Expressões da justiça própria

por Aluízio A. Silva, pastor presidente da Videira – Igreja em Células

A condição para ter o favor de Deus é reconhecer que não somos merecedores. Para reconhecer isso, é preciso ter luz sobre a justiça própria. Quando acreditamos possuir algum mérito, estamos vivendo na lei. Rejeitar a justiça própria e reconhecer que não merecemos coisa alguma é a condição para desfrutarmos da graça. Quando acreditamos que temos algum mérito, nós caímos para a lei.

O problema de viver segundo a lei é que a lei sempre traz maldição.

Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las. E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé. (Gl 3.10-11)

Ninguém, porém, jamais cumpriu a lei. Em Tiago 2.10, diz que qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, torna-se culpado de todos. A lei é como um colar de pérolas, se arrebentamos o colar numa certa pérola, todas as outras se perdem.

A justiça própria é o centro do ego, e o ego está no centro de todo pecado. Quando tento me apresentar diante de Deus com algum mérito próprio, estou declarando que não preciso da justiça de Cristo. Isso é desprezar a obra de Cristo, e Deus não pode abençoar aquele que despreza Cristo.

Não quero estimular introspecção, pois isso também é um tipo de justiça própria. Ficar nos olhando o tempo todo é uma forma de tentarmos ser perfeitos ou encontrar algum mérito em nós. E quem procura supõe que possui algum.

Apesar de não estimular a introspecção, precisamos aprender a perceber a justiça própria e a rejeitá-la sempre que ela se manifestar. Ninguém pode dizer que não possui nenhuma justiça própria. Todos nós temos alguma demanda com Deus.

Assim, a melhor forma de vencermos a justiça própria é confessarmos continuamente que nós somos justiça de Deus em Cristo (2Co 5.21)

Aquele que anda pela justiça própria deseja ser recompensado por Deus de acordo com as suas obras e obediência. Mas pela sua justiça própria, ele nunca será abençoado, pois Deus resiste ao soberbo, mas dá graça ao humilde (1Pe 5.5).

A única forma de recebermos a justiça é recebendo o dom. A justiça é um dom que recebemos, e não algo que fazemos.

Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo. (Rm 5.17) 

Nunca pense que a sua justiça é resultado da sua obediência aos mandamentos, confesse sempre que a sua justiça é Cristo. Se Cristo foi feito pecado na cruz, você agora foi feito justiça de Deus n’Ele.

Isso não significa que somos livres para pecar. Na verdade, nós somos livres do pecado. Mas ninguém pode ter sucesso em alguma coisa se não tiver liberdade para errar. A verdadeira liberdade inclui a liberdade de errar e continuar sendo aceito. Não há como acertar se não há liberdade para errar.

A verdade é que aquele que nasceu de novo deseja vencer o pecado e fazer a vontade de Deus. O centro do evangelho é a justificação pela fé. Mas hoje os pregadores encorajam as pessoas a buscar tornar-se justas pelas obras de obediência. Quando fazem isso, caem na justiça própria e anulam o poder do evangelho.

Que diremos, pois? Que os gentios, que não buscavam a justificação, vieram a alcançá-la, todavia, a que decorre da fé; e Israel, que buscava a lei de justiça, não chegou a atingir essa lei. Por quê? Porque não decorreu da fé, e sim como que das obras. Tropeçaram na pedra de tropeço, como está escrito: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, e aquele que nela crê não será confundido (Rm 9.30-33)

Todas as promessas de Deus foram feitas ao justo. Somente o justo é abençoado. Mas nunca pense que o justo é aquele que supostamente obedece aos mandamentos; o justo é aquele que crê e recebe o dom da justiça em Cristo.

Aprenda a perceber a justiça própria

Deixe-me mostrar algumas expressões da justiça própria. Todos os pecados procedem da justiça própria. Quando entendemos o mecanismo como a justiça própria se manifesta, podemos vigiar para rejeitar sempre que o sentimento de merecimento vier à nossa mente.

Orgulho e soberba – O centro da soberba é o pensamento: “Fui eu que fiz com a minha força e habilidade, por isso mereço a recompensa e a glória”.

Exigência e cobrança – “Como eu tenho sido bom, exijo que os outros sejam sempre perfeitos comigo.”

Reclamação e murmuração – “Eu sou bom. Não mereço passar por isso. Eu mereço coisa melhor.”

Ingratidão – “Não recebi o que mereço. O outro tinha obrigação de fazer ou dar isso para mim.”

Não aceitar exortação – “Todos são errados, portanto ninguém tem autoridade para me confrontar.”

Rebeldia – “Ninguém está qualificado para me liderar. Eu sou bom, e somente alguém muito melhor do que eu pode ter autoridade sobre mim.”

Medo – “Deus somente ama os que são bons, portanto eu preciso me tornar bom para ser aceito por Ele. Assim, estou sempre com medo de não ser bom o suficiente e sofrer o juízo de Deus.”

