Os três julgamentos

1- O julgamento dos crentes no tribunal de Cristo.
O julgamento dos crentes não é para condenação, pois eles já possuem a vida eterna (Jo 3.18; Rm 8.1). O julgamento do tribunal de Cristo é uma questão de galardão ou disciplina (2 Co 5.10; Rm 14.10-12; Mt 25.14-30; 1 Co 3.10-15). Os crentes do Novo Testamento serão julgados no tribunal de Cristo, enquanto os ímpios serão julgados por Deus no julgamento do grande trono branco.

O julgamento dos crentes no tribunal de Cristo será antes do Milênio, por ocasião da vinda de Cristo, mas o julgamento do trono branco será depois do Milênio. O julgamento dos crentes não é para perdição, e sim para recompensa, mas o julgamento dos ímpios será para condenação.

Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo. (2 Co 5.10)
Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus. Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus. (Rm 14.10,12)
Porque de nada me argui a consciência; contudo, nem por isso me dou por justificado, pois quem me julga é o Senhor. Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não somente trará à plena luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá o seu louvor da parte de Deus. (1 Co 4.4-5)
Manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo. (1 Co 3.13-15)
Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras. (Mt 16.27)
E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras. (Ap 22.12)
Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo. (Hb 10.30-31)

Podemos ver claramente que, embora tenhamos sido salvos, ainda assim seremos julgados por Deus. Esse julgamento não tem relação alguma com o inferno, é um julgamento para galardão. Se existe a recompensa, logicamente é porque existe também a punição. Naturalmente, quando confessamos o nosso pecado, somos perdoados e não há mais registro daquele pecado diante de Deus. O problema é quando praticamos coisas dignas de reprovação ou mesmo quando violamos um mandamento, ainda que dos menores, e ainda ensinamos aos irmãos. Tal pessoa será disciplinada e será considerada mínima no reino.

Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus. (Mt 5.19. Esse julgamento dos crentes é representado na Parábola dos Talentos. No fim, o Senhor virá para acertar as contas com os servos. Aquele será o tribunal de Cristo. Observe que, naquela parábola, os servos não foram julgados pela fé que eles tiveram, foram julgados pela obra, ou seja, se eles negociaram com o talento.

O problema é que um dos servos enterrou o talento. O que ele fez não foi algo pecaminoso, como adulterar, roubar ou matar. Ele nem mesmo perdeu o talento que havia recebido, apenas o enterrou. Todavia, teve de prestar contas da sua infidelidade (Mt 25.14-30).
A Palavra de Deus nos mostra, em Lucas, não somente a possibilidade de perda da recompensa, mas, a possibilidade de disciplina.

Aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade será punido com muitos açoites. Aquele, porém, que não soube a vontade do seu senhor e fez coisas dignas de reprovação levará poucos açoites. Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão. (Lc 12.47-48). Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo (1 Co 5.15). Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam. (Jo 15.6).

Não permanecer no Senhor e ser lançado fora ou no fogo são experiências de disciplina diante de Deus. Se um crente cai em pecado e é falho em se arrepender e deixar o pecado, ele poderá ser disciplinado por Deus. Um pecado na vida de um ímpio é pecado, mas um pecado na vida de um crente é igualmente pecado.

Lucas 12.35 a 48 trata a respeito do tempo do julgamento dos crentes.
Cingido esteja o vosso corpo, e acesas, as vossas candeias. Aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade será punido com muitos açoites. Aquele, porém, que não soube a vontade do seu senhor e fez coisas dignas de reprovação levará poucos açoites. Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão. (Lc 12.35; 47-48).

Esta parábola mostra a importância de cingirmos o nosso corpo. Gálatas 3.27 nos mostra que estamos vestidos de Cristo para salvação pelo batismo. Por outro lado, Apocalipse 19.7,8 nos mostra que nós mesmos estamos tecendo a nossa veste nupcial por meio de nossos atos de justiça. Existe, portanto, uma roupa de salvação e outra veste nupcial. A veste para as bodas é a roupa da recompensa. Tal roupa é tecida pelos nossos atos de justiça. Depois de ouvir a parábola, Pedro ficou em dúvida se ela era para crentes ou não. O Senhor responde, no verso 42, que aquela exortação era para os mordomos, os servos. Para ser mordomo, é preciso ser crente. Para ser servo, é preciso ser nascido de novo.

