Como ser ativo e frutífero na casa de Deus

Quando lembramos o quanto fomos perdoados, livramo-nos da justiça própria e desfrutamos da graça de Deus

por Aluízio A. Silva, Pastor presidente da Videira – Igreja em Células

Em duas ocasiões, Pedro experimentou a pesca maravilhosa. Nessas duas ocasiões, temos também duas revelações distintas do Senhor para Pedro. Vamos ver cada uma delas e entender como a revelação de Pedro é importante para nós hoje.

A revelação do amor

Depois que o Senhor ressuscitou, o evangelho de João relata que Ele apareceu aos seus discípulos por três domingos consecutivos. No primeiro domingo, Ele apareceu a Maria Madalena, a Pedro e aos discípulos que estavam na casa com medo dos judeus (Jo 20.19-25) No segundo domingo, Ele apareceu novamente aos discípulos e, dessa vez, Tomé estava com eles. Foi quando Tomé disse: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20.26-31). No terceiro domingo, o Senhor apareceu aos discípulos no mar da Galileia, em João 21.

Muitos de nós temos estado numa posição em que trabalhamos duro e não conseguimos coisa alguma. Esforçamo-nos, mas por fim estamos vazios e sem resultados. Não nos sentimos mais condenados pelos pecados que cometemos antes de nos convertermos, mas nos vemos angustiados pelo fato de que, mesmo depois de salvos, ainda estamos envolvidos em tentações e lutas que nos trazem tanta condenação. O texto diz que os discípulos pescaram toda a noite, mas não pegaram nada. Mas, no raiar do dia, o Senhor estava na praia, e esse era o terceiro domingo depois da ressurreição (Jo 21.4-8).

A minha questão é essa: por que Pedro pulou na água em direção a Jesus? A resposta a essa pergunta certamente responderá a muitas questões em sua vida. Por que Pedro pulou na água em direção a Jesus? Se você está consciente dos seus pecados, se você está consciente que negou Jesus três vezes, será que ainda assim pularia na água e nadaria em sua direção? O normal seria fugir da presença d’Ele. Talvez você deixasse que seus companheiros descessem primeiro e só por último você sairia do barco e, mesmo assim, ficaria meio de lado, constrangido, por tudo o que tinha feito.

Mas há alguma coisa que Pedro viu em Jesus, algo que ele conheceu a respeito do Senhor que o levou a mudar de atitude, o levou a mergulhar na água e nadar em direção ao Senhor. Ele não estava com receio de ficar sozinho com o Senhor Jesus. O que havia acontecido? A resposta a essa questão é muito importante para a nossa caminhada com Deus. Pela lei, vem o pleno conhecimento do pecado. Pela lei, Pedro fugiria do Senhor com medo por causa da condenação. No entanto, ele parecia dizer: “Apesar de todos os meus pecados, Ele me ama, é meu amigo. Eu me conheço, mas eu o conheço mais do que a mim mesmo. A minha consciência mostra o meu pecado, mas a minha fé mostra o meu salvador. E eu sei que Ele me ama”.

Depois da ressurreição, Pedro foi o primeiro discípulo com quem o Senhor se encontrou. Não sabemos como aconteceu e nem que palavras foram proferidas nesse encontro, mas há duas menções de que Pedro foi o primeiro a encontrá-lo. A primeira menção está em Lucas 24.33.

E, na mesma hora, levantando-se, voltaram para Jerusalém, onde acharam reunidos os onze e outros com eles, os quais diziam: O Senhor ressuscitou e já apareceu a Simão! (Lc 24.33-34)

A segunda menção está em 1 Coríntios 15.5

E apareceu a Cefas e, depois, aos doze. Depois, foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora; porém alguns já dormem. (1Co 15.5-6)

Cefas é o equivalente aramaico para Pedro. Assim, ficamos sabendo que Pedro foi o primeiro apóstolo a ver Jesus depois de Maria Madalena. Nesse encontro, o Senhor restaurou Pedro. Foi nesse momento que Pedro entendeu a maravilhosa graça do Senhor. O momento no mar da Galileia não foi o primeiro encontro de Pedro com o Senhor após a ressurreição. Ele mergulhou na águia por que tinha experimentado anteriormente um profundo senso do quanto era amado pelo Senhor. Somente a percepção da graça do Senhor poderia levá-lo a correr em sua direção. Ele não podia esperar que o barco chegasse até a margem, por isso ele pulou.

