Desfrute da riqueza da palavra

Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente. (1Co 2.12)

Meu desejo hoje é que você possa aplicar seu coração a compreender e desfrutar da rica e abundante graça de Deus que está disponível em Cristo Jesus. Infelizmente, alguns de nós ainda estamos vivendo muito aquém daquilo que somos, temos e podemos fazer em Cristo. Todo suprimento, vida, saúde, paz, alegria, prosperidade e sorte de bênçãos foram conquistados no Calvário e precisamos fazer uso dessas vantagens e benefícios que a Nova Aliança nos proporciona.

A falta de conhecimento espiritual nos leva a viver na mediocridade, sendo que nosso Pai bondoso e amoroso tem riquezas e suprimentos constantes para todas as áreas da nossa vida.

Quantas pessoas dentro das igrejas ainda estão vivendo na escassez, na angústia, com medo e debaixo de condenação por não conhecerem a riqueza da graça de Deus! (2Co 8.9).

Hoje eu quero desafiá-lo a tomar uma importante decisão: deixar o Espírito Santo governar completamente a sua vida. Ele foi enviado para nos fazer conhecer o que por Deus nos foi dado gratuitamente. Muitos estão sofrendo neste exato momento consequências de más decisões, escolhas equivocadas, baseadas na conveniência, obstinação ou em paixões carnais. E por isso ficam no vale da indecisão, paralisados, com medo de errarem outra vez. Buscam na autoajuda, em técnicas, fórmulas, uma maneira de não sofrerem mais com suas decisões erradas.

Mas quero lhe dar uma boa notícia, uma palavra de esperança: você recebeu o Espírito que vem de Deus, para conhecer o que por Deus lhe foi dado gratuitamente, sem merecer, e Ele o guiará a toda a verdade, ajudará e o conduzirá a um caminho de sucesso e êxito.

Recebemos o Espírito para nos fazer conhecer

É maravilhoso saber que a lei foi dada por intermédio de Moisés, mas a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo (Jo 1.17).

Jesus veio para nos revelar a graça e a verdade do evangelho de que Deus não mais leva em conta nossos pecados quando cremos em seu Filho. Jesus também veio nos revelar o nome do Pai. Ele veio nos mostrar a riqueza da graça do Pai. Mas Jesus precisava cumprir todo o plano de redenção morrendo em nosso lugar, ressuscitando ao terceiro dia e, depois, subindo para o Pai. E, antes subir, Ele fez uma promessa: “Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros” (Jo 14.16-17).

 O Espírito Santo nos foi dado para nos convencer da justiça e também nos revelar a rica e abundante graça que recebemos do Pai através de Cristo Jesus.

Mas a grande questão é: como eu posso desfrutar da riqueza da graça de Deus em minha vida? De que forma eu posso conhecer o que me foi dado por Deus gratuitamente, sem merecer? Como eu usufruo de tudo isso de maneira prática? A resposta para essas perguntas é: vivendo uma vida cheia do Espírito; exercitando nosso espírito humano recriado pelo novo nascimento; deixando que o Espírito Santo governe nossa vida plenamente através das faculdades do nosso espírito.

A chave para desfrutarmos da riqueza e abundância da graça é sermos governados pelo Espírito Santo. Para que você compreenda essas verdades, quero lançar mão de alguns princípios elementares da nossa vida cristã.

Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém. (1Co 2.14-15)

O espírito é aquela parte por meio da qual temos comunhão com Deus. É o elemento que nos dá consciência de Deus. A alma é o centro da personalidade, mas o espírito é a parte mais importante e o centro de todo o nosso ser. É pelo espírito que podemos adorar a Deus e receber revelação. Deus habita em nosso espírito.

Funções do espírito

O espírito humano possui três funções básicas: intuição, consciência e comunhão.

  1. A função da intuição

Mas sobre vocês Cristo tem derramado o seu Espírito. Enquanto o seu Espírito estiver em vocês, não é preciso que ninguém os ensine. Pois o Espírito ensina a respeito de tudo, e os seus ensinamentos não são falsos, mas verdadeiros. Portanto, obedeçam aos ensinamentos do Espírito e continuem unidos com Cristo. (1Jo 2.27)

Nós vivemos hoje debaixo da Nova Aliança, na qual todos são ensinados do Senhor (Hb 8.11). Você não sabe como chegou a saber disso, mas há algo em seu interior que diz que certas coisas não são verdadeiras e outras são. Chamamos isso de intuição.

