Para quando não souber como orar

por Aluízio A. Silva, pastor presidente da Videira – Igreja em Células

Nós somos vasos de barro. Tudo o que Deus faz Ele o faz por meio de vasos frágeis de barro. Temos alguma beleza e glória, mas ainda somos vasos de barro. Gostaríamos de ser vasos de aço super-resistentes, mas, em vez disso, Deus resolveu manifestar a sua glória em vasos de barro. É como se a beleza do tesouro colocado dentro desses vasos ficasse ainda mais realçada pela fragilidade do barro.

Não gostamos de ser vasos de barro e até queremos ser o tesouro, mas o tesouro é Ele em nós. Enquanto estivermos aqui, sempre seremos vasos frágeis de barro.

Como vasos de barro, algumas vezes quando oramos temos de admitir que o nosso homem exterior ainda luta com dúvidas, mas mesmo assim insistimos em fé. Apesar das dúvidas, a oração flui e logo vemos a manifestação da resposta. É assim para que lembremos que o poder é sempre de Deus, e nós somos apenas frágeis vasos de barro.

Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos. (2Co 4.7-9)

Paulo diz que muitas vezes somos atribulados, mas não precisamos ficar angustiados, pois temos a paz de Deus em nosso coração. Algumas vezes, ficamos perplexos. Caso você não entenda o que é perplexidade, é só se lembrar dos 7 a 1. Você simplesmente não consegue entender como essas coisas acontecem. Contudo, mesmo quando perplexos, não desanimamos. Como vasos de barro, podemos ficar abatidos, mas a graça de Deus não deixa que sejamos destruídos.

Vasos quebrados liberam poder

Parece paradoxal, mas há poder dentro de frágeis vasos de barro para destruir todo poder do inimigo. Em Juízes 7, lemos a história de como Gideão venceu os midianitas com apenas trezentos homens. Eles deveriam tão somente tocar a trombeta e quebrar o vaso de barro que carregavam com uma tocha acesa dentro.

Todos nós somos como esse vaso de barro, e a luz de Cristo resplandece dentro dele. Quando esse vaso é quebrado, a glória do Senhor se manifesta. Mas quando o vaso é quebrado, a trombeta, o shofar precisa ser tocado. A trombeta é o chifre do carneiro que morreu. Quando tocamos o shofar, anunciamos a morte do carneiro, e dessa forma o inimigo é derrotado.

Então, repartiu os trezentos homens em três companhias e deu-lhes, a cada um nas suas mãos, trombetas e cântaros vazios, com tochas neles. 
Assim, tocaram as três companhias as trombetas e despedaçaram os cântaros; e seguravam na mão esquerda as tochas e na mão direita, as trombetas que tocavam; e exclamaram: Espada pelo SENHOR e por Gideão! E permaneceu cada um no seu lugar ao redor do arraial, que todo deitou a correr, e a gritar, e a fugir. (Jz 7.16 e 20-21)

O Senhor permite tribulações e perseguições apenas para que o vaso de barro seja quebrado e possamos proclamar a morte do carneiro pelo toque da trombeta. Se você tem enfrentado situações difíceis e há uma grande pressão sobre você, não tenha receio de ser um vaso de barro quebrado. O poder de Deus se manifesta em nosso quebrantamento.

O Senhor manda que os soldados toquem trombetas de chifres de carneiro. Essas trombetas são chamadas de shofar. O que elas representam? O carneiro aponta para Cristo. Para ter o chifre, o carneiro precisa ser morto. Assim, a trombeta de chifre de carneiro, quando tocada, anuncia a morte do Senhor.

Deus gosta de trabalhar com o fraco e com o insignificante. Gideão era o menor em sua casa, e sua família, a mais pobre de sua tribo (Jz 6.15). É por isso que o Senhor não deixou que ele pelejasse com vinte e dois mil homens, pois Israel poderia presumir que a vitória veio pelo seu grande exército. Em vez disso, o Senhor usou apenas trezentos homens.

Gemidos atraem a atenção de Deus

Como somos vasos de barro, nem sempre temos orações grandiosas para fazer. Há dias em que temos apenas um gemido em nosso coração. Mas não pense que tal gemido não tenha valor diante de Deus.

Decorridos muitos dias, morreu o rei do Egito; os filhos de Israel gemiam sob a servidão e por causa dela clamaram, e o seu clamor subiu a Deus. Ouvindo Deus o seu gemido, lembrou-se da sua aliança com Abraão, com Isaque e com Jacó. (Êx 2.23-24)

O que Deus ouviu no meio do povo de Israel? O gemido. Muitas vezes, o nosso clamor é apenas um gemido profundo. Ele não é uma oração perfeita ou bem articulada, mas apenas o clamor que flui da dor. Eu sei que existem gemidos inexprimíveis quando oramos em línguas, mas aqui é apenas um gemido de dor (Rm 8.26).

Deus ouviu o gemido e se lembrou da aliança. Será que o nosso gemido ainda hoje faz com que Deus se lembre da sua aliança? Sei que há gemidos de autopiedade e murmuração, e esses Deus não ouve, mas há gemidos genuínos de dor. Se gememos confiados na aliança, é certo que Deus ouvirá.

Eu sei que desejamos ser fortes, mas Deus quer que sejamos fracos para que o seu poder se manifeste em meio à nossa fraqueza. É por isso que somos vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós (2Co 4.7). Deus ama quando somos fracos porque aí a sua graça pode nos suprir completamente.

