O trabalho e suas relações

O princípio geral que rege nosso trabalho é que todo ele, seja na igreja ou em qualquer outro lugar, deve ser feito para Deus

por Aluízio A. Silva, pastor presidente da Videira – Igreja em Células

  1. O trabalho é digno

Há uma ideia de que o trabalho é resultado do pecado, é uma maldição, e que o homem não fora criado originalmente para o trabalho. Isso é uma mentira maligna. A terra é que foi amaldiçoada, por isso nosso trabalho tornou-se penoso e desgastante.

  • O trabalho já existia antes do pecado, e Jesus disse que o Pai trabalha até agora (Jo 5.17).
  • Os que não trabalham são repreendidos pelo Senhor (Rm 12.11; 2Ts 3.11-12; Hb 6.12).
  • Há uma maldição para quem faz o trabalho relaxadamente (Jr 48.10).
  • Precisamos entender que todo trabalho é digno e dignificante (Pv 14.23).

  1. Feito para Deus

O princípio geral que rege nosso trabalho é que todo ele, seja na igreja ou em qualquer outro lugar, deve ser feito para Deus. Se vamos trabalhar e não fazemos como se fosse para o Senhor, estamos fora de sua bênção. Sem a bênção do Senhor, ninguém pode prosperar (Cl 3.22-25).

  1. O trabalhador é digno (Lc 10.7)

Muitos empregadores cristãos falham em pagar os direitos dos seus em­pregados e, agindo assim, estão atraindo a maldição de Deus para seu negócio (Tg 5.4). Existem pessoas que possuem empregadas que são quase escravas, pois não possuem direito algum. Tais pessoas não devem esperar a bênção do Senhor (Cl 3.25; 4.1).

  1. Com ética

Quando temos clareza de que estamos trabalhando para Deus, a honestidade e a ética serão um resultado natural em nosso trabalho.

  • Apresente-se vestido adequadamente. Sem exagero, mas bem vestido e com o cabelo bem cortado e penteado.
  • Tenha cuidado com a limpeza pessoal, pois os dentes, cabelos limpos e desodorante são tão importantes quanto a gentileza no trato.
  • Não tenha uma atitude subserviente para com ninguém. Nós somos filhos do Rei. Trate todos com equidade e dignidade.
  • Seja pontual. Chegue na hora e saia na hora.
  • Seja produtivo e trabalhe com qualidade e excelência.
  • Estabeleça e cumpra os padrões de honestidade.

  1. Com excelência

No decorrer dos anos, o segmento evangélico tem se habituado com a mediocridade e a incompetência. É comum ouvirmos coisas do tipo: “Perdoe­-nos, mas não tivemos tempo de ensaiar”. Acostumamo-nos com templos feios, cultos desorganizados e mem­bros relapsos. Essa situação certamente afeta também nossa vida profissional.

a. Deus é um Deus de excelência

As obras de Deus são admiráveis e excelentes, e nós fomos criados à sua imagem e semelhança. Fomos também feitos seus filhos, por isso precisamos refletir a sua excelência (Mt 5.48).

b. Deus recompensa a excelência

Vês a um homem perito na sua obra? Perante reis será posto; não entre a plebe (Pv 22.29).

Creio que a ordem de Paulo a Timóteo possa se aplicar também a nossa vida profissional. “Ninguém despreze a tua mocidade; pelo contrário, torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza. Até à minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino” (Tm 4.12-13).

Um trabalhador excelente sempre procurará ser padrão:

  • Na palavra. Quem sabe falar bem, é articulado e ponderado vai avançar mais rápido.
  • No procedimento ou trato. Sem aspereza, indiferença, brutali­dade e coisas afins.
  • No amor. Tenha tolerância com as diferenças, paciência com os mais lentos, humildade e generosidade.
  • Na fé ou no espírito. Aqui vemos a atitude. O vencedor é aquele que se vê como tal e age como tal. Ter atitude de fé é ser otimista, positivo e simpático.
  • Na pureza. Toda mistura é perigosa. Não procure ser eclético, tenha posicionamentos singulares.

  1. Participação em greves, sindicatos e partidos políticos

A Palavra de Deus diz que o trabalhador é digno do seu salário, mas quando a relação entre o trabalho e o respectivo salário fica injusta, o trabalhador tem o direito de reivindicar justiça.

O princípio da autoridade nunca deve ser quebrado pelo cristão. Deus é a fonte e a base de toda autoridade constituída, diz a Bíblia em Romanos 13. Entretanto, precisamos ter clareza de que, numa sociedade democrática, a autoridade não é propriamente uma pessoa, mas a lei. Nesse caso, a autoridade máxima é a Constituição.

Assim, de acordo com a Constituição, pessoas se sucederão no poder, seja ele em que nível for. Tais pessoas terão sua autoridade embasada e limitada por essa autoridade final e máxima chamada de Constituição.

Para nós cristãos, entretanto, a Bíblia é nossa autoridade final e máxima. Mesmo que a Constituição nos permita fazer algo, nós não faremos se tal coisa for repudiada pela Palavra de Deus. Assim recomendamos:

  • Se a Constituição permite a um cidadão se organizar em sindi­catos e partidos políticos, um cristão estará também autorizado a agir assim. Não reconhecemos nenhum partido político como sendo intrinsecamente de Deus, seja ele de esquerda ou direita, de oposição ou governista.
  • Cremos que um cristão pode participar de greves dentro da le­galidade, mas sem participar de atos de vandalismo e violência, como determina a Constituição.
  • Não constitui erro fazer reivindicações salariais ou de direito trabalhista de qualquer tipo.
  • Não constitui ofensa espiritual um cristão defender seus direitos civis e constitucionais.
  • O fato de termos direitos constitucionais de fazer greve não deve ser confundido com atitudes de desrespeito, seja em palavra ou em atos, para com a autoridade pública.

  1. A profissão apropriada

Toda profissão legalmente reconhecida é dignificante para o cidadão comum. Compreendemos, porém, ser inconveniente a um cristão exercer certas profissões, tais como:

  • Vendedor de bebidas alcoólicas e cigarro.
  • Vendedor de produtos religiosos de qualquer tipo (exceto pro­dutos evangélicos).
  • Qualquer profissão que exija um comportamento anticristão e antibíblico.
  • Locador de vídeos pornográficos.
  • Vendedor de revistas e material pornográfico.
  • Músico, cantor ou dançarino de boate e de outros lugares licenciosos.
  • Vendedor de produtos pirateados ou contrabandeados.

a. O porte de armas

Um cristão pode ser um policial e exercer todas as implicações de sua profissão segundo o que determina a Constituição, incluindo o porte de arma. Entretanto, é apropriado que um cristão não porte armas e nem tenha uma em sua casa. Parece-nos que isso é mais apropriado àqueles que seguem a Jesus, o qual jamais andou armado. Todavia, há situações de exceção, e nesses casos não constitui erro um cristão ter uma arma em casa para guardar a sua família. Tudo, porém, deve estar de acordo com as regras legais.

b. Associações secretas

Ainda que seja legalmente permitido, cremos que um membro da igreja não deveria se associar a nenhuma sociedade secreta, particularmente à maçonaria.  Não há problema para um cristão em sindicalizar-se, mas se uma profissão exige associação a alguma organização secreta, ainda que com fachada religiosa, essa profissão deveria ser rejeitada.

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