Entrevista com Pr. Aluízio A. Silva

por Joyce Silva

Aluízio Antônio Silva (52), casado com Márcia Ribeiro Silva, possui duas filhas, Maria Clara e Ana Cláudia. Converteu-se a Cristo aos 12 anos de idade e foi ordenado ao ministério da Palavra aos 23 (1988). No ano de 1997, iniciou um núcleo familiar que posteriormente se tornaria uma congregação e, em 1999, a Videira – Igreja em Células. O trabalho iniciado na cidade de Goiânia (GO), em pouco tempo, disseminou-se para diversas regiões do Brasil e do mundo por meio da VINHA – Videira e Ministério Associados. O alvo ministerial do pastor é, como Igreja Videira, chegar a 1.000 igrejas nacionais até 2020. Aluízio Silva, hoje com 29 anos de ministério, influencia uma geração através de suas ministrações e de seus 59 livros publicados.

 

 

Joyce Silva: Como o senhor define a loucura do evangelho?

Pr. Aluízio A. Silva: É a completa inversão do ensino religioso comum. Em vez de Deus exigir justiça do pecador, Ele concede justiça. Em vez de pregar um Deus irado, compartilhamos as boas novas de um Deus feliz. Por que Deus está feliz? Porque Ele está satisfeito com a obra do seu Filho Jesus Cristo na cruz do Calvário. Ele é feliz quando assumimos que somos pecadores e nos achegamos unicamente confiados na obra de Cristo.

Quando o Senhor estava na terra, muitas pessoas vieram a Ele. Alguns vieram para ouvi-lo como mestre. Eles o viam como superstar e talvez quisessem saber o seu segredo para fazer tantas curas e atrair tantas multidões. Se fosse hoje, muitos viriam para pedir autógrafos ou tirar uma selfie ao seu lado. Eles o viam como mestre, mas não como salvador. Se você está se afogando no mar e vê alguém na praia, você espera que ele seja o seu salvador, o salva-vidas. Mas talvez ele lhe diga: “Você já leu meu livro Como aprender a nadar em dez lições?” Isso obviamente não faz nenhum sentido. O Senhor não é resposta para aqueles que o buscam como um mestre ou como modelo. Evidentemente, Cristo é o maior mestre e o mais perfeito modelo, mas vê-lo assim não o salvará.

Para todos aqueles que vieram a Ele como mestre, o Senhor deu ensinos que eles jamais seriam capazes de cumprir; entretanto, para aqueles pecadores que vieram não para aprender, mas para ser salvos, Ele revelou o seu amor e profunda compaixão. Se você diz que não tem pecado, o Senhor não pode fazer coisa alguma na sua vida, pois Ele é o salvador dos pecadores. Somente pecadores são recebidos pelo salvador. Se você diz que é completamente pecador, Ele lhe responderá que é completamente salvador, mas se você diz que é apenas parcialmente pecador, Ele será apenas parcialmente salvador. Tudo depende de como você se apresenta.

O que faz Deus feliz é quando os pecadores vêm a Ele. Quando Ele pode perdoar os pecados pela obra da cruz, pelo sangue Jesus, então Ele é feliz. Quando nos julgamos justos e merecedores, nós entristecemos a Deus, mas quando nos achegamos confiados apenas nos méritos de Cristo, nós podemos contemplar a glória do Deus feliz.

 

JS: Em 2013, foi iniciado o estudo da Epístola de Gálatas para que todos os irmãos tivessem revelação da graça. Que resultados o senhor percebe que a Igreja Videira colhe hoje decorrente dessa exposição à luz da Palavra?

AS: Hoje estamos às portas de um mover do Espírito que ainda não experimentamos. É perceptível que a unção está crescendo cada dia mais em nosso meio. Os irmãos continuam trabalhando, liderando células e realizando encontros, mas os vemos cheios de alegria. Antes, muitos trabalhavam motivados pelo medo, hoje trabalham porque foram cheios do amor e da graça de Deus. O testemunho que temos é que as células estão cheias e a participação no compartilhamento é empolgante. Sente-se uma grande motivação em toda a igreja, nossos cultos estão todos lotados e há uma forte presença de Deus nas reuniões. A cada domingo, temos recebido um maravilhoso alimento na Palavra e a revelação do Pai tem sido como a luz do dia que vai brilhando mais e mais.

