O tempo da oportunidade

Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou e dizia: Ah! Se conheceras por ti mesma, ainda hoje, o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto aos teus olhos. Pois sobre ti virão dias em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras e, por todos os lados, te apertarão o cerco; e te arrasarão e aos teus filhos dentro de ti; não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste a oportunidade da tua visitação. (Lc 19.41-44, grifo nosso)


A palavra “oportunidade” aqui é kairos e significa “tempo fixo e definido; tempos em que as coisas são conduzidas à crise, a esperada época decisiva; tempo oportuno, período limitado de tempo; um tempo que traz as coisas e os eventos para tal tempo”. Na vida de todos nós, existem os tempos kairos de Deus, tempos de oportunidade em que uma janela espiritual se abre para nos abençoar em alguma área da nossa vida para a prosperidade, para a salvação da nossa casa, para o casamento, etc. São momentos especiais que Deus está movendo a nosso favor. É fundamental perceber esses tempos e respondermos a eles. A despeito de tudo que temos vivido e batalhado neste último ano, acredite, tudo isso tem a ver com um tempo kairos para nós como igreja. O Senhor limpou a sua eira para cumprir a sua promessa de coisas maiores entre nós e de um novo mover entre os jovens.

Nós vivemos no Brasil um tempo de oportunidades, um tempo de visitação. São momentos de oportunidades, se não reconhecermos, perderemos a nossa vez. Nunca se viu um tempo como este no Brasil; nunca se viu corações tão abertos para Deus; nunca se viu nesta cidade e nesta nação um mover tal como o que está acontecendo entre as nossas crianças. Quando não reconhecemos a visitação de Deus, somos cercados de trincheiras. O vencedor é o que está reconhecendo e seguindo o mover de Deus.  O mover de Deus não é estático, ele caminha pelas gerações, pois o Espírito é como o vento, não sabemos de onde Ele vem e nem para onde Ele vai, mas podemos reconhecê-lo e participar do que Ele está fazendo. Quando olhamos para todo o mover do Espírito na história, chegamos à conclusão de que não podemos compreender plenamente as suas operações. Desejosos de não perdermos o tempo profético de Deus para nós como igreja e entre os jovens, precisamos nos posicionar e olhar para o agir do Espírito Santo na Bíblia a fim de participarmos do que Ele está fazendo e quer fazer entre nós. A Bíblia diz que o Espírito é como o vento, Ele nunca para de soprar, mas se não pudermos percebê-lo, tampouco poderemos entrar no seu mover. A questão é que normalmente temos padrões de pensamentos estabelecidos em nós a respeito de quase tudo na vida, inclusive a respeito de como o Espírito se move.

Deus mandou que Naamã mergulhasse sete vezes no rio Jordão para que fosse curado de lepra. Mandou esfregar o lodo nos olhos do cego para que tornasse a ver. Às vezes, o Espírito nos pedirá algo sem sentido para nos dar algo inexplicável apenas para ver até onde podemos ir com Ele no seu mover. A vida cristã é Cristo em nós se movendo e existindo, é um vento que segue. Se estivermos fora de tal mover, estamos fora do avivamento, somos os mais miseráveis. Mas como Ele está se movendo? Podemos entrar nesse mover? É mover genuíno? Moisés se recusou a se mover fora do mover de Deus, e nós também jamais deveríamos nos mover fora do mover do Senhor (Êx 33.15). O que devemos saber sobre o vento do Espírito segundo a Bíblia para não errarmos em seguir o que Ele vai fazer entre nós?

1. O VENTO SOPRA ONDE QUER – o Espírito é livre para agir
O vento é real, embora não o podemos ver, podemos senti-lo e ver os seus feitos. Ele sopra onde quer – isso significa que Ele frequentemente sopra onde nós não queremos, sopra contra a nossa vontade, onde não sopraríamos, do jeito que não sopraríamos. Ele faz como lhe apraz, e não dá satisfação, você aceita e submete-se ou você rejeita e perde o vento. O vento é soberano, o Espírito é Deus. Ele é plenamente livre, sem condicionamento, sem fronteiras, sem decretos, sem proibições e sem pode ou não pode. É óbvio que Ele age dentro da sua santidade e da sua palavra, que é Ele mesmo. E, dentro desse contexto, podemos afirmar que ao Vento “é proibido proibir”. A primeira condição para buscarmos e recebermos o novo mover do Espírito entre nós é nos desarmarmos dos nossos padrões preestabelecidos a respeito do Espírito e do seu agir. Cuidado ao dizer: “Ele não agiria assim”, ou: “Ele só faz assim”. Jesus é a “pedra angular”, mas também é “a pedra de tropeço”. E muitos estão tropeçando hoje n’Ele por causa dos seus preconceitos. O seu agir em toda a Bíblia é livre e pode ser que hoje Ele queira soprar nos jovens. Se você não se abrir, você perde o mover. Desarme-se e seja surpreendido com o que Deus vai fazer entre nós.

