Não retarda o Senhor a sua vinda

por Luiz Rigonato – pastor da Igreja Videira em Goiânia

A indignação de Jesus contra os líderes religiosos em Israel se baseava no fato de que eram capazes de olhar para o céu e saber a previsão do clima e das chuvas, mas não sabiam perceber o maior mover da história: a presença de Jesus entre eles como o Messias (Mt 16.1-4). Jesus disse que o único sinal que iriam receber seria o sinal de Jonas. Os ninivitas, ao verem Jonas sendo vomitado pelo grande peixe, creram na mensagem do profeta, mas os líderes de Israel não creram na ressurreição de Jesus. O sinal de Jonas é a profecia de sua ressurreição (Mt 12.40). Somos capazes de avaliar a economia, o mercado, o melhor negócio, o melhor curso universitário e perceber o que é naturalmente melhor para nós, mas somos cegos para os sinais espirituais ao nosso derredor. Se somos realmente povo de Deus, não podemos também ser cegos para os sinais claros que apontam para o arrebatamento da igreja.

                                                    

  1. A profecia das setenta semanas (Dn 9.24-27)

Qual é, pois, a maneira de discernir as profecias que apontam para a vinda de Cristo? Para onde podemos olhar para saber que este é o tempo do fim? Você pode pensar em muitas maneiras para chegar a essa conclusão, mas a profecia das setenta semanas no livro de Daniel é a mais clara referência e o melhor eixo profético para a interpretação das outras profecias do tempo do fim.

Quando Daniel recebeu a profecia das setenta semanas do anjo Gabriel, o período do exílio babilônico estava perto do fim. Lendo e estudando o livro do profeta Jeremias, ele lembrou-se de que os judeus iriam ficar escravizados na Babilônia por setenta anos (Dn 9.2). Nada estava acontecendo para que eles pudessem ser livres daquela escravidão. Havia a promessa de um grande mover, todavia ninguém estava mobilizado na direção do que Deus havia prometido. E Daniel quis saber também como seria o futuro da sua nação (Dn 9.3-19).

A profecia das setenta semanas foi proferida pelo anjo Gabriel a Daniel no capítulo 9.24-27. Vamos entender a profecia discernindo o cumprimento de cada parte que foi explicada pelo anjo em detalhes.

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade” (Dn 9.24) 

O povo é Israel e a cidade é Jerusalém. As semanas são de anos, e não de dias. Não resta dúvida, portanto, de que são semanas de anos. Elas equivalem a 490 anos. Sendo a profecia para Israel, os anos aqui são anos lunares de 360 dias. Os meses do ano lunar são todos de 30 dias. Claramente podemos ver uma contagem decrescente de 490 anos distribuídos em semanas de anos, os quais estão determinados “desde a saída para edificar Jerusalém” até o início do reino milenar de Cristo, “para trazer a justiça eterna”.

 

a. A explicação da profecia – primeira parte: sete semanas (Dn 9.25)

A profecia é dividida em três partes de sete anos. A primeira parte é de sete semanas (49 anos). A segunda parte é de sessenta e duas semanas (434). E a terceira etapa é de uma semana (7 anos). Total: 70 semanas, 490 anos. Lembre-se de que Daniel estava na Babilônia quando o anjo lhe apareceu e lhe disse: “A partir do dia em que sair a ordem permitindo a reedificação de Jerusalém, 483 anos estão determinados, ou seja, 7 semanas e 62 semanas”. Esta ordem está em Neemias 2.1-6, quando o rei Artaxerxes permitiu a Neemias voltar a Jerusalém e restaurar os muros. Isso aconteceu no dia 1º de março de 445 a.C.

 

b. A explicação da profecia – segunda parte: sessenta e duas semanas (Dn 9.26)

O ungido descrito em Daniel 9.26 se refere a Cristo. Então, desde o dia em que o templo foi restaurado até a morte do ungido, passaram-se 62 semanas. Isso tudo se cumpriu literalmente. Jesus, portanto, tinha um dia exato para morrer. O verso 26 ainda diz que, depois da morte do ungido, a cidade e o templo seriam destruídos por um príncipe que haveria de vir. Isso se cumpriu no ano 70 da nossa era, quando o general Tito destruiu Jerusalém e o templo. Depois disso, o templo não foi reedificado novamente. Temos, então, 7 semanas e mais 62 semanas, o que totaliza 69, mas de acordo com a profecia, 70 semanas estão determinadas, ou seja, está faltando uma. A terceira parte das setenta semanas ainda não se cumpriu e será composta da última semana que está faltando e será o nosso último tópico deste esboço.