A intuição é a capacidade do espírito humano de conhecer ou de saber algo independentemente de qualquer influência exterior. É o conhecimento que chega até nós, sem qualquer ajuda da mente ou da emoção; ele chega intuitivamente. As revelações de Deus e todas as ações do Espírito Santo se tornam conhecidas por nós pela intuição do espírito. Intuição é um saber que não tem origem na mente e nem nas circunstâncias ao redor. As coisas do Espírito têm de ser discernidas pelo nosso espírito (2Co 2.14).

A intuição se manifesta pela restrição e pelo constrangimento

A restrição é uma sensação que às vezes parece opor-se ao que a nossa mente pensou, nossa emoção aceitou e a nossa vontade decidiu. É uma sensação de que algo não deve ser feito.  Certa vez, acompanhei um irmão que estava superentusiasmado com um carro que apareceu para comprar. Em sua mente, era “a oportunidade”. Tudo lhe parecia favorável. Mas, lá dentro, sentia um incômodo. Mesmo assim, fez o negócio, que, no fim, lhe trouxe um enorme prejuízo financeiro. O incômodo era a restrição em seu espírito.

O constrangimento é um impulso, um estímulo para que façamos algo que parece irracional e até contrário à nossa vontade. Há uma diferença entre o conhecer e o entender. O conhecer está no espírito, enquanto que o entender está na mente. Conhecemos algo através da intuição do espírito, a nossa mente é, então, iluminada para entender e traduzir o que a intuição conheceu. Na intuição do espírito, percebemos a persuasão do Espírito Santo; na mente, entendemos a orientação do Espírito Santo.

O conhecimento da intuição é chamado na Bíblia de revelação. Revelação é o desvendar, pelo Espírito Santo, da verdadeira realidade de alguma coisa. Esse tipo de conhecimento é muito mais profundo que o conhecimento da mente. A unção do Senhor nos ensina a respeito de todas as coisas, pelo Espírito de revelação e de entendimento.

  1. A função da consciência

Consciência é a capacidade de discernir entre o certo e o errado, não segundo os critérios da mente, mas segundo a sensação do espírito (Rm 9.1; At 17.16). Comparando Romanos 9.1 e Atos 17.16, concluímos que a consciência está localizada no espírito humano.

Paulo e a incredulidade dos judeus

Digo a verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo, no Espírito Santo, a minha própria consciência. (Rm 9.1)

 O discurso de Paulo em Atenas

Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade. (At 17.16)

Testificar, confirmar, recusar, acusar são manifestações da consciência.

Em 1 Coríntios 5.3, Paulo diz que, em seu espírito, julgou uma pessoa pecaminosa. Ele usou a consciência do espírito para julgar. Frequentemente, a consciência condena coisas que a nossa mente aprova. O julgamento da consciência não é segundo o conhecimento mental, mas segundo a direção do próprio Espírito Santo. Na Bíblia, existem dois caminhos: o caminho tipificado pela árvore da vida e o do conhecimento do bem e do mal. Não somos exortados na Palavra a andarmos segundo o padrão moral de certo ou errado, mas sermos guiados pelo espírito. A mente faz ponderações sobre certo e errado, mas a consciência não faz ponderações, apenas decide. Quando você para diante de um cinema, qual é a sua ponderação? Não é pornográfico, não é errado, não faz mal, portanto posso assistir. Tais ponderações não são da consciência; é a mente decidindo, independentemente. Como já disse, a consciência não faz ponderações, apenas decide.

Há muitas coisas que a nossa consciência recusa, mas a nossa mente aprova. Devemos rejeitar de uma vez por todas o caminhar segundo a mente, segundo a árvore do conhecimento, e seguirmos pelo espírito, pelo princípio da vida de Deus em nós, percebido em nossa consciência. Precisamos ser absolutos para com aquilo que Deus condena em nossa consciência. Nunca devemos tentar explicar o pecado justificando-o. Sempre que a nossa consciência recusar algo, devemos parar imediatamente.

 c.A função da comunhão

Toda comunhão genuína com Deus é feita no nível do nosso espírito. Deus não é percebido pelos nossos pensamentos, sentimentos e intenções. Ele só pode ser conhecido diretamente em nosso espírito. Deus é espírito, e somente o nosso espírito pode entrar em comunhão com Ele. É no nosso espírito que nos unimos ao Senhor e mantemos comunhão com Ele. Comunhão é adorar a Deus.