A revelação da santidade

Muitos pensam que a revelação da santidade do Senhor é o segredo de toda vitória, mas isso não é bem assim. Evidentemente, a santidade é muito importante, mas é a revelação do amor que nos aproxima de Deus. Houve outro momento em que Pedro teve um encontro com a santidade do Senhor Jesus. Isso está registrado em Lucas 5.

Não foi a revelação da santidade do Senhor que levou Pedro a pular na água. Na verdade, a revelação da santidade do Senhor o tinha levado primeiro a perceber a sua pecaminosidade. Numa das primeiras vezes em que ele se encontrou com o Senhor, ele viu a sua santidade. A tendência natural do homem é perceber a santidade de Deus, mas é preciso revelação do Espírito para ver o amor do Pai.

Os fariseus conheciam a santidade de Deus. Todo homem natural conhece a santidade de Deus, pelo simples fato de que reconhecer a Deus é ver a sua luz brilhando em nossa consciência. Mas para conhecer o amor de Deus, há a necessidade da revelação do Espírito. Muitos pregam que o segredo da vida cristã plena é o conhecimento da santidade de Deus. Mas sabe o que é santidade? Santidade significa separação. Significa que, quando o mundo está atribulado, você está em paz. Significa que, no lugar onde todos são comuns, você resplandece com a luz de Deus. Num lugar onde todos estão deprimidos, você brilha com a sua alegria. Isso é ser diferente. Isso é ser santo.

O contrário de santo não é ser pecador, é ser comum. Deus quer que sejamos únicos e especiais. Podemos viver rodeados de pecadores e mesmo assim não ser como eles. Precisamos mostrar-lhes que eles podem se aproximar de Deus, pois são amados. Eles não nos contaminam, mas nós os contagiamos com o amor de Deus. Somos cristãos contagiosos. A única coisa que pode mudar a nossa vida é a revelação do amor de Deus. Fé não é ver Deus como um juiz. Nós sabemos que Ele é um justo juiz, mas a fé só vem se o vermos como um salvador amoroso. Quando vemos o amor de Deus por nós, nosso coração se enche da fé que pode transportar montes.

No verso 11 de João 21, lemos que “Simão Pedro entrou no barco e arrastou a rede para a terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, não obstante serem tantos, a rede não se rompeu”. No entanto, vemos no verso 6 que os outros discípulos nem conseguiam puxar as redes, mas Pedro puxou tudo sozinho. Quando você sabe que é amado, você faz coisas grandiosas.

Conscientes do pecado ou do amor de Deus?

É claro que Pedro nunca esqueceu o seu pecado, mas ele tinha um profundo senso de que havia sido perdoado. O seu pecado mostrava o tamanho da graça que ele havia recebido. Paulo faz isso mencionando várias vezes que ele era o menor dos apóstolos e o principal dos pecadores. Não é que ele vivia com constante consciência de culpa e pecado, o que ele tinha era plena consciência da graça de Deus.

Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus. (1Co 15.9)

Depois de mencionar todos os demais apóstolos, Paulo disse que ele era o menor entre eles. Aqui está a diferença entre o senso de condenação e a verdadeira humildade diante de Deus. Tanto aquele que está debaixo de acusação quanto aquele que é humilde dirão: “Sou o menor e nem sou digno de ser chamado apóstolo”. Qual a diferença entre eles? Aquele que é humilde está ciente do seu passado e do seu pecado, mas sabe que é amado e foi perdoado; enquanto aquele que está debaixo de condenação diz as mesmas coisas, mas não entende que é amado e que já foi perdoado.