 

  1. Israel: de ruínas para uma nação forte

Israel é um sinal profético fantástico. Jesus disse que deveríamos olhar para a figueira. Veja os milagres: a raça judaica milagrosamente foi preservada após quase 2 mil anos espalhada por todas as nações da terra. Um grande milagre sobre Israel é o idioma hebraico ressurgido e praticado como originalmente nos manuscritos originais de Isaías encontrados nas cavernas do mar morto. Não existe nenhuma nação que fala uma língua com mais de 2 mil anos. O latim, que era o idioma do Império Romano, não é falado há mais de mil anos.

 

a. A rejeição de Cristo e o juízo da dispersão (Lc 21.24)

A profecia de Lucas 21.24 proferida pelo Senhor Jesus se cumpriu no ano 70 d.C. Mais conhecida como diáspora, a nação de Israel foi destruída quando as legiões do exército romano, lideradas pelo general Tito, invadiram Jerusalém e destruíram o Templo, e os judeus foram desterrados por todas as nações da terra. Por quase 2 mil anos, os judeus viveram espalhados por todo o mundo. Há cem anos, a Palestina era dominada pelo Império Turco Otomano. Os turcos foram derrotados na Primeira Guerra Mundial e perderam o império. Países como Arábia Saudita, Líbano e Síria ficaram independentes. Por último, a região de Canaã estava sob o domínio da Inglaterra. De maneira sobrenatural, Deus abriu portas na estrutura geopolítica da região e, por fim, em 1948, a ONU aprovou por votação a criação da nação de Israel.

 

b. De olho na figueira (Mt 24.32)

A figueira passou por um longo inverno, do ano 70 até 1948, quando então a nação de Israel foi restaurada. O inverno significa o tempo da seca, a época da tribulação. A primavera aponta para o arrebatamento (Ct 2.10-14). O verão significa o reino restaurado que começará com a vinda de Cristo (Lc 21.29-31). O Senhor disse que o Templo seria destruído e a nação de Israel seria espalhada por todas as nações. Em 14 de maio de 1948, Israel foi reconhecido oficialmente e restaurado como nação. Mas, em 1967, Jerusalém foi reconquistada e feita novamente a capital do povo judeu. Mas somente no dia 6 de dezembro de 2017 o governo dos EUA reconheceu oficialmente que Jerusalém é a capital indivisível do povo de Israel.

Observe a história: a partir do início do século XX, judeus começaram a voltar para a Palestina mesmo com risco de vida. Então, depois de Segunda Guerra Mundial, foi dada ao governo britânico autoridade sobre a Palestina, e, em 1948, Israel se tornou uma nação novamente através de uma decisão das Nações Unidas. Este é o sinal mais claro da segunda vinda de Cristo. Em Mateus 24.32,33, Jesus disse que deveríamos ficar atentos à figueira. Ele disse que, quando víssemos a figueira florescendo, poderíamos ter certeza de que estaria próximo, às portas (Jr 30.3).

 

 c. Israel: uma nação de primeiro mundo

Eles estão de volta e estarão lá até que venha o fim. A Bíblia está cheia de profecias sobre o fim dos tempos que envolvem Israel. A sobrevivência do povo judeu é um milagre. Existiram muitas nações no Velho Testamento que foram julgadas e simplesmente desapareceram. Mas você não tem qualquer dificuldade em encontrar um israelita. Isso certamente é sobrenatural. Mesmo a preservação de sua língua é um milagre. Durante séculos, o hebraico era uma língua morta, que não era falada em nenhum lugar do mundo. Todos os dias no mundo inteiro, Israel é notícia nos principais jornais. Ele é apenas uma pequena nação do tamanho do estado de Sergipe, o menor estado do Brasil, mas a atenção do mundo todo é dirigida para essa pequena nação por uma razão importante: Israel vai protagonizar um papel fundamental na volta de Jesus. Este é primeiro um sinal dos tempos que não podemos ignorar (Jr 32.37).

 

  1. A intensificação da perversidade

A perversidade nos dias antes do dilúvio precipitou a necessidade do juízo sobre toda a raça humana, exceto sobre oito pessoas que foram salvas. Também o aumento e agravamento da perversidade de Sodoma, Gomorra e cidades vizinhas trouxe terrível juízo sobre seus habitantes (Gn 18.20). Quanto ao que já estamos vivendo, como o agravamento do pecado, o Senhor Jesus foi muito claro quando disse que, nos últimos dias, a iniquidade se multiplicaria.

