O Discipulado do líder em treinamento

Todo líder de célula precisa compreender que ele é também um discipulador. Em nossa igreja, chamamos de discipuladores aqueles que são chamados de supervisores ou superintendentes em outros modelos celulares. Precisamos tomar cuidado para que a terminologia não atrapalhe a visão. Não queremos que o discipulador seja um mero cargo em nossa estrutura celular. É muito importante que cada líder de célula entenda que ele também é um discipulador. Ele precisa ter líderes em treinamento que sejam seus discípulos. O alvo do seu discipulado é levar cada um desses líderes em treinamento a se tornar um líder de célula como ele.

Ensine-o a sonhar
John Maxwell diz que, antes de ensinarmos alguém a construir navios, precisamos levá-lo a sonhar com o mar. E esta é uma grande verdade espiritual. Antes de entrarem na batalha, Jônatas disse a seu escudeiro: “O SENHOR nos ajudará nisto, porque para o SENHOR nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos” (1Sm 14.6). Sonhos são desejos profundos do nosso coração. Você só pode compartilhar algo que existe primeiro em seu próprio coração. Nós ensinamos nossos discípulos a sonhar desafiando-osa sonhar junto conosco, a compartilhar da mesma chama que queima o nosso coração.

Todo líder precisa sonhar em ser um instrumento útil nas mãos de Deus para curar, salvar e transformar muitas vidas. Precisa sonhar em ser uma arma perigosa nas mãos de Deus contra o inimigo. Antes do trabalho, precisa haver o desejo no coração de ser útil ao Senhor. Antes de liderar uma célula, é preciso ser conquistado por uma visão espiritual de como a obra de Deus poderia ser.

Ensine-o que tudo é feito na força do Senhor
Uma das primeiras lições que nossos discípulos precisam aprender é a dependência de Deus. O verdadeiro líder de célula é aquele que possui um senso profundo de incapacidade. Eu sei que parece bem contraditório, mas é justamente essa atitude que nos qualifica a sermos usados por Deus. Homens cheios de autossuficiência e presunçosos, que se acham capazes de fazer a obra de Deus, deverão ser quebrados antes que possam ser úteis. Na vida espiritual, somente é obra de Deus aquela que procede de dependência d’Ele. Para o Senhor, tão importante quanto o que fazemos é a origem da força que usamos para fazer. Se fizermos a obra confiados em nossa própria força, o resultado será rejeitado por Deus.

Ensine-o a ouvir o Espírito Santo
Nos dias do Novo Testamento, não precisamos ficar colocando sinais diante de Deus, pois o seu Espírito, que habita em nós, nos guia em toda batalha. Todavia, ainda precisamos aprender a perceber a voz do Espírito e tomar sobre nós o encargo de ensinar nossos discípulos a ouvir a direção de Deus. Esta é uma lição fundamental para a vida cristã e também a para a liderança bíblica. Como líderes, não fazemos simplesmente o que é correto, mas aquilo que compreendemos ser a vontade de Deus. E só conhecemos a sua vontade conhecendo a sua palavra e discernindo o seu Espírito.

Dê a ele liberdade de escolha
Precisamos ter a mesma atitude de Jônatas, que deu liberdade a seu escudeiro para retroceder caso quisesse (v. 7). Não há mérito algum em forçar alguém a liderar na casa de Deus, mas alguns líderes usam ameaças e pressões para levantar líderes em treinamento. Evidentemente, nós queremos que as ovelhas se tornem discípulos. Sabemos, porém, que isso não acontecerá apenas porque as obrigamos. Discípulos são gerados em oração e jejum. Sempre haverá alguém relutante em tomar a cruz, todavia nunca devemos desprezar as ovelhas que nos foram confiadas, pois teremos de prestar contas diante de Deus por cada uma delas.

O líder de célula deve sempre levar em conta os níveis ou estágios de maturidade dos membros da célula. O Senhor Jesus trabalhava por níveis: as multidões, os 500, os 120, os 70, os 12 e, entre estes, Pedro, João e Tiago. Cada nível corresponde a uma intensidade de acompanhamento e compromisso, e quem não distingue os níveis na célula certamente se frustrará.

Fonte: O Lugar do líder – Pr. Aluízio Silva

Tags