Quando o professor conhece e usa as ferramentas certas.

Quando falamos em ensinar crianças, a maioria das pessoas se exclui do traba­lho, pois não veem em si mesmas características para fazê-lo. Esta é a mesma sensa­ção da jovem solteira sem filhos: para ela, cuidar de uma criança parece algo além de sua capacidade. Mas, tão logo se torna mãe, ela descobre que a experiência é resultado de um contínuo envolvimento e aprendizado. Com os professores de crianças ocorre o mesmo: nem sempre podemos contar com professores experientes. Na verdade, o nosso desafio como igreja é torná-los experientes. Mas isso, por si só, não é suficiente: a experiência conta muito, mas ela precisa estar associada a um treinamento apropriado. É exatamente isso que estamos propondo fazer.

Identificar os elementos que impedem o exercício de um ensino eficiente é importante para trazer luz sobre os caminhos que devem ser trilhados rumo à ex­celência no que diz respeito à aplicabilidade dos métodos de ensino. Por isso, detemo-nos com tanta ênfase na resposta à questão da eficiência no ensino. Essa ques­tão é de suma importância para nós. Algumas pessoas afirmam que não estão aptas para o ensino, outras dizem não saber ensinar. Contudo, em sua maioria, as pessoas alegam a ausência de cinco ferramentas:

• Talento — não ter aptidão para trabalhar com crianças.

• Experiência — nunca ter ensinado para crianças.

• Técnica — não saber lidar com a idade.

• Disciplina — não saber controlar a disciplina na sala de aula.

• Material adequado — não ter ou não saber usá-los.

Vamos analisar cada um desses pressupostos buscando identificar se eles são decisivos para que o professor obtenha êxito na sua prática de ensino.

1- Talento
“Ah, eu não sei trabalhar com crianças!” Você já ouviu isso alguma vez? É claro que sim! Os pais são os primeiros a alegar isso, desconhecendo a contradição que a afirmação encerra, uma vez que são pais e, como pais, devem “trabalhar” com seus filhos, independentemente de saber ou não. O que é o talento? É a aptidão inata para realizar algo, no nosso caso, ensinar. Em outras palavras, podemos definir talento como a capacidade de tornar simples ver­dades profundas. Jesus sabia fazer isso muito bem. Ele ensinou princípios espirituais a todos os tipos de pessoas: religiosos, pais de famílias, mendigos, discípulos etc.

Algumas pessoas possuem, de fato, o talento para ensinar. Elas sabem lidar com as crianças e conseguem ensinar o que querem a elas. Mas essas pessoas estão dis­poníveis para o trabalho de ensino na igreja? Muitas vezes não. Então, o que fazer? Vejamos o segundo aspecto.

2- Experiência
Experiência é a bagagem que a pessoa adquire ao longo dos anos e do exercício de alguma função. Lembro-me bem do começo do nosso trabalho com crianças, eu estava sempre em busca desse tipo de pessoa. Quando encontrava alguém, era como se tivesse achado um tesouro. Eu logo pensava: “Agora vai dar certo!” Infe­lizmente, a decepção era apenas uma questão de tempo, pois, ainda que houvesse experiência, faltava perseverança. Sem dúvida, a experiência agrega muito valor à qualificação do professor que queremos ver atuando, mas não é um fator determinante para atingir o objetivo do nosso ensino: moldar a mente das crianças à palavra de Deus. E mesmo que fosse, o que fazer quando esse profissional não compõe a equipe? Fracassaríamos?

3- Técnica
Pensar que ensinar princípios bíblicos para crianças é algo que se aprende ape­nas na prática é um mito. A prática, por si só, não produz bons professores, mas, unida a outros fatores, pode gerar professores de qualidade. Um desses fatores é a técnica. A técnica de ensino pode ser aprendida. Aliada ao talento, ela produz efeitos que contribuem para alcançar resultados promissores: a técnica ajuda a desenvolver o talento, o inverso também é válido. Se um professor não possui muito talento, o aprendizado da técnica lhe possibilitará fazer um bom trabalho.

A técnica de ensino pode ser aprendida. Aliada ao talento, ela produz efeitos que contribuem para alcançar resultados promissores: a técnica ajuda a desenvolver o talento, o inverso também é válido. Se um professor não possui muito talento, o aprendizado da técnica lhe possibilitará fazer um bom trabalho. A técnica nos ensina o que se deve e o que não se deve fazer, o que funciona para uma idade e não funciona para outra, como aplicar os recursos disponíveis com eficiência, como explorar o assunto, transmitir a mensagem, usar sua voz, man­ter a disciplina etc. Tudo isso é técnica. Portanto, o aprendizado da técnica contribui para o crescimento do professor.

4- Disciplina
A falta de disciplina é um grande empecilho para o ensino. Controlar o compor­tamento de crianças e juvenis é um trabalho árduo. Conciliar o desempenho e as necessidades das crianças, ser alegre e ainda controlar a disciplina, é algo que exige um pouco de tudo daquilo que já tratamos: talento, experiência e técnica.

Nosso alvo não é falar sobre como estabelecer disciplina, isso será feito em outro material. Mas queremos deixar algumas dicas que podem ajudar. A primeira delas é estabelecer regras! Essas regras, além de ser iguais para todos, devem ser aplicáveis. O professor não pode dizer, que colocará uma criança de joelho em cima de duas pedrinhas até o fim da aula. Isso não pode acontecer de maneira alguma. Uma regra que funciona é entregar a criança indisciplinada aos pais ou respon­sáveis. A segunda coisa que pode ser feita é recompensar o bom comportamento. Melhor do que punir é estimular a disciplina.

5- Material adequado
Ao fazer isso, o professor poderá descobrir que não é exatamente a quantidade de recursos visuais que contribuem para o bom rendimento do ensino, mas a men­sagem que ele apresenta. Aqui podemos levantar uma questão: como saber qual é o material adequado? Nossa sugestão é que critérios sejam estabelecidos. Isso pode ser feito através da elaboração de algumas perguntas: esse material traduz a mensagem que devemos ensinar? Se não traduz completamente, ele ao menos contribui para a extração da mensagem, isto é, do princípio bíblico que será ensinado?

Ao fazer isso, o professor poderá descobrir que não é exatamente a quantidade de recursos visuais que contribuem para o bom rendimento do ensino, mas a men­sagem que ele apresenta.

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