“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos” (Mt 24.12)

Creio que não é surpresa para ninguém o aumento da pornografia, adultério, prostituição, desonestidade, corrupção, drogas e violência. Mas o pecado tomou uma nova dimensão. Hoje, os valores estão completamente invertidos, o mal passou ser o bem, e o bem, mal. Há uma profunda inversão nos valores cristãos e da família. Certamente este é um grande sinal do tempo do fim. Qualquer um que diz que o homossexualismo é pecado é rapidamente classificado como um homofóbico intolerante sem amor.

Na maioria dos países ditos avançados, a lei protege quem mata a criança no ventre da mãe, e usuários de drogas que antes viviam escondidos em seus becos hoje marcham pelas ruas reivindicando seus direitos. É certo que as drogas serão legalizadas. Esta é a verdadeira multiplicação da iniquidade, o pecado tornou-se virtude em nossos dias. Mas assim como aconteceu com os amorreus dos dias de Israel, a medida da iniquidade já está cheia e o fim está muito próximo.

O relativismo moral, conforme está escrito em 2 Timóteo 3.1-5, acontece hoje na Inglaterra, onde não se pode relacionar o Natal a Cristo e falar para uma criança que não existe papai Noel, pois você pode ser preso. A legalização das drogas, a promiscuidade, as perversões sexuais, pornografia e toda sorte de permissividade tornaram-se legalmente “brinquedo adulto”. A orgia do casamento múltiplo hetero e homossexual, o aborto, a legalização da pedofilia … Jesus advertiu severamente (Mt 9.43). Deus seria injusto de permitir que a promiscuidade dos dias atuais superasse a de Sodoma e Gomorra sem fazer nada a respeito? Não! Sempre haverá um limite para a deterioração dos padrões morais da sociedade. Deus sempre agiu para que o país seja habitável.

 

  1. A explicação da última semana de Daniel (Dn 9.27)

Esta última semana está separada das demais e ainda não se cumpriu. A profecia das setenta semanas diz respeito ao povo de Israel, e como a igreja era um mistério que ainda não era revelado ao mundo, ela não é mencionada nessa profecia. Como os judeus rejeitaram o Messias, eles foram rejeitados, mas Paulo profetiza que no fim o Senhor voltará para salvar o remanescente de Israel (Rm 9.27). Esta será justamente a última semana de anos.

a. Início da septuagésima semana de Daniel

Quando se inicia a última semana? Quando se iniciam os últimos sete anos do mundo sob o governo do homem, até que Jesus venha governar com justiça eterna? O sinal evidente do início da septuagésima semana, é que o anticristo fará uma aliança com muitas nações e com Israel.

“Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana” (Dn 9.27)

Esse “ele” a que se refere o texto é o príncipe que há de vir, o anticristo. O anticristo fará uma aliança com Israel por uma semana, ou sete anos. Quando ele fizer essa aliança, começa a contagem regressiva dos últimos sete anos. Dessa forma, a última semana de Daniel começa no dia em que o anticristo fizer aliança com Israel. Jesus disse que, quando virmos o abominável da desolação, então saberemos que esse é o começo de uma grande tribulação, a qual nunca houve e nem jamais haverá sobre a terra (Mt 24.15,21).

 

b. Início da grande tribulação

No meio da semana, ele quebrará a aliança e colocará a abominação da desolação no templo. O templo não existe hoje, mas certamente será reconstruído. Observe algo muito poderoso a respeito da vinda do Senhor Jesus. O anjo Gabriel, quando proferiu a profecia, disse que “setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade”. Com a morte do Messias na semana 69, travou a engrenagem do cumprimento profético das semanas. Por que isso aconteceu?

Em primeiro lugar, para que a igreja fosse edificada e a obra de Cristo se completasse, “fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos Santos” (Dn 9.24). Em segundo lugar, a última semana não aconteceu porque “o povo e a santa cidade” deixaram de existir por quase 2 mil anos. Lembre-se de que a profecia foi determinada para o povo de Israel e para a cidade de Jerusalém. Então, pasme, Israel e Jerusalém foram restaurados e já estão prontos para a semana que está determinada. A qualquer momento, iniciará o cumprimento da última semana de Daniel. De setenta semanas, apenas uma não se cumpriu. O pano de fundo para o fim do quebra-cabeça profético está pronto. A qualquer momento, o Senhor virá e não tardará (Hb 10.37).

 

Perguntas para compartilhar:

O que acontecerá na última semana de sete anos?

Qual é o sinal claro da segunda vinda de Cristo?

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