Os crentes que souberam e não fizeram a vontade do Senhor receberão muitos açoites. Os crentes que não souberam e não fizeram a vontade de Deus receberão poucos açoites. Naturalmente, os açoites são apenas uma ilustração humana da disciplina que receberemos naquele dia se não fizermos a vontade do Senhor.

2- O julgamento das nações por ocasião da volta de Cristo.
O julgamento das nações será de acordo com a forma como cada nação tratará os judeus e os cristãos perseguidos pelo anticristo durante a grande tribulação (Mt 25.31-46; Ap 16.12-16; 19.11-21). O segundo julgamento está em Mateus 25, o julgamento das nações. Quando o Senhor Jesus voltar, as nações ainda continuarão existindo sobre a terra. Nem todas as pessoas morrerão durante a grande tribulação. Assim, aqueles que não morrerem serão julgados por Ele na sua vinda. Essas nações serão julgadas como base no que se lê em Mateus 25, do verso 31 em diante.

Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. (Mt 25.31-40)

 Quando o Senhor diz “tive fome e não me deste de comer, tive sede e não me deste de beber, estive nu e não me vestistes, estive preso e não foste visitar-me”, o texto mostra que alguns cumpriram isso, enquanto outros não, mas o mais impressionante é que aqueles que cumpriram, não sabiam que haviam feito algo para o Senhor e perguntaram: “Senhor, quando foi que nós te vimos nu e te vestimos, ou com fome e te demos de comer, ou preso e fomos visitar-te?” E o Senhor responde: “Quando fizeste a um dos meus pequeninos irmãos, a mim o fizeste.

O julgamento das nações não é baseado na fé. O Senhor não diz nada a respeito de crer no evangelho ou na mensagem da salvação. É um julgamento baseado em obras. E quais obras? Os que foram condenados o foram simplesmente porque não cuidaram dos pequeninos irmãos do Senhor. 

Quem são os pequeninos irmãos dos Senhor? 
Segundo a Bíblia, o Senhor tem três diferentes tipos de irmãos: 
-Os judeus, porque são da mesma raça (At 7.23-26; Rm 9.3). 
-Os próprios irmãos de Jesus na carne (Mt 12.46-48; 13;55). 
-E a igreja (Mt 12.48-50). 
Não me parece lógico que o texto se refira aos irmãos de Jesus na carne, os demais filhos de Maria, daí podemos concluir que os pequeninos irmãos de Jesus são os judeus e a igreja.

O julgamento das nações será de acordo com o modo como elas tratarão os judeus e a igreja durante a perseguição que o anticristo vai promover contra eles na grande tribulação.  Durante a grande tribulação, o anticristo estabelecerá uma marca, sem a qual não se poderá comprar e nem vender (Ap 13.16-17). Nessas circunstâncias, a vida dos crentes e dos judeus ficará muito difícil e é nesse momento que receberão ajuda de alguns que o Senhor chama de ovelhas (Mt 25.32). Todavia, eles o farão sem saber que, na verdade, estarão fazendo para o próprio Cristo.

3- O julgamento do grande trono branco
Este será o julgamento dos mortos, daqueles que morreram sem Cristo. Eles ressuscitarão e serão lançados vivos no lago de fogo e enxofre (Ap 20.11-15). Você percebe que Deus não mistura plateia. Cada julgamento é para um tipo de gente. O julgamento do tribunal de Cristo é somente para os servos. Esse julgamento vai acontecer logo que o Senhor voltar, quando todos os crentes ressuscitarão. O julgamento do grande trono branco, por sua vez, será depois do Milênio.
Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros.  Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras. Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo. (Ap 20.11-15)

Perguntas para compartilhar: 
1- Quais são os três julgamentos mencionados na Bíblia?
2- Por que o cristão também será julgado no dia do juízo final?

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