O processo do perdão

por Aluízio A. Silva, pastor da Videira em Goiânia

O perdão não depende de emoção. Ficar esperando que o Senhor gere em nós uma emoção boa em relação a quem nos ofendeu para só depois perdoar é perda de tempo. O perdão também não depende da mente. Pensar que é possível perdoar somente se entendermos as causas que levaram alguém a nos ofender não funciona. Há coisas que simplesmente são frutos da maldade.

E há coisas que não há o que compreender. O perdão não depende também de sentir vontade. A nossa vontade sempre vai pender para a vingança. O perdão é contra a vida da alma. É um exercício de fé. Perdoar é escolher algo que vai contra a nossa natureza terrena e seguir a vontade de Deus no espírito. Mas o que você pode fazer para conseguir perdoar?

O primeiro passo para o perdão é reconhecer a dívida. O problema de muitos é não admitir a mágoa. Mas o fato de não a admitir não significa que ela não exista. Ela pode existir e estar infeccionando nossa vida. Existem sintomas que demonstram mágoa guardada no coração:

  • Bloqueio e indiferença.
  • Perda da espontaneidade.
  • Silêncio.
  • Palavras duras e ríspidas.
  • Distanciamento ou isolamento.

O segundo passo é reconhecer que a amargura é pecado e que não temos o direito de desejar a vingança. Não somos justos para exigir justiça para outros e não para nós. E, uma vez que reconhecemos que há pecado, devemos nos arrepender. O terceiro passo é tomar a decisão de perdoar.

O perdão é uma decisão, e não um sentimento. Resolva perdoar e os sentimentos virão. Abandone todo sentimento de justiça própria. O passo seguinte é ignorar as emoções. Peça a Deus que lhe mostre como Ele vê o agressor e resolva nunca mais se lembrar da ofensa e nem a mencionar a outros. Rejeite o espírito de justiça e vingança. E, por fim, abençoe. O maior sinal de um coração livre da mágoa é a liberação de palavras boas a respeito do outro. Abençoar é falar bem e desejar o melhor para o outro.

O pastor e sua esposa estavam planejando dar uma festa no jardim de sua casa. Eles convidaram cada membro da congregação com um convite pessoal. O jardim já estava decorado, as mesas, ornamentadas, e margaridas floridas davam encanto ao lugar. Aquele seria o evento do ano. Na noite anterior à festa, o pastor descobriu (para seu horror) que Dona Mirtes, uma matriarca da igreja, havia sido esquecida por um erro. O pastor imediatamente ligou para ela. “Eu sinto muito, foi um erro terrível, me perdoe! Será que você aceita o convite para vir?” Diante disso, dona Mirtes replicou: “Agora é tarde demais, pastor, eu já orei para chover!”

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