Quebrando o ciclo do pecado sexual

por Aluízio A. Silva, pastor presidente da Videira – Igreja em Células

O evangelho é completamente a respeito da bondade de Deus. Precisamos receber luz do Espírito para entender o quanto somos amados pelo Pai. Quando entendemos esse amor, a libertação começa a se manifestar.

Na carne, o homem não pensa coisas boas a respeito de Deus. Quando ouve sobre a graça, ele se pergunta: “Será que Deus pode ser assim tão bom?”

A graça não leva ao pecado, mas a lei sim. Na verdade, é a bondade de Deus que nos conduz ao arrependimento.

Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento? (Rm 2.4)

Precisamos ter clareza de que Deus é bom e Ele não está nos privando de nada bom. Ao colocar o sexo apenas dentro do casamento, Ele está fazendo algo para nos abençoar.

Não pense que Deus seja contra o sexo. Ele criou o sexo. Na verdade, o primeiro mandamento que Ele deu ao homem foi esse. Ele disse a Adão para crescer e multiplicar.

Tudo aquilo que nós limitamos se torna poderoso, mas aquilo que liberamos se dissipa e se perde. Deus criou o sexo para ser limitado ao casamento, entre marido e mulher. Isso faz com que ele seja explosivo e gratificante. Mas o diabo levou o sexo para fora do casamento, e isso faz com que a sua energia se dissipe e o homem não consiga nenhuma satisfação permanente.

Os pecados não são iguais. Jesus disse que aqueles que o haviam entregado a Pilatos tinham um pecado ainda maior (Jo 19.11).

E o pecado sexual é completamente diferente de todos os outros pecados. Paulo diz que todo pecado é fora do corpo, mas o pecado sexual atinge o corpo (1Co 6.18).

Alguns dizem que o crente que cai em pecado sexual se enche de demônios, mas Paulo não diz isso; antes, ele firma categoricamente que o crente continua sendo templo do Espírito Santo. Não deixa de ser. E isso é o que torna o pecado sexual ainda mais grave.

O ciclo do pecado

O grande problema do pecado sexual é a sua repetição. Ele se torna um ciclo que, se não for quebrado, vai continuar se repetindo. É preciso dizer não em algum ponto.

Tentação  > confiança na carne (eu posso lidar com isso)  > queda no pecado > culpa (acusação e condenação)  >  tentação

  1. Tentação

A respeito da tentação, precisamos esclarecer, antes de tudo, que ser tentado não é pecado. Infelizmente, muitos se deixam levar para o pecado porque são convencidos de que, quando sentem a tentação, então já pecaram diante de Deus. Mas isso é um engano.

Tentação é diferente de intenção. Muitos homens olham para mulheres, mas há aqueles que olham com intenção impura (Mt 5.28).

A segunda coisa é que a ordem bíblica é para que fujamos do pecado. Não tente resistir à tentação, simplesmente fuja dela. Fuja daquilo que dá ocasião ao pecado. Em 1 Coríntios 6.18, Paulo diz para fugirmos da impureza. Devemos fazer como José diante da esposa de Potifar.

Foge, outrossim, das paixões da mocidade. Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor. (2Tm 2.22)

O momento da tentação é o melhor momento para dizermos não ao pecado e fazemos isso simplesmente fugindo.

  1. Confiança na carne

Entretanto, em vez de fugir, alguns tolamente acreditam que podem lidar com o pecado na sua força. Isso é chamado de confiança na carne, justiça própria. A Palavra de Deus diz que a soberba precede a ruína (Pv 16.18). Se quisermos ter vitória, precisamos ser humildes diante de Deus.

O que é a confiança na carne? É quando pensamos que podemos lidar com aquela situação. Outros podem beijar uma moça e cair, mas eu posso lidar com isso. Outros podem assistir a certos filmes e cair, mas eu posso lidar com isso. Outros podem conversar certos assunto e cair no pecado, mas eu posso lidar com isso.

Precisamos entender que a corte não é um tipo de legalismo. Não estamos estabelecendo uma lei de como você pode se tornar mais santo ou como ser aceito diante de Deus. Nada disso. A corte é apenas a atitude de jovens que são humildes e que reconhecem que não podem confiar na carne. Eles sabem que não podem lidar com isso, por isso querem fugir de tudo o que dá ocasião à carne.

  1. Queda

Quando confiamos na carne, inevitavelmente cairemos no pecado. Tenha cuidado com o pecado, pois ele sempre tem consequências. Mesmo que tenhamos sido libertos da maldição da colheita do pecado, ainda estamos sujeitos às suas consequências.

Pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas. (Cl 3.25)

Há uma advertência muito séria do apóstolo Paulo para aqueles que defraudam seu irmão na questão sexual. Ele diz que Deus é o vingador.

Que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra, não com o desejo de lascívia, como os gentios que não conhecem a Deus; e que, nesta matéria, ninguém ofenda nem defraude a seu irmão; porque o Senhor, contra todas estas coisas, como antes vos avisamos e testificamos claramente, é o vingador. (1Ts 4.4-6)

Quem disse isso foi o apóstolo da graça. Ele não está dizendo que aquele que cai no pecado sofrerá a ira de Deus. Ele diz apenas que Deus nunca é neutro. Se dois filhos chegam diante d’Ele com uma contenda, Ele julgará a causa. Ele jamais fica neutro. E se alguém defraudar a seu irmão nessa questão sexual, sofrerá a disciplina do Pai.

