O confronto de duas alianças

por Aluízio A. Silva, pastor presidente da Videira – Igreja em Células

A lei foi dada por meio de Moisés, mas mil e quinhentos anos depois, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. Hoje, a presente verdade é a Nova Aliança.

Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para uma segunda. E, de fato, repreendendo-os, diz: Eis aí vêm dias, diz o Senhor, e firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá, não segundo a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os conduzir até fora da terra do Egito; pois eles não continuaram na minha aliança, e eu não atentei para eles, diz o Senhor. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: na sua mente imprimirei as minhas leis, também sobre o seu coração as inscreverei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. E não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior. Pois, para com as suas iniqüidades, usarei de misericórdia e dos seus pecados jamais me lembrarei. (Hb 8.7-12)

O próprio Deus diz que a Velha Aliança tinha defeito. Deus achou defeito num sistema perfeito porque o seu povo é imperfeito. Agora Deus faz uma nova aliança e Ele mesmo diz que cumprirá todas as cláusulas dessa aliança, e não há menção de condições impostas ao seu povo.

Em primeiro lugar, Ele diz que vai escrever suas leis em nosso coração. Hoje, nós temos em nosso coração o desejo de fazer a sua vontade.

A segunda cláusula da Nova Aliança é: “Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo”. Esta é uma afirmação poderosa, pois se estivermos doentes, Ele será o nosso Deus e nós teremos cura. Se estivermos necessitados, Ele será o nosso Deus e nós teremos plena provisão.

A terceira cláusula é que “todos conhecerão o Senhor, desde o menor deles até ao maior”, diz o Senhor. O conhecimento de Deus hoje é intuitivo dentro de nós. Nós podemos ter comunhão com Ele em nosso espírito.

Por fim, na última cláusula da Nova Aliança, o Senhor diz: “[…] para com as suas iniqüidades, usarei de misericórdia e dos seus pecados jamais me lembrarei”. Esta é a cláusula que torna possível todas as outras. Debaixo da lei, o Senhor disse que visitaria a iniquidade dos pais nos filhos até terceira e quarta geração, mas agora Ele não se lembra mais de nossos pecados. Enquanto Deus se lembra, Ele julga, mas agora não há mais lembrança de nenhum dos nossos pecados. Isso significa que não há mais condenação sobre nós e nem sobre os nossos filhos e netos.

Infelizmente, muitos crentes ainda vivem debaixo de condenação, acreditando que o seu pecado está sempre diante de Deus. Por causa disso, vivem na expectativa do juízo, e não na expectativa da bênção.

1. A Velha Aliança é uma promissória de dívida, mas a Nova Aliança traz paz

Infelizmente, é possível viver nos dias do Novo Testamento mas ainda se relacionar com Deus nas bases da Velha Aliança, o que produz um terrível problema espiritual.

Em 2 Coríntios 3.6-18, Paulo faz um paralelo entre as duas alianças, mostrando pelo menos quatro grandes diferenças. A primeira é que a Velha Aliança é uma nota promissória de dívida, mas a Nova Aliança traz paz.

O qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica. (2Co 3.6)

A palavra “letra” usada aqui em 2 Coríntios 3.6 poderia ser traduzida como a lei do Velho Testamento. Na verdade, a palavra “letra” ainda hoje é usada como sinônimo de “nota promissória, carta de fiança, declaração escrita de débito ou dívida”.

Nesse sentido, então, pregar a letra é pregar a dívida que as pessoas possuíam com Deus de acordo com a lei. Isso significa que nós hoje não pregamos mais a lei do Velho Testamento. Não estou dizendo que não podemos pregar o Velho Testamento, pois eu mesmo sou professor de Velho Testamento. Mas somente podemos pregá-lo se for para apontar para Cristo.

A letra de dívida não pode gerar fé em ninguém, apenas condenação e medo. Mas a verdade da graça é completamente diferente. É preciso luz do Espírito para que a pessoa entenda como aquele que não merece pode ainda assim ser abençoado. É preciso de revelação para entender que a nossa relação com Deus não é baseada mais em nosso mérito. Sem a luz do Espírito, o evangelho é loucura, mas a lei é vista como algo sensato pelos religiosos.

Como ministros da Nova Aliança, precisamos ser cuidadosos para não pregarmos para que as pessoas se sintam culpadas, mas perdoadas. Se formos ministros da letra, vamos pregar a condenação. Aquele que é ministro da letra não tem uma palavra de esperança, mas apenas de medo.

2. A Velha Aliança resulta em morte, mas a Nova Aliança é ministério do Espírito (2Co 3.7-8)

Paulo diz que o ministério da morte foi gravado com letras em pedras. Todos nós sabemos que somente a lei foi gravada em pedras. Assim, a lei é o ministério da condenação. O ministro que prega a letra sempre vai condenar as pessoas, mas aquele que tem o ministério do Espírito sempre ministrará fé no coração das pessoas.

Segundo a lei, tudo depende do homem e da sua obediência. Segundo a graça, tudo depende de Jesus e do que Ele realizou na cruz.

A lei exige justiça, mas a graça concede justiça. A lei diz: “Faça!”, mas a graça diz: “Eu faço por você!”

Pregar a Velha Aliança produz morte. Paulo diz que a Velha Aliança é o ministério da morte. A principal causa de morte nas igrejas é a pregação da lei. A principal causa de um ambiente pesado na célula é porque os irmãos ainda pregam a lei. Quando pregamos a lei, o ambiente fica pesado por causa da condenação, do medo e da vergonha.

Quando pregamos condenação, sempre mostrando o quanto as pessoas são falhas, nós enchemos a reunião de morte. Mas, se ministramos a graça, o Espírito pode agir livremente.

