O coração do pastor

Líderes que possuem um coração de pastor não viverão para benefício próprio nem para satisfazerem seus próprios interesses.

Todos aqueles que lideram na igreja são constituídos como verdadeiros pastores do rebanho do Senhor. Porém, não basta apenas ter o título, mas exercer sua liderança com um coração de pastor. No capítulo 10 de João, podemos encontrar as características desse pastor que agrada a Deus. Veremos a seguir quais são elas.

O PASTOR DÁ A VIDA PELAS OVELHAS

Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. (Jo 10.11)

A palavra “vida”, nesse texto, significa psiquê e tem como tradução no grego a “vida da alma”, “o lugar dos sentimentos e desejos”. Dar a vida da alma é abrir mão da sua própria von­tade e dos seus prazeres para o outro receber. Aqui, João des­creve uma característica marcante do pastor, que é a de dar a vida pelas ovelhas, que também é presente na vida de Jesus ao demonstrar o seu amor por nós, dando a sua vida para nos salvar.

O mercenário não é pastor, pois é alguém que vive para si e para seus próprios interesses, sem se preocupar com o rebanho do Senhor. A atitude do pastor é exatamente oposta à do mercenário. Ele não mede esforços em entregar a sua vida pelo rebanho.

Líderes que possuem um coração de pastor não viverão para benefício próprio nem para satisfazerem seus próprios in­teresses. Eles abrirão mão da “vida da alma”, do conforto e do prazer por amor às ovelhas. Eles não se importam em “perder” para o outro ganhar. São capazes de abrir mão de um dia de descanso ou de um feriado para investir tempo com a célula, com o discipulado, em uma conferência ou mesmo para aten­der a uma convocação do pastor da igreja.

São capazes de pegar dois ou três ônibus para chegarem à reu­nião de célula ou ao discipulado. Sempre estão dispostos a servir sem reclamar e a fazer muito mais do que lhes for pedido. São discipuladores que visitam as células e fazem reuniões de discipulado constantemente, abrindo mão do que for preciso para que a obra de Deus avance.

São pessoas que pagam um preço em oração e em jejum por suas células, estabelecendo alvos e desafiando o crescimen­to de cada membro.

O PASTOR CONHECE AS OVELHAS

Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim. (Jo 10.14)

Uma característica marcante de um pastor de verdade é o quanto ele conhece as ovelhas. Jesus disse que era o bom pas­tor e conhecia as ovelhas e elas o conheciam. Isso nos fala de um relacionamento que devemos ter com as ovelhas que o Senhor nos deu para cuidarmos.

Conhecer as crianças é conhecer suas necessidades, seus so­frimentos e suas dificuldades. É perceber quando não estão bem e procurar sempre saber por que deixaram de ir à célula. É muito comum ver o sofrimento das crianças devido a uma crise conjugal ou mesmo por separação dos pais. Talvez algu­mas estejam enfrentando problemas na família, como drogas e alcoolismo, ou até por sentirem-se sozinhas devido à ausência dos pais.

Em nossos encontros, podemos ouvir as crianças falarem dos traumas e das feridas causadas em seu coração por moti­vos terríveis e também podemos ver o quanto sofrem por abu­so sexual ou espancamentos. Veja, tudo isso atinge as crianças diretamente, e o pior é que há muitos pais que não estão nem aí, não se importam com elas, não dão atenção e muito menos demonstram amor pela vida delas. Quando chegam à cé­lula e encontram um líder que as ama, que se interessa e ora por elas, o que acontece? Elas encontram um porto seguro, se apegam ao líder e se tornam seus discípulos.

Mas o texto de João 14.10 diz que, além do pastor conhecer as ovelhas, elas também o conhecem. Suas ovelhas conhecem você? Você que é pastor ou pastora de uma igreja local, é você quem ministra para as crianças nos cultos ou você delega essa função a alguém? Se você é daqueles pastores que nunca ministra para as crianças e sempre escala alguém para fazer isso no seu lugar, você nunca será conhecido por elas. Terá apenas o rótulo de pastor, mas não será um pastor de verdade, pois a Bíblia diz claramente que a ovelha ouve a voz do pastor.

Precisamos tomar muito cuidado em não transferir para ou­tros uma função que é somente nossa. Como pastores, preci­samos falar ao nosso rebanho, liberando a vida e a palavra de Deus ao seu coração. Essa função é do pastor.

Se quisermos marcar a vida das crianças, precisamos nos aproximar delas para sermos canais de Deus na vida delas. Ja­mais poderemos fazer isso estando distantes, sem conhecê-las e sem que elas nos conheçam.

O PASTOR CONDUZ AS OVELHAS

Aquele, porém, que entra pela porta, esse é o pastor das ovelhas. As ovelhas ouvem a sua voz, ele chama pelo nome as suas próprias ove­lhas e as conduz para fora. (Jo 10.2-3)

As crianças são dependentes e precisam que alguém as con­duza ao propósito de Deus para a sua vida. Como pastores desse rebanho, precisamos conduzi-las à uma experiência ge­nuína com Deus. Não podemos, semana após semana, lide­rar a célula, fazer uma reunião animada, sem conduzi-las ao Senhor. Esta é uma pergunta que faço às nossas líderes: “As crianças da sua célula já tiveram um encontro com Deus? Elas já nasceram de novo? Apresentam fruto de arrependimento? Confessam pecados na célula?” Como pastores, precisamos conduzi-las, em primeiro lugar, a um encontro pessoal com Deus. A Bíblia diz que o nosso coração é a fonte. Por isso, em primeiro lugar, elas devem receber Jesus em seu coração, caso contrário, nada que fizermos alcançará resultado em sua vida.

Como líderes, precisamos conduzir as crianças por um ca­minho espiritual, onde elas se encontrarão com Deus, serão consolidadas e se tornarão verdadeiros discípulos de Jesus por toda a sua vida. Na Videira, chamamos esse trilho de “o cami­nho do vencedor”. Para isso, é necessário ter disposição para levá-las ao encontro com Deus, ao Curso das Águas, ao batis­mo, ao Curso de Maturidade no Espírito e, posteriormente, ao CTL. A partir daí, elas se tornarão líderes em treinamento e, posteriormente, líderes de célula.

Cada uma dessas etapas é extremamente importante no processo de conduzir as crianças ao propósito de Deus para elas, lembrando que ele se encerra aos 12 anos de idade na rede de crianças e juvenis, quando são enviadas para a rede de adolescentes. Cremos que assim elas serão apascentadas, consolidadas e firmadas na igreja. Serão plantadas junto ao ribeiro de águas e darão frutos para o Senhor.

Fonte: Liderança frutífera – Pra. Marília Pedroza

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