Descubra o mistério que o homem mais sábio não entendeu.

Essas palavras foram escritas por Agur. Os mestres judaicos sempre consideraram Agur um pseudônimo de Salomão. Assim, sempre atribuíram a Salomão esse texto. Hoje, gostaria de compartilhar com você aquilo que o homem mais sábio do mundo nunca entendeu, mas nós podemos entender pelo Espírito hoje. A chave hermenêutica é sempre Cristo, por que tudo foi escrito por causa d’Ele. Assim vamos usar essa chave para abrir o significado espiritual verdadeiro desse texto.
Salomão foi um homem que teve mil mulheres em sua vida. Então, obviamente, ele não pode estar se referindo a algo natural. Deve ter um sentido espiritual para o homem e uma virgem. Precisamos ver a pessoa do Senhor Jesus em tudo. Há pessoas que possuem algum conhecimento da Bíblia, mas isso não lhes dá uma revelação maior de Jesus e de sua pessoa maravilhosa. Cristo é o tema de toda a Escritura. Ele é a chave para compreendermos toda a Palavra de Deus.

O caminho da águia no céu
As quatro faces de Jesus A primeira coisa que Salomão não entende é o caminho da águia no céu. Para compreendermos isso, precisamos nos lembrar de que, diante do trono de Deus, existem quatro seres viventes, e cada um deles possui quatro faces: a face do leão, do homem, do novilho e da águia (Ap 4.6-7). Cada uma dessas faces aponta para o Senhor Jesus. Ele é o Leão da tribo de Judá, mas, por outro lado, Ele é também o novilho que foi usado por Deus para o sacrifício. Jesus também é a exata expressão e imagem de Deus como homem, mas ao mesmo tempo é do céu, como a águia. Essas quatro faces apontam para os quatro evangelhos. O Evangelho de Mateus é a face do leão, pois é o evangelho do rei. Em Mateus, Jesus é mostrado como o rei, por isso começa com uma genealogia, para mostrar que Ele descende do rei Davi e de Abraão. Ele é o Leão da Tribo de Judá.

A face do novilho aponta para o Evangelho de Marcos, pois em Marcos Jesus é mostrado como o servo, o novilho que trabalha no arado. Não há genealogia em Marcos, pois o servo não tem genealogia. Em Lucas, Jesus é mostrado como o homem. Esse evangelho é representado pela face do homem. Lucas retrata Jesus como o filho do homem, por isso a sua genealogia ali vai até Adão. Por fim, o Evangelho de João mostra Jesus como o Filho de Deus que desceu do céu. Isso é representado pela águia. Nele, Jesus é o verbo eterno que desceu do céu. Não há genealogia, pois se trata do Filho de Deus, que não teve início de dias.

As quatro cores do Tabernáculo Outra forma interessante de ver essas quatro faces é observando que, no Tabernáculo, havia quatro cores: o azul, o vermelho, o púrpura e o branco (Êx 28.5). Cada um dos quatro evangelhos também é representado por uma cor distinta. O azul aponta para o Evangelho de João, porque o Evangelho de João mostra o Senhor Jesus vindo do céu como Filho de Deus. O azul é a cor do céu. O vermelho é o Evangelho de Marcos. O Senhor Jesus é o servo sofredor que derramou o seu sangue como oferta pelo pecado. O branco aponta para o Evangelho de Lucas. Nele, o Senhor é mostrado como um homem, mas sem pecado, a perfeita humanidade. A cor púrpura aponta para o Evangelho de Mateus, pois a púrpura era a cor da realeza, e Mateus é o evangelho do grande Rei.

Mas há algo que precisa ser dito sobre o vermelho, ele pode também simbolizar o homem. O primeiro homem foi chamado Adam, que significa vermelho em hebraico. É vermelho por causa do solo vermelho e por causa do sangue em suas veias. Também devemos entender que a púrpura é o resultado da mistura do vermelho com o azul. Assim, o Senhor Jesus veio do céu, portanto Ele é azul, e então se fez homem, o vermelho. E, da união entre a natureza do azul e do vermelho, veio a realeza, representada pela cor púrpura.