Se alguém possuir a mulher do irmão ou se alguém aproveitar de uma irmã com palavras e lisonjas com o fim de seduzi-la, o Senhor será o vingador. Nunca trate o pecado de forma displicente, muito menos o pecado sexual. Pois quem comete pecado sexual peca contra o próprio corpo. 

  1. Culpa

A não ser que você não tenha nascido de novo, inevitavelmente sentirá culpa após a queda. O diabo está presente em todo o processo. Ele é o tentador e depois se torna o acusador. Mas se você não conseguiu dizer não em nenhum outro momento, então diga não agora. Muitos equivocadamente pensam que, quanto mais condenação sentirem, mais força terão para vencer o pecado da próxima vez, mas isso não é verdade. A condenação torna o pecado mais forte ainda.

Por que isso acontece? Para compreendermos isso, precisamos entender como a lei atua em nós fortalecendo o pecado. Paulo diz que a força do pecado é a lei.

O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. (1Co 15.56)

Quanto mais vivermos na lei, mais o pecado se manifestará em nossa carne. Mas como saber se estamos na lei? Pode parecer estranho, mas o Senhor Jesus disse que quem nos acusa é Moisés.

Não penseis que eu vos acusarei perante o Pai; quem vos acusa é Moisés, em quem tendes firmado a vossa confiança. (Jo 5.45)

Evidentemente, Moisés é apenas um símbolo da lei. Isso significa que quem nos acusa é a lei. Na verdade, o diabo é o acusador, mas agora ficamos sabendo que ele usa a lei para nos condenar. Quando aceitamos condenação, nós nos colocamos debaixo da lei e, quando estamos debaixo da lei, o pecado torna-se mais forte em nós. Esta é a lógica da Palavra de Deus.

Se a consequência da lei é sempre condenação, isso significa que o sentimento de condenação e acusação é que dá força ao pecado. Poderíamos dizer, em outras palavras, que a força do pecado é a condenação.

Sempre que você ler sobre a lei no Novo Testamento, você deve pensar em condenação. A lei traz o conhecimento do pecado, e com o conhecimento, a condenação. Ser liberto da lei é ser livre de toda condenação.

Em 2 Coríntios 3.9, Paulo chama a lei de ministério da condenação em oposição ao evangelho que é chamado de ministério da justiça. O ministério da condenação sempre produz morte, mas a justiça de Cristo traz vida.

Quando alguém realmente tem revelação de que não está mais debaixo de condenação, essa pessoa vence o pecado. Em João 8, o Senhor disse à mulher pega em adultério: “Nem eu tampouco te condeno, vai e não peques mais” (Jo 8.10-11).

A mulher só poderia cumprir a ordem de não pecar mais porque tinha recebido o dom da não condenação. Quem se sente debaixo de condenação está condenado a repetir o pecado sempre.

Estar debaixo da lei é o mesmo que estar debaixo de condenação. Paulo disse que o pecado não terá domínio sobre nós porque não estamos mais debaixo da lei, ou seja, debaixo de condenação (Rm 6.14). E se o pecado não tem domínio, então a pobreza não terá domínio, a doença, a maldição e o diabo não terão mais domínio sobre nós, porque estamos debaixo da graça.

A lei significa receber o favor com a condição de obedecermos ao mandamento. Como não obedecemos, o resultado da lei é sempre condenação. Mas hoje estamos debaixo do favor imerecido, da graça de Deus.

Há pessoas que pensam que, quando pregamos sobre a não condenação, estamos fazendo Deus tolerante para com o pecado. A verdade é exatamente o oposto disso.

O motivo pelo qual não há condenação é por que os nossos pecados foram todos condenados na cruz do Calvário. Mesmo aquele pecado mais sutil que ocorre em nossa mente, até aquele mais grotesco, todos foram todos colocados sobre o Senhor Jesus na cruz. Deus não ignorou nenhum deles.

Mas veja bem que a razão pela qual caímos no pecado é a confiança na carne, e se a condenação nos leva de volta ao pecado, isso mostra que o sentimento de condenação está também baseado na confiança na carne.

Acalentar o sentimento de condenação é dizer que o sacrifício de Cristo não teve valor ou é insuficiente para resolver a questão do pecado. Quando agimos assim, estamos deixando de desfrutar da graça e por isso saímos de debaixo do favor.

O que muitos não percebem é que o sentimento de condenação é também justiça própria disfarçada. É a carne tentando mostrar como está triste pelo pecado com o fim de ter algum mérito.

Aqueles que possuem justiça própria estão sempre olhando para si mesmos, pensando o quanto são bons e aprovados em suas obras, mas aqueles que aceitam condenação também são ocupados consigo mesmos, sempre se olhando com o alvo de encontrar alguma coisa boa em si.

Perguntas para compartilhar:

– Que entendimento você tem de justiça própria?
– O que tem sido tentação em sua vida?
– O que é a graça de Deus para você?

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