Tudo o que Deus faz Ele o faz a partir do nosso espírito. É sempre de dentro para fora. Esta é uma maneira bem prática de sabermos o que vem de Deus e o que vem do diabo. O diabo sempre começa a agir pelo corpo, tentando atingir a nossa alma. É de fora para dentro. Deus, por sua vez, age de dentro para fora. Sempre que formos adorar a Deus, devemos nos voltar para o nosso coração, pois é no nosso coração que percebemos o nosso espírito. Não procure exercitar a mente, mas exercite o espírito, mediante o coração. É por isso que a adoração com cânticos em línguas é mais eficiente, pois a nossa mente fica infrutífera e podemos exercitar o espírito livremente. A comunhão com Deus é sempre percebida no coração.

Como exercitar o próprio espírito?

A obra de Deus em nosso espírito já foi completada. É como uma lâmpada que se acendeu. Jesus disse que o espírito está pronto (Mt 26.41).

O nosso espírito está pronto, mas ainda precisa ser aperfeiçoado pelo exercitar. É como uma criança que acabou de nascer. Ela é perfeita, mas precisa ainda ser aperfeiçoada. É também como nosso corpo físico. Ele é perfeito, mas se queremos competir como atletas, precisamos exercitá-lo. Paulo disse que o exercício espiritual, a piedade, é mais proveitoso que o exercício físico (1Tm 4.8). Fomos regenerados, nascemos de Deus e Ele agora habita em nosso espírito. A nós cabe agora exercitá-lo. Exercitamos o nosso espírito para separar aquilo que procede da alma do que procede do próprio espírito (Hb 4.12).

De que maneira eu posso exercitar o meu espírito para ser sensível ao Espírito Santo e cumprir a vontade de Deus?

A maneira como Deus nos leva a perceber o nosso próprio espírito passa por três caminhos:a

 

     a.Por meio do quebrantamento

Sem quebrantamento, é difícil percebermos o nosso espírito. Portanto, a primeira maneira que Deus usa para percebermos o nosso próprio espírito é pelo quebrantamento da alma. Isso acontece quando nos humilhamos em vez de reivindicarmos os nossos direitos; quando decidimos perdoar uma falta cometida contra nós; quando rejeitamos a justiça própria; quando cedemos; quando nos submetemos e decidimos abrir mão da nossa vontade. Quando deixamos que nossa alma seja quebrantada, tornamo-nos sensíveis a Deus em nosso espírito.

     b.Pela palavra de Deus

A palavra de Deus também tem esse poder de separar alma e espírito. Deus, na verdade, usa o quebrantamento pelas circunstâncias e o poder da palavra para separar a alma e o espírito. Hebreus 4.12 diz:

 

Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.

  1. Orando em línguas

Uma terceira maneira para percebermos o nosso espírito humano é orando em línguas. Paulo diz, em 1 Coríntios 14.14, que aquele que ora em línguas tem o próprio espírito orando enquanto a mente (alma) fica infrutífera. Portanto, se você não ora em línguas, busque do Senhor essa experiência, pois, através dela, você vai crescer no seu próprio espírito.

Rejeite a passividade

Para que o diabo possa agir no homem, ele o leva a se tornar passivo, mas para que Deus possa agir, é preciso que o homem coopere exercitando a sua vontade. Paulo diz, em Romanos 1.9, que ele serve a Deus no espírito. O mesmo se aplica a cada cristão. Precisamos aprender a exercitar o nosso espírito. A obra de Deus em nosso espírito já foi completada. É como uma lâmpada que se acendeu. Jesus disse que o espírito está pronto (Mt 26.41). Fomos regenerados, nascemos de Deus e Ele agora habita em nosso espírito. A nós cabe apenas exercitá-lo.

 

– Perguntas para compartilhar:

1- De que maneira você pode exercitar o seu espírito para ser sensível ao Espírito Santo e cumprir a vontade de Deus?

2- Como podemos desfrutar da riqueza da graça de Deus em nossa vida?

 

 

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