O caminho da cobra na penha
De uma águia, Ele se tornou uma cobra no chão, de um extremo a outro extremo. Ele é a águia que desceu do céu e se fez homem como nós, mas, na cruz, Ele se faz ainda menor, tornou-se uma serpente sobre a rocha. O Senhor Jesus disse a Nicodemos que, do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importava que o Filho do Homem fosse levantado, para que todo o que n’Ele crê tenha a vida eterna (Jo 3.14-15). Nesse texto, o Senhor faz referência ao que aconteceu com o povo de Israel no deserto.

Então, partiram do monte Hor, pelo caminho do mar Vermelho, a rodear a terra de Edom, porém o povo se tornou impaciente no caminho. E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito, para que morramos neste deserto, onde não há pão nem água? E a nossa alma tem fastio deste pão vil. Então, o SENHOR mandou entre o povo serpentes abrasadoras, que mordiam o povo; e morreram muitos do povo de Israel. Veio o povo a Moisés e disse: Havemos pecado, porque temos falado contra o SENHOR e contra ti; ora ao SENHOR que tire de nós as serpentes. Então, Moisés orou pelo povo. Disse o SENHOR a Moisés: Faze uma serpente abrasadora, põe-na sobre uma haste, e será que todo mordido que a mirar viverá. Fez Moisés uma serpente de bronze e a pôs sobre uma haste; sendo alguém mordido por alguma serpente, se olhava para a de bronze, sarava. (Nm 21.4-9).

Por quarenta anos, Deus havia dado ao povo o Maná, mas eles murmuravam dizendo que tinham fastio desse pão vil. Por causa disso, Deus permitiu que viessem serpentes abrasadoras no meio do povo. Muitas vezes, serpentes têm vindo ao nosso casamento, têm atacado nossas finanças e até mesmo produzido enfermidades. A solução de Deus para o povo naquele dia é a mesma hoje.

Quando o povo foi mordido pelas serpentes, eles vieram a Moisés e disseram: “Havemos pecado, porque temos falado contra o Senhor e contra ti; ora ao Senhor que tire de nós as serpentes”. O pedido das pessoas é sempre assim: “Tire o meu problema financeiro! Remova a minha luta!” Nós sempre oramos para que Deus remova as serpentes. Se Deus tivesse simplesmente removido as serpentes, o povo continuaria o mesmo. Eles haviam sido picados e apenas remover as cobras não iria curá-los. Não é uma oração muito lógica. Então, o Senhor mandou que Moisés fizesse uma serpente de bronze e a colocasse numa haste, e todo aquele que olhasse para a serpente de bronze seria curado. Aquela haste era a cruz, e a serpente de bronze é Cristo, que se fez pecado por nós. A solução de Deus não é remover o problema, mas olharmos para a provisão na cruz. A melhor oração não é: “Deus, remova os meus problemas!” A oração correta é: “Deus, dê-me uma revelação clara da cruz!”

Deus mandou que Moisés fizesse uma serpente de bronze e a colocasse na ponta de uma haste. Qualquer um que olhasse para a serpente seria imediatamente curado. Veja que Deus não fez nada com as serpentes. Elas continuaram por lá, mas agora não tinham mais poder de ferir o povo. Olhe para a cruz, porque mesmo que o seu problema não seja removido, ele não terá mais poder sobre você. Muitos cônjuges oram para que Deus mude o outro, mas a provisão de Deus é olhar para a cruz. Muitos oram para que Deus remova o seu chefe, mas a resposta de Deus é olhar para a cruz. O método do homem é: “Não toque isso, não beba aquilo, não manuseie aquilo outro”, mas a solução de Deus é completamente diferente. Deus não está preocupado com o problema, Ele quer mudar você. Se você olhar para a cruz, o pecado não terá poder para escravizá-lo. O método de Deus é apenas olhar. Cristo se fez serpente em uma rocha. Se você olhar para o Calvário, o local da caveira onde Ele foi crucificado, é uma grande rocha. Então, a águia se tornou uma serpente na rocha, pois aquele que não conheceu pecado Deus o fez pecado por nós (2Co 5.21).

