As três perguntas dos discípulos sobre o fim

Compreenda o que a Bíblia diz a respeito das perguntas e saiba mais sobre os acontecimentos

Os capítulos 24 e 25 de Mateus trata de profecias relacionadas aos judeus, à igreja e aos gentios. Fora o livro de Apocalipse, esses dois capítulos trazem as mais significantes profecias para esta presente era. Nos versos 1 e 2, o Senhor profetiza que o Templo de Jerusalém seria destruído. Essa destruição do Templo e sua futura restauração são dois pontos importantes da profecia bíblica.

No século XIX, nos dias de Spurgeon e Moody, eles não podiam compreender perfeitamente o que hoje está diante dos nossos olhos. Para eles, a terra de Israel, que naqueles dias era chamada de Palestina, era apenas um lugar infestado de malária e habitado por alguns beduínos. Hoje, porém, vemos os judeus vivendo em sua própria terra. Este é um sinal indiscutível de que estamos perto do fim.

Para que as profecias bíblicas se cumpram, é necessário que Israel esteja na sua terra. Em 1948, a nação de Israel foi novamente estabelecida e os judeus agora têm uma pátria. Em 1967, na Guerra dos Seis Dias, Jerusalém foi conquistada e voltou a ser a capital do povo de Israel. Este certamente foi um marco profético, estabelecido por Jesus em Lucas 21.20-24.

A profecia de Jesus a respeito da destruição do Templo se cumpriu no ano 70 d.C. quando o general romano Tito sitiou e destruiu Jerusalém, espalhando os judeus por todo o mundo, num fenômeno conhecido como a Diáspora.

Por dois mil anos e ainda hoje, há judeus em todas nações do mundo. Jesus disse que esses dois mil anos seriam o tempo dos gentios e, nesse tempo, Jerusalém seria pisada por eles. Todavia, em 1967, os judeus tomaram Jerusalém de volta. No entanto, a profecia ainda não está plenamente cumprida, pois o Templo não foi ainda reconstruído. Mas tudo isso é um sinal de que estamos vivendo dias proféticos e o fim se aproxima rapidamente.

Sei que há alguns que dizem exatamente o contrário, afirmam que hoje as coisas são como têm sido por dois mil anos. Mas Pedro diz que o Senhor retarda a sua volta por causa da sua misericórdia (2 Pe 3.3-9).

Uma parte para os judeus, outra para a igreja

Para compreendermos as profecias de Mateus 24, precisamos entender que uma parte se refere aos judeus e outra parte se refere à igreja. É extremamente importante definir qual parte se relaciona aos judeus e qual se relaciona à igreja.

O verso 31 estabelece a linha divisória. Do verso 1 ao 31, tudo se relaciona aos judeus, e do verso 32 até 25.46, se relaciona à igreja. Essa divisão é baseada em evidências do próprio texto. Vamos ver algumas delas.

Do verso 1 ao 31, tudo é interpretado de forma literal. Por exemplo, inverno, no verso 20, é literal, uma vez que é difícil fugir no frio do inverno. O sábado também é literal, mas o verão mencionado no verso 32 deve ser interpretado espiritualmente, pois se refere à vinda do reino, e a figueira é um símbolo de Israel.

No verso 26, o interior da casa é literal, mas a casa mencionada no verso 43 deve ser interpretada espiritualmente. O que diz respeito aos judeus é literal, mas o que se relaciona à igreja é simbólico. A parte anterior ao verso 31 é cheia de menções judaicas, como lugar santo (v. 15), Judéia (v. 16), sábado (v. 20), mas a parte depois do verso 31 não possui nenhuma restrição de terminologia.

As coisas mencionadas antes do verso 31 são de natureza física, mas depois do verso 31 tudo tem um aspecto moral. Até o verso 31, o único requerimento é que fuja, mas, depois do verso 31, é preciso vigiar e orar, ações que envolvem responsabilidade.

Uma vez que os judeus ainda estão esperando o Messias, os falsos cristos são mencionados antes do verso 31, mas não menciona nada sobre falsos cristos depois do verso 31, porque é a parte endereçada à igreja. Em resumo, os versos 4 a 31 se relacionam aos judeus, e aqueles do verso 32 até o fim se referem à igreja.

As três perguntas dos discípulos

No verso 3 de Mateus 24, os discípulos fazem três perguntas ao Senhor. Então, o capítulo pode ser dividido como uma resposta do Senhor a cada uma dessas três perguntas.

As três perguntas feitas a Jesus foram:

1. Quando sucederão estas coisas?

2. Qual será o sinal da sua vinda?

3. Qual será o sinal da consumação dos séculos?

As primeiras duas perguntas estão relacionadas com os judeus, e a terceira pergunta se relaciona com a igreja.

Primeira pergunta: “Quando sucederão estas coisas?”