Ainda ouvi os gemidos dos filhos de Israel, os quais os egípcios escravizam, e me lembrei da minha aliança. (Êx 6.5)

Depois que Deus ouviu o gemido do povo de Israel, Ele liberou as sete promessas da redenção nos versos 6 a 8:

  • Eu vos tirarei de debaixo das cargas do Egito.
  • Eu vos livrarei da sua servidão.
  • Eu vos resgatarei com braço estendido e com grandes manifestações de julgamento.
  • Tomar-vos-ei por meu povo e serei vosso Deus.
  • Sabereis que eu sou o SENHOR, vosso Deus, que vos tiro de debaixo das cargas do Egito.
  • Eu vos levarei à terra a qual jurei dar a Abraão, a Isaque e a Jacó.
  • Eu vo-la darei como possessão. 

O nosso suspiro toca o céu

Há poder em um suspiro profundo de um coração sequioso diante de Deus. Mas lamentavelmente muitos se tornaram tão fortes que, no meio da dor, não derramam sequer uma lágrima. Deus não pode usar pessoas assim, elas perderam a essência humana de vasos de barro. Deus ama quando somos expressivos, mostrando o profundo anseio de nosso coração.

Depois, erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse: Efatá!, que quer dizer: Abre-te! (Mc 7.34)

Há momentos em que precisamos olhar para o céu e liberar um profundo suspiro. Não conheço ninguém que ora pelos enfermos dessa forma, mas o Senhor o fez. O amor sempre suspira porque o amor se importa com a dor.

Deus vê as nossas lágrimas
Quando a pressão crescer em você, as lágrimas jorrarão dos seus olhos. Deus vê as nossas lágrimas. Ezequias orou e também chorou. E Deus o respondeu, dizendo que tinha visto as suas lágrimas.

Volta e dize a Ezequias, príncipe do meu povo: Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; eis que eu te curarei; ao terceiro dia, subirás à Casa do SENHOR. (2Rs 20.5).

Aquilo que não pode mover o nosso coração também não pode mover o coração de Deus. As lágrimas são completamente inúteis se não são derramadas diante de Deus. No entanto, cada lágrima derramada diante de Deus será guardada por Ele.

Contaste os meus passos quando sofri perseguições; recolheste as minhas lágrimas no teu odre; não estão elas inscritas no teu livro? (Sl 56.8)

O Senhor colocará as suas lágrimas em um vaso, isso significa que Ele se lembrará de todos os seus sofrimentos. Não estou dizendo que Deus apenas nos ouve quando choramos, estou afirmando que as lágrimas são um sinal de poder em sua oração.

Embora as lágrimas algumas vezes fluam por causa de uma alegria genuína, usualmente elas são causadas por pressão além da medida. As lágrimas descarregam os fardos do coração (Jó 16.20).

Diante do homem, o choro é um sinal de fraqueza, mas diante de Deus, é a coisa mais apropriada a ser feita. Eu frequentemente digo que feliz é o homem que derrama suas lágrimas diante de Deus, pois quem nunca chorou diante de Deus não sabe o que é comunhão ou o que é estar perto de Deus, tampouco sabe como lançar o fardo sobre o Senhor.

Quando seu caminho na terra parecer completamente bloqueado, quando você for provocado de todas as formas, quando todos o acusarem de estar errado, e tudo ao redor parecer se levantar contra você, então esse é o tempo de você chorar diante de Deus, pois este é o caminho de escape, a maneira de resolver os problemas.

Jamais houve um crente fiel que nunca tenha derramado lágrimas.

Estou cansado de tanto gemer; todas as noites faço nadar o meu leito, de minhas lágrimas o alago. (Sl 6.6)

Davi chorou cada noite até poder “nadar no seu leito”. O que é realmente precioso para Deus não são as nossas lágrimas em público, com o objetivo de ser visto pelos homens, mas o nosso choro secreto, as lágrimas que nós derramamos diante d’Ele e somente Ele vê. Lágrimas diante de Deus são verdadeiras e preciosas.

Quando os filhos de Israel foram levados cativos e espalhados entre as nações, pessoas os ridicularizavam. Foi debaixo de tais circunstâncias que os filhos de Coré escreveram um salmo muito significativo.

Minhas lágrimas têm sido meu alimento dia e noite, enquanto continuamente me dizem: o teu Deus onde está? (Sl 42.3)

As lágrimas mostram o nível da pressão dentro de nós. Há um poder tremendo na oração liberada com pressão, e essas orações normalmente são banhadas de muitas lágrimas. Um desejo profundo é a primeira condição para a oração respondida e o caminho pelo qual o poder é liberado.

Clame com todo o seu ser
Hebreus diz que o Senhor Jesus foi ouvido por causa do forte clamor diante de Deus. A força desse clamor certamente foi proporcional à pressão que estava sobre Ele.

Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade. (Hb 5.7)

O tempo de fogo varia, mas não desista. Você verá que Deus irá com você até o fim da sua vida. Não adianta ensinar-lhe princípios de oração, porque não existe fórmula mágica de oração. Se você é alguém que tem derramado sua alma na oração, algo certamente vai acontecer. Não desista!

Perguntas para compartilhar:

– Qual tem sido o seu gemido diante de Deus?

– Você tem se permitido ser um vaso quebrado?

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