Muitos presumem que viver debaixo da justificação pela fé significa ignorar o pecado ou pensam que a maneira de vencerem a condenação é ignorando o pecado. A verdade, porém, é que quanto mais crescemos em Deus, mais vemos o quanto somos amados, e por isso, quando vemos o pecado em nossa carne, nós entendemos quão grande é a graça de Deus. Em vez de dizermos: “Quão miserável sou!”, nós dizemos: “Quão maravilhosa é a graça de Deus para amar alguém como eu!”

Quanto mais crescemos em Deus, mais consciência temos das coisas da nossa carne, mas isso apenas magnifica o amor de Deus. Quando vemos o nosso pecado, isso serve para aumentar a percepção de sua graça.

A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo (Ef 3.8)

Não tem nada demais você ver o seu pecado, desde que isso o leve a entender ainda mais o quanto você foi amado. Mas se ver o seu pecado o leva a se sentir condenado, então pare agora mesmo. Olhe apenas para o seu amor. O nosso pecado só deve aumentar a percepção da graça e do amor de Deus por nós.

Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. (1Tm 1.15)

Quanto mais crescemos, mais vemos o quanto somos imperfeitos. Mas isso deve apenas exaltar a graça que nos foi concedida. Quanto mais você vê o seu pecado, mais você deve ver o quanto foi perdoado.

Muitos de nós fomos salvos quando éramos crianças. Por causa disso, só percebemos o quanto somos pecadores depois de salvos. Por isso, nunca pense que você possui algum tipo de perfeição sem pecado. Nós temos pecado. Embora salvos, ainda temos pecado em nossa carne. Mas o pecado não é motivo para que você fique prostrado em desânimo, ele apenas magnifica a graça de Deus em você.

Nós fomos salvos da ira de Deus, isso significa que Deus jamais ficará irado conosco para sempre. Gostamos de pensar que fomos salvos do diabo ou do inferno, mas, na verdade, fomos salvos de Deus. Agora, porém, sua ira não pode mais vir sobre nós.

Porque isto é para mim como as águas de Noé; pois jurei que as águas de Noé não mais inundariam a terra, e assim jurei que não mais me iraria contra ti, nem te repreenderia. (Is 54.9)

Ativos e frutíferos por causa do perdão

Certamente, Pedro tinha uma consciência maior da graça de Deus por causa do tamanho do seu pecado que foi perdoado. Ele traiu o Senhor negando-o três vezes. Depois de ter provado tão grande perdão, Pedro mostra em sua segunda epístola em (2Pe 1.5-9) que o perdão dos pecados é a chave para uma vida cristã abundante.

Pedro diz que a diligência, a fé, a virtude, o conhecimento, o domínio próprio, a perseverança, a piedade, a fraternidade e o amor é que fazem com que sejamos ativos e frutíferos na casa de Deus. Mas aquele em quem essas coisas não estão presentes é porque é cego e está esquecido da purificação dos seus pecados.

A razão pela qual muitos são inativos e infrutíferos é porque não se lembram do quanto foram perdoados. Não é maravilhoso que o perdão dos pecados seja a chave de uma vida cristã frutífera? Por que o novo convertido é muito mais frutífero e ativo na igreja? Simplesmente porque ele se lembra mais facilmente de que os seus pecados foram perdoados. Quando lembramos o quanto fomos perdoados, facilmente perdoamos outros. Quando lembramos o quanto fomos perdoados, espontaneamente compartilhamos esse perdão com outros. Quando lembramos o quanto fomos perdoados, livramo-nos da justiça própria e desfrutamos da graça de Deus. O segredo de tudo é lembrarmos do perdão.

É por isso que a Ceia é tão importante, porque ela é um memorial. O Senhor disse: “Fazei isso em memória de mim.” (1Co 11.24-25). Deveríamos celebrar a ceia semanalmente, porque rapidamente nos esquecemos e precisamos nos lembrar novamente do perdão dos nossos pecados. Quando meditamos no tamanho do perdão, somos tomados da plenitude do amor de Deus, e dessa forma nos tornamos sempre ativos e frutíferos na obra de Deus.

Perguntas para compartilhar:

  • Por que é importante se lembrar do perdão?
  • Qual é a chave de uma vida cristã frutífera?

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