Condenação – Aqueles que se acham justos estão constantemente procurando o culpado em todas as situações e evidentemente nunca são eles mesmos.

Amargura e ressentimento – “Como tenho feito tudo corretamente, exijo que seja feita a justiça sobre quem erra comigo.”

Autopiedade – “Como alguém tão bom quanto eu pode sofrer?” Conseguimos questionar até Deus, mas não questionamos a nós mesmos.

Autocondenação – “Quando eu mesmo me condeno, mostro o quanto sou piedoso e correto.”

Inveja – “Como ele pode ter e eu não? Ele não é melhor do que eu. Isso é injustiça.”

Ficar desapontado consigo mesmo – “Nunca pensei que seria capaz disso. Como alguém tão bom quanto eu pode fazer algo assim?”

Legalismo – “Sou intolerante com a falha do outro porque eu mesmo penso que não falho.”

Idealismo – Todo idealismo é um tipo de legalismo. Vivemos o tempo todo mostrando o quanto a igreja está fora do padrão de Deus, o quanto as pessoas estão distantes do padrão do cristianismo.

Todos nós temos uma raiz de justiça própria que precisamos rejeitar constantemente. O meu objetivo é que você seja capaz de percebê-la no seu dia a dia.Dessa forma, não desista de confessar que você é justiça de Deus em Cristo. Faça as boas obras porque você já é justo em Cristo, e não para se tornar justo ou confiado em sua justiça própria. Faça as boas obras porque é amado, e não para conquistar o amor de Deus.

Qualquer coisa feita fora do fundamento da justiça pela fé é obra morta diante de Deus. Não importa se você orou, jejuou, deu dinheiro aos pobres, visitou os enfermos, cuidou dos órfãos, sacrificou-se a ponto de se tornar um missionário. Essas coisas todas são maravilhosas, mas se foram feitas fora do fundamento da justiça pela fé, são apenas obras mortas.

Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas (Mt 6.31-33)

Quando vivemos de acordo com a justiça do reino de Deus, somos agradáveis a Deus (Rm 14.17,18). E se Ele se agrada de nós, podemos esperar toda sorte de bênção.

Todas as promessas de Deus são para os justos. Nós não podemos ser justos de acordo com a lei, mas hoje somos justificados pela fé em Cristo. Fomos feitos justos porque a justiça de Cristo nos foi transferida pela graça.

Promessas aos justos

Você pode se apropriar das promessas feitas aos justos. No livro de Provérbios, temos muitas delas. Lembre-se de que hoje você é justo porque recebeu a justiça de Cristo. Você é justiça de Deus em Cristo.

A maldição do SENHOR habita na casa do perverso, porém a morada dos justos ele abençoa. (Pv 3.33) 

Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. (Pv 4.18) 

O SENHOR não deixa ter fome o justo, mas rechaça a avidez dos perversos. (Pv 10.3)

Sobre a cabeça do justo há bênçãos, mas na boca dos perversos mora a violência. (Pv 10.6)

A memória do justo é abençoada, mas o nome dos perversos cai em podridão. (Pv 10.7)

A boca do justo é manancial de vida, mas na boca dos perversos mora a violência. (Pv 10.11)

Aquilo que teme o perverso, isso lhe sobrevém, mas o anelo dos justos Deus o cumpre. (Pv 10.24)

A obra do justo conduz à vida, e o rendimento do perverso, ao pecado. (Pv 10.16) 

Como passa a tempestade, assim desaparece o perverso, mas o justo tem perpétuo fundamento. (Pv 10.25)

O justo jamais será abalado, mas os perversos não habitarão a terra. (Pv 10.30)

O justo é libertado da angústia, e o perverso a recebe em seu lugar. (Pv 11.8)

O mau, é evidente, não ficará sem castigo, mas a geração dos justos é livre. (Pv 11.21)

Quem confia nas suas riquezas cairá, mas os justos reverdecerão como a folhagem. (Pv 11.28)

O fruto do justo é árvore de vida, e o que ganha almas é sábio. (Pv 11.30)

Pela transgressão dos lábios o mau se enlaça, mas o justo sairá da angústia. (Pv 12.13)

O homem de bem deixa herança aos filhos de seus filhos, mas a riqueza do pecador é depositada para o justo. (Pv 13.22) 

Na casa do justo há grande tesouro, mas na renda dos perversos há perturbação. (Pv 15.6)

O SENHOR está longe dos perversos, mas atende à oração dos justos. (Pv 15.29) 

Porque sete vezes cairá o justo e se levantará; mas os perversos são derribados pela calamidade. (Pv 24.16) 

Você talvez pense que essas promessas são para aqueles que se consideram justos pelas obras da lei. Mas Eclesiastes diz que não há justos segundo a lei. Somente aqueles que foram lavados pelo sangue do Cordeiro podem desfrutar da bênção do justo.

Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque. (Ec 7.20)  

Perguntas para compartilhar:
– O que o tem impedido de vencer a justiça própria de sua vida?
– Como tem sido suas atitudes na execução das boas obras?

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