a. Ele sopra como quer (At 8.1,2)
A igreja havia se fechado em seus guetos. O Espírito Santo não convoca um congresso para decidir a evangelização do mundo. É algo estranho pregar por perseguição, mas é de Deus e faz bem. Provavelmente, jamais escolheríamos tal método, mas Ele escolheu soprar assim naquela época. Ele é o vento, Ele é livre, por isso não podemos desconsiderar a possibilidade de que Ele decida trazer um grande mover através das crianças ou dos jovens.

b. Ele transforma perseguidores em grandes promotores da fé (At 9.1,15)
Ele transforma Saulos em Paulos. Nenhuma agência missionária proporia que Saulos fossem feitos Paulos, que a Globo fosse usada para pregar o evangelho, que o Naor pudesse ser pastor, que você pudesse ser um avivalista.   O Espírito é livre, e por isso vê em um Saulo alvoroçado um grande homem de Deus; em um Jacó, um Israel; em um Davi por traz das malhadas, um rei de Israel; vê em você o que você mesmo e nem ninguém pode ver. Nesses dias, Ele soprará sobre muitos improváveis e levantará cada crente entre nós em um ministro poderoso do evangelho da graça. Porque Ele é livre, Ele frequentemente sopra onde a igreja “não” dá permissão para Ele soprar. A igreja “proibiu”, mas o Espírito agiu na “ilegalidade”. Os religiosos podem dizer: “Deus não pode usar esses jovens ou essas crianças, não pode usar esse homem, olha o passado dele”, mas Ele pode muito bem querer usar os improváveis nesses dias.

c. Ele age na “ilegalidade” – Deus é um Deus “ilegal”
Se Ele dependesse de nossa legalidade, estaríamos perdidos. Muitas vezes, o povo diz não, mas Deus diz sim. Se hoje Ele está dizendo sim para se mover pelos jovens e nós dissermos não, Ele seguirá adiante com outros e nós ficaremos. Tentamos limitar Deus de agir de tal e tal forma, mas Ele age de “todas” as formas. O Espírito trama, conspira subversivamente em relação ao nosso ponto de vista. Ele deixa nossas certezas esbordoadas, perturbadas. Ele frequentemente demole nossas muletas, nossos conceitos são lançados por terra, nossa teologia é colocada em cheque.

Alguém alguma vez já decidiu investir em crianças para um grande mover de Deus? Quem inventou isso? E se não der certo? Não é perigoso? É possível fazer com 100% de certeza? O dinheiro vai dar? Deus não tem compromisso com nossos conceitos e preconceitos, muito menos com nossa incredulidade, medos ou preguiça. Ele tem compromisso com a vontade do Pai. Certamente, seremos testados em nossos conceitos – que seja Ele uma pedra angular de avivamento em nosso meio, e não uma pedra de tropeço a nos derrubar em nossos preconceitos. Andar no Espírito é andar em profunda “insegurança”, mantendo os ouvidos abertos, os olhos atentos e o espírito livre. Ele diz a um pagão chamado Cornélio que as suas orações foram ouvidas. “As suas esmolas subiram ao céu” – o que diriam os teólogos? Ele resolve entrar na terra como uma criança e pode decidir que seu último mover seja também a partir delas, ou dos jovens, o que vamos dizer?

d. Ele sopra contra o legalismo (At 10.9-15)
Ele encontra um Pedro que não come animais imundos, que resiste ir à casa de um pagão. Pedro vai cheio de pedigree: “Sou judeu, não como com ateu”. Entra na casa de Cornélio, no meio da pregação, o Espírito que é livre, interrompe a pregação e se derrama com línguas e profecias. O Espírito Santo não precisa chegar a todas as conclusões homiléticas de uma pregação para amarrar todos os pontos dentro do seu coração.