O caminho do navio no meio do mar
O terceiro mistério é o caminho de um navio no meio do mar. Um navio naqueles dias e ainda hoje é essencialmente para carga, ele carrega contêineres. Quando um navio viaja, normalmente ele viaja para países distantes. Assim, Deus enviou o seu Filho carregado de bênçãos, cheio de graça e verdade. Ele veio como aquele cargueiro atravessando o oceano, de um país distante do céu à terra, de uma águia à cobra. Na Palavra de Deus, o mar simboliza as nações. Assim, Ele veio a esta terra carregado de bênçãos para nós. Embora o homem o tenha rejeitado, aqueles que creram receberam o poder de se tornarem filhos de Deus. E agora feitos filhos, somos também herdeiros de toda bênção de Deus.

O caminho do homem com uma donzela
O último ponto, que Salomão diz que definitivamente não entende, é o caminho do homem com uma donzela. Esse homem teve mil mulheres e concubinas, mas ainda assim disse: “Não consigo entender o caminho de um homem com uma virgem”. Obviamente, ele não está se referindo a algo natural. Hoje, porém, nós temos a sabedoria de Deus, a mente de Cristo. Você tem algo que as pessoas no passado não tinham, mas que hoje nos foi revelado: Cristo e a igreja. Você sabe qual é o segredo mais bem guardado de Deus, que nem Salomão sabia? Todos os
profetas, santos e homens justos do Antigo Testamento nunca souberam desse segredo. Você sabe qual é o segredo? A igreja. A igreja é o segredo mais bem guardado de Deus. O diabo quer transformar a igreja num edifício ou numa organização clerical, mas a verdade é que a igreja é a maior organização que já existiu no universo. É a única sociedade na terra em que a sua desqualificação é a sua qualificação para ingressar.

A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo e manifestar qual seja a dispensação do mistério, desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas, para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais. (Ef 3.8-10). A igreja é o segredo mais bem guardado de Deus. Todas as unções de Deus e todas as insondáveis riquezas de Cristo foram dados para a igreja. Quando falo da igreja aqui, não me refiro à igreja local, mas à igreja universal invisível. O maior mistério é a união de Cristo com a igreja (Ef 5.31-32). Seres de natureza diferente não podem se casar, mas nós vamos nos casar com a divindade. É assim porque fomos feitos semelhantes a Ele, podemos ter comunhão com Ele.

Vamos concluir voltando aos quatro mistérios. A águia aponta para Cristo. Ele veio do céu e se fez homem. Mas, na cruz, Ele se fez pecado, semelhante à serpente, mas sem nunca ter pecado. O caminho de um navio no meio do mar é poderoso porque o mar é sempre uma imagem dos gentios, uma imagem das nações gentias. No livro de Apocalipse, capítulo 13, João viu um animal sair do mar, das nações gentias, não de Israel, mas do mar. Israel é sempre a terra. E, finalmente, o caminho de um homem com uma virgem, a igreja. Hoje, você compreendeu o que o homem mais sábio que já existiu nunca pôde explicar. Podemos entender porque Cristo é a chave que desvenda todo mistério de Deus. Essas quatro coisas também nos falam de uma sequência em nosso crescimento espiritual. Primeiro, conhecemos a Cristo como o Filho de Deus, que desceu do céu. Depois, entendemos que Ele se fez pecado, como serpente, para que n’Ele fôssemos feitos justiça de Deus. Quando entendemos a justificação, ganhamos fé para nos apropriar de todos os contêineres de bênçãos do céu. Mas tudo isso é consumado quando entendemos que agora somos parte da igreja e que habitaremos na casa do Senhor para todo o sempre. Aleluia!

Perguntas para compartilhar:
1- Qual é a chave que desvenda o mistério de Deus?
2- Qual o segredo mais bem guardado?

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