O conceito comum é que a reunião fica pesada por causa do pecado das pessoas, mas a verdade é que, se pregamos a graça, as pessoas em pecado logo experimentarão o perdão de Deus. Condenar o pecador não libera vida, mas perdoá-lo, sim.

3. A Velha Aliança traz condenação, mas a Nova Aliança ministra a justiça (2Co 3.9)

Tudo sobre a lei tem a ver com você olhando para si mesmo. Mas tudo sobre a graça tem a ver com você vendo a Jesus. Este é o grande teste para você saber se tem vivido na lei ou na Nova Aliença.

Uma maneira simples de avaliarmos que tipo de ministro somos é observando se a nossa pregação leva as pessoas para si mesmas ou para Cristo. Se as estimulamos a serem introspectivas e olharem para a própria performance, então pregamos a lei.

4. A Velha Aliança é um véu, mas na Nova Aliança nós somos transformados (2Co 3.14-16)

A lei é um véu. Enquanto andamos pela Velha Aliança da lei, nossos olhos espirituais ficam vendados, mas quando nos voltamos para a graça do Senhor, então recebemos revelação. Se queremos revelação, precisamos remover o véu da lei.

O nome Ló significa “véu” em hebraico. Isso indica que Ló é um símbolo do crente que ainda vive na lei. É por isso que, depois que se separou de Ló, o Senhor disse a Abraão: “Levanta os olhos para o norte, para o sul, o leste e o oeste” (Gn 13.14). Quando o véu foi removido, Abraão estava pronto para ver.

Embora sejam justificados pela fé, muitos crentes ainda vivem segundo o princípio da lei. Por causa disso, ainda permanece um véu sobre eles, como está escrito em 2 Coríntios 3.14.

Paulo diz que somos transformados apenas por contemplar a glória de Deus. E como contemplamos a glória? Certamente, cada vez que pregamos a Nova Aliança, estamos pintando um quadro do Senhor Jesus diante dos irmãos. Se eles conseguem contemplar o quadro que pintamos, então são transformados.

Mas se em vez de pintarmos um quadro vívido de Cristo, nós pregamos a lei, então não há transformação na vida dos irmãos. Eles sairão cheios de culpa e condenação, mas não haverá nenhuma mudança de vida.

Somos habituados a pensar que a transformação é fruto do nosso esforço e empenho, mas Paulo diz que somos transformados apenas por contemplar o Senhor (2Co 3.18).

Contemplar é algo que não exige esforço humano. Eu preciso apenas me disciplinar para não ser distraído por outras coisas enquanto estou contemplando. Na Nova Aliança, nós mostramos o Senhor em nossa pregação, e quando as pessoas o contemplam, elas são transformadas.

SOB A VELHA ALIANÇA DA LEI

1. Deus exigia justiça do homem.

2. Deus visitará os seus pecados até a terceira e quarta gerações (Êx 20.5).

3. Os filhos de Israel só eram abençoados se obedecessem perfeitamente aos mandamentos de Deus, interna e externamente (Dt 28.13-14).

4. Os filhos de Israel eram amaldiçoados se não obedecessem perfeitamente aos mandamentos de Deus (Dt 28.15,16,18 e 20).

5. Depender de esforço próprio produz um comportamento sem transformação do coração.

6. O sacrifício de sangue dos animais cobriam os pecados dos filhos de Israel durante apenas um ano; o processo tinha de ser repetido a cada ano (Hb 10.3).

7. A obediência à lei não tinha o poder de eliminar o pecado da vida deles. A lei não tem poder para tornar alguém santo, justo e bom.

8. Os filhos de Israel eram desviados de sua confiança na bondade de Deus porque sempre olhavam para si mesmos, para ver o quão bem ou mal se saíam (estavam sempre conscientes de si mesmos).

9. Os filhos de Israel não podiam entrar no santo dos santos (onde estava a presença de Deus). Somente o sumo sacerdote podia fazê-lo, somente uma vez ao ano, no dia da Expiação (Lv 16.2,14).

10. Os filhos de Israel estavam sob o ministério da morte.

SOB A NOVA ALIANÇA DA GRAÇA

1.Deus transmite justiça ao homem através da obra consumada de Jesus (Rm 4.5-7).

2. Deus jamais se lembrará dos seus pecados (Hb 8.12, 10,17).

3.Os crentes não precisam depender do próprio esforço para receber as bênçãos de Deus, porque Jesus cumpriu todas as exigências da lei em seu lugar (Cl 2.14).

4. Os crentes podem desfrutar das bênçãos e do favor imerecido de Deus porque, na cruz, Cristo se tornou maldição por eles (Gl 3.13).

5. Ao contemplar o Senhor, somos transformados na sua imagem de glória em glória (2Co 3.18).

6. O sangue de Jesus removeu os pecados – passados, presentes e futuros – dos crentes, completa e perfeitamente, de uma vez por todas (Hb 10. 11, 12).

7. O pecado não tem domínio sobre os crentes (Rm 6.14), pois o poder de Jesus para vencer a tentação se manifesta quando eles sabem que são justos em Cristo, independentemente de suas obras (Rm 4.6).

8. Os crentes possuem uma tremenda confiança e segurança em Cristo porque agora olham para Jesus, e não para si mesmos (estão conscientes de Cristo).

9. Os crentes podem entrar na santa presença de Deus, como também podem chegar com ousadia ao seu trono de graça para encontrar misericórdia e graça em suas necessidades, devido à perfeita expiação de Jesus (Hb 4.16).

10. Os crentes estão sob o ministério da vida abundante de Jesus (2Co 3.6, Jo 10.10).

Perguntas para compartilhar:

– Como você tem se relacionado com Deus, na Velha ou na Nova Aliança?
– Com qual expectativa você tem vivido?
– Qual tem sido o véu que o tem impedido de andar na Nova Aliança?

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