 

JS: Como o senhor interpreta a atual interferência de ideologias não cristãs dentro da igreja? Há consequências para a ministração do evangelho em sua opinião?

AS: O principal problema é o humanismo, que resulta em autoajuda. Infelizmente, muitos púlpitos se tornaram apenas um lugar de mensagens de autoajuda em vez de uma voz para sustentar o testemunho do evangelho. Também há o problema do ensino legalista. Por favor, não pense que legalismo é apenas aquelas proibições típicas de igrejas pentecostais. Não é só isso. Legalismo é uma forma de se relacionar com Deus baseado no merecimento e nas obras de obediência em vez de se relacionar com base na fé na obra de Cristo.

Grande parte dos pastores prega a lei e não a graça em seus púlpitos. Quando pregamos a lei, nós dizemos às pessoas o que elas precisam fazer, mas quando pregamos a graça, nós falamos do que o Senhor faz por nós. É por isso que muitos pregam um tipo de autoajuda. Se, por exemplo, você está em crise no casamento, vão ensinar-lhe sete passos de como salvá-lo, dez passos de como ter uma união feliz. Tudo isso é o que você mesmo pode fazer, mas viver na graça significa crer que Ele mesmo vai tirá-lo do buraco. O que muitos não percebem é que todo ensino humanista é simplesmente moralismo sem poder de Deus. O humanismo é uma filosofia repleta de justiça própria e esforço humano. Precisamos pregar a graça de Deus manifesta na obra consumada do Calvário.

 

JS: Atualmente, o que o senhor define como empecilho para um ministério frutífero?

AS: Em sua segunda epístola, Pedro diz que a diligência, a fé, a virtude, o conhecimento, o domínio próprio, a perseverança, a piedade, a fraternidade e o amor é que fazem com que sejamos ativos e frutíferos na casa de Deus (2Pe 1.5-9).  Depois, ele acrescenta que aquele em quem essas coisas não estão presentes é porque é cego e está esquecido da purificação dos seus pecados. Pedro diz que a razão pela qual muitos são inativos e infrutíferos é porque não se lembram do quanto foram perdoados.

Não é maravilhoso que o perdão dos pecados seja a chave de um ministério frutífero? Quem diria isso? Por que o novo convertido é muito mais frutífero e ativo na igreja? Simplesmente porque ele se lembra mais facilmente de que seus pecados foram perdoados.

O problema de alguns obreiros é que ele se lembram de todo tipo de ensino natural e humano, mas se esquecem do perdão dos pecados. Pedro diz que esta é a chave.

 

JS: Quais devem ser as características de um ministro do evangelho?

AS: O que se espera de um despenseiro é que ele seja encontrado fiel. O que se espera do despenseiro? É que libere o alimento adequado para a casa do seu Senhor. O alimento é o evangelho. Não pregamos a nós mesmos, mas pregamos Cristo crucificado, poder de Deus e graça de Deus revelada. O que se espera de um ministro do evangelho é que ele se lembre de que o Cordeiro é que nos apascenta (Ap 7.17). O Senhor se fez cordeiro para cuidar do rebanho; assim também, todo pastor tem de se fazer ovelha e nunca procurar dominar sobre o rebanho.

 

Bate-papo sobre ministério

 

JS: Uma conquista:
AS: Um ministério debaixo do favor.

JS: Maior sonho:
AS: Tocar esta geração.

JS: Hoje, ministerialmente falando, o Pr. Aluízio é:
AS: Um servo alimentando os irmãos.

JS: Qual palavra/versículo o sustenta nos momentos de adversidades?
AS: Aquele que não poupou o próprio Filho não nos negará coisa alguma (Rm 8.32).

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