2. O ESPÍRITO É MISTERIOSO – “O Espírito sopra aonde quer. Ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem e nem para onde vai”
Ele obedece a suas próprias leis. Ele age com resultados inteligíveis (1Rs 19.11,12). Às vezes, vem como brisa; às vezes, é um vendaval. Dizem: “O avivamento virá dos velhos”, e Ele vem dos jovens. Pensam que certamente Ele virá de uma igreja extremamente bíblica, e, de repente, resolve vir da pentecostal. Ninguém sabe de onde vem. Quem pensa que sabe ainda não aprendeu como convém saber. Como não sabemos, devemos estar abertos a todas as possibilidades. A unção não é hereditária. Deus pode ungir quem nós menos esperamos e não ungir quem esperamos.

a. A unção não é ensinada
Nenhum profeta dos que escreveram a Bíblia vieram das escolas dos profetas. Eliseu estava no campo. Amós estava na fazenda pegando boi no laço. Ozéias estava na padaria. Jeremias e Ezequiel estavam no meio do povo. Precisamos ter temor para não sermos obstáculos. O Vento não pode ser domado nem controlado por ninguém. Não se dita caminhos a Ele, nem modos de agir.

3. OUVE-SE A SUA VOZ
Felipe ouviu a voz do Espírito em Samaria e foi para o deserto quando estava no meio de um forte mover. Avivamento é fruto de ouvir a voz do vento. Se hoje Ele fala, não endureça o seu coração. Ele está dizendo que quer fazer coisas maiores, está dizendo que há um novo mover entre os jovens, está dizendo que 300 mil crianças serão alcançadas, não fique de fora disso.

4. O FLUIR DO ESPÍRITO É SEMPRE PROGRESSIVO (Gn 2.10-14; Ez 47.1-3; Jo 7.37,38; Ap 22.1,17)
Se você entrar no que Deus quer fazer em sua geração, você terá o fluir do Espírito. Se você se apegar ao seu passado e exigir que Deus faça o que você considera importante e desejável, você jamais obterá o fluir do Espírito. Ser um Wesley, Finney, Moody estava ótimo, mas sê-los hoje é insuficiente. Deus está sempre avançando, e cada instrumento preenche a sua função para a igreja. Não podemos falhar em discernir o fluir do Espírito na igreja hoje, cada época baseia-se em um fluir – de Gênesis a Apocalipse, todo o curso da Bíblia é progressivo. Época após época, Deus traz progressivamente revelações. Mesmo depois de Atos 28, o Espírito jamais parou, o livro de atos não tem fim.

Em todas as gerações, Deus tem levantado pessoas e progredido. Onde estiver o selo do Espírito, aí estará o caminho de Deus. Ao longo das épocas, os que têm sido usados por Deus são como pedras na correnteza para Ele passar e avançar. Se Ele não puder assegurar um caminho através de nós, Ele escolherá outra pedra para seguir. O selo de Deus está em algum lugar hoje, mas onde estará daqui a dois anos? Não sabemos. Cada dia Ele passa por cima de muitos e os deixa ao lado. Precisamos estar no caminho do Espírito. Os grandes homens de Deus foram pedras que já não podem mais ser. O Espírito quer avançar com outros – Ele é um rio, Ele é um vento.

Somente aqueles que se acharem livres no caminho desse rio, desse vento, poderão ser levados por Ele até Deus e terão a experiência da vida do rio. Os que querem canalizar o rio e o vento não poderão provar dessa vida. A igreja se move porque o Espírito já se moveu. Quando Ele se mover, diremos: “Amém!” O Vento está indo diante de nós e nós o estamos seguindo. Coloque hoje a sua vida diante d’Ele, lance fora todo conceito preestabelecido, abra-se para que Ele faça na sua vida e em nosso meio como Ele quiser e chame pelo vento na sua vida nesses dias. Estes são dias de viver o mover atual de Deus entre nós, mergulhar na experiência da revelação do amor de Deus, da justiça de Cristo, do favor imerecido, dias de crer por coisas maiores na sua vida e entre nós, dias de uma nova onda entre os jovens. Levante-se e venha com o coração aberto ser surpreendido para o que Deus irá fazer entre nós nesses dias.

Perguntas para compartilhar:
1. Como identificar o tempo de Deus para o meu chamado?
2. Qual a importância de estar atento ao mover de Deus e por que não devo resistir-lhe?

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