha uma mulher idônea e de caráter reto. Quando isso acontece: “O coração do seu marido confia nela” (Pv 31.11).

Fonte: Identidade real – Pra. Marília Pedroza

Tags