Os versos 4 a 28 respondem a esta pergunta e ainda não se cumpriram completamente.

a. Virão muitos enganadores (2 a 6)

No verso 4, o Senhor diz: “Vede que ninguém vos engane”. Muitos cristãos caem em erro porque não prestam a devida atenção à profecia (2 Pe 1.19).

Desde a época em que Cristo foi assunto aos céus, muitos têm aparecido se dizendo o Cristo. Houve muitos falsos cristos, mas nenhum fez milagres.

b. Guerra, fome e terremoto (7 a 8)

As guerras aqui se referem a todas as guerras que ocorreram nesses dois mil anos, mas nos últimos dias elas serão aumentadas grandemente. Elas são tipificadas pelo cavalo vermelho de Apocalipse 6.3-4. Em Mateus 24, o Senhor Jesus falou a respeito dos quatro cavaleiros mesmo sem mencioná-los. Primeiro, o Senhor disse: “Vede que ninguém vos engane. Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos” (Mt 24.4 e 5). Este é o cavaleiro branco, que representa os falsos ensinos.

Depois, o Senhor acrescentou: “E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim (24.6). Este é o cavaleiro vermelho, que simboliza a guerra.

No verso seguinte, o Senhor disse: “Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares (v. 7 – versão RC). A fome é a ação do terceiro cavaleiro, o preto, que representa a fome e a escassez.

Por último, o Senhor menciona a pestilência. As pestes apontam para o cavalo amarelo, que simboliza a pestilência e a morte.

A sequência de Mateus 24 é exatamente a mesma de Apocalipse 6.

c. Perseguição e tribulação (9 a 13)

A perseguição mencionada aqui se refere aos discípulos, que, no princípio, eram todos judeus. Eles foram mortos em todas as nações para onde foram. Mas também se refere à perseguição que os judeus têm sofrido no decorrer dos últimos dois mil anos. Parece que a profecia de ter o amor esfriado deve ser aplicada apenas aos judeus, e não à igreja de hoje.

A perseverança para salvação, mencionada no verso 13, não se refere à salvação do inferno. Refere-se, antes, à salvação da tribulação e da qualificação para o reino. Os versos 10 a 13 certamente mostram a criação do ambiente apropriado para o surgimento do anticristo. Escandalizar, trair e odiar será a consequência da perseguição. Nos dias do anticristo, se levantará o maior dos falsos profetas, descrito em Apocalipse 13.11.

d. O evangelho do reino será pregado (14)

A ênfase do evangelho da graça está no perdão dos pecados, na redenção de Deus e na vida eterna; enquanto a ênfase do evangelho do reino está no governo celestial de Deus e no senhorio de Cristo. Na verdade, existe apenas um evangelho, como afirma Paulo, em Gálatas 1.6-8. O que temos são ênfases distintas dentro do mesmo evangelho. O evangelho da graça enfatiza a questão dos pecados e a redenção, enquanto o evangelho do reino enfatiza a soberania do Senhor e o seu senhorio.

Parece que esse evangelho será pregado por crentes judeus. Se for assim, isso é uma referência aos 144 mil mencionados em Apocalipse 7. De acordo com Apocalipse 3.10, a grande tribulação virá sobre todos os que habitam sobre a terra, portanto é necessário que eles tenham uma oportunidade de escaparem dela recebendo o evangelho. O maior sinal da vinda do Senhor é a pregação do evangelho do reino.

Até aqui, temos o princípio das dores. A grande tribulação acontece a partir do verso 15.

e. A grande tribulação (15 a 22)

O abominável da desolação deve se referir a um ídolo (Dt 29.17). Isso vai marcar o início da grande tribulação. O anticristo vai fazer uma aliança com Israel por sete anos, mas, no meio dos sete anos, ele vai quebrar a aliança e dar início à grande tribulação (Dn 9.25-27; 11.30-31 e 12.11).

A grande tribulação termina com a volta do Senhor, no verso 29. A sua duração será de 1.260 dias ou três anos e meio (Ap 11.3 e 12.6). O anticristo e o falso profeta são descritos em Apocalipse 13.1 a 6 e 13.11 a 15.

A abominação da desolação provavelmente será um ídolo ou a própria imagem do anticristo sendo colocada dentro do Templo. Daí concluímos que o Templo precisa ser reconstruído, porque a grande tribulação começará justamente quando ele for profanado.

Quando a abominação da desolação for colocada no santo lugar, os judeus precisarão fugir. Nos versos 16 a 22, temos as circunstâncias dessa fuga. Apocalipse 12.17 diz que o anticristo perseguirá os que guardam os mandamentos de Deus e o testemunho de Jesus. Isso se refere a judeus e cristãos que não forem arrebatados. Essa profecia é endereçada aos judeus. Se fosse para nós, estaríamos esperando pelo anticristo, em vez de esperar pelo Senhor.

Aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus. (Tt 2.13)

Em Lucas 4.16-19, quando o Senhor faz a leitura de Isaías 61, Ele para no “ano aceitável do Senhor”. Isso porque o dia da vingança ainda virá. É maravilhoso que, entre uma expressão e outra, haja um tempo de dois mil anos.

O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados; a apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus […] (Is 61.1-2)

Creio que o arrebatamento dos crentes vencedores acontecerá antes do verso 15. Mas ainda haverá crentes sobre a terra. No entanto, é preciso que se esclareça que os crentes não vão sofrer a grande tribulação, pois esta é a manifestação da ira de Deus, e nós já fomos salvos da ira (Rm 5.9).

Os crentes que estiverem aqui, na verdade,  vão sofrer a perseguição e a ira do diabo (Ap 12.12).

f. Falsos cristos e falsos profetas (23 a 28)

Os judeus vão precisar ser avisados de que o Cristo se manifestará nas nuvens do céu. Ninguém deverá acreditar que Ele está no deserto ou no interior da casa. O verso 24 certamente é uma advertência contra o falso profeta, descrito em Apocalipse 13.11-15.

Os cristãos não têm esse problema com falsos cristos, mas os judeus ainda esperam pelo Messias, então eles podem ser enganados pelo anticristo durante a grande tribulação. Eles devem saber que o Messias virá nas nuvens com grande poder e glória.

No entanto, mesmo nós precisamos estar atentos, porque o Senhor menciona quatro vezes o problema dos falsos profetas (5, 11, 23 e 24). Isso indica quão grave será a situação do mundo. A volta do Senhor, a parousia, não será um evento secreto para os judeus. Como sabemos, a volta do Senhor tem dois aspectos: um oculto e outro às claras. No aspecto oculto, Ele vem como ladrão para arrebatar os vencedores, enquanto no aberto, às claras, Ele volta nas nuvens para salvar os judeus.

O verso 28 é bem misterioso. O cadáver é um corpo sem vida, que certamente simboliza os homens sem a vida de Cristo sobre a terra. Para Deus, são apenas cadáveres ambulantes, enquanto nós somos o corpo vivo de Cristo. A palavra traduzida como “abutre” é “águia” no original grego.

Em Apocalipse 19.17-18, as aves são um símbolo do juízo de Deus sobre a terra, então os abutres aqui devem ter o mesmo significado.

Segunda pergunta: “Qual será o sinal da sua vinda?”

Os versículos 29 a 31 respondem a segunda pergunta dos discípulos: “Quais serão os sinais da segunda vinda?”

a. Sinais no céu (29 a 31)

Depois da tribulação, ainda haverá sinais no céu e só então o Senhor virá. Haverá no céu o sinal do Filho do homem. Não sabemos como será esse sinal, mas será algo inequívoco e sobrenatural anunciando a vinda do Senhor.

Esse sinal do sol escurecer e a lua não dar a sua claridade parece que vai acontecer duas vezes, no começo e no fim da grande tribulação. Joel 2.31 diz claramente que isso acontecerá antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor.

Por outro lado, o mesmo evento é descrito em Apocalipse 6, por ocasião do sexto selo. Nós sabemos que a grande tribulação é o conteúdo do sétimo selo (Ap 6.12-17).

b. Logo em seguida à tribulação (29)

O verso 29 diz que a volta do Senhor será depois da tribulação daqueles dias.

c. Jerusalém será pisada pelos gentios (Lc 21.20-24)

A passagem de Lucas 21.20-24 é uma passagem paralela e parece-nos que um sinal já se cumpriu, ou seja, o sinal do tempo dos gentios pisarem Jerusalém (Lc 21.24).

Terceira pergunta: “Qual será o sinal da consumação dos séculos?”

Até o verso 31, tudo se refere aos judeus, mas, a partir do verso 32, tudo se refere à igreja.

a. A figueira representa Israel (32 e 33)

Podemos dizer que os gentios pisarão Jerusalém até que se completem os tempos. Precisamos olhar para Israel, pois Israel é a figueira que sinaliza a mudança dos tempos. O inverno significa o tempo de sequidão e tribulação. Foram quase dois mil anos de um longo inverno, mas agora vemos os brotos e as folhas. A restauração de Israel ainda não é plena, ainda há muita contenda com os árabes e os palestinos, mas quando ela se completar, então virá o fim.

b. Esta geração não passará (34 a 36)

A expressão “esta geração” pode significar que a figueira floresceu durante o período de uma geração, ou seja, 40 anos, segundo o costume judeu. Pode ainda significar que aquela geração viria já em seus dias o cumprimento de algumas profecias, como a destruição de Jerusalém e do Templo. Pode ainda ser que o sentido da palavra “geração” aqui seja o mesmo de 11.16, 12.39, 41,42 e 45 e Provérbios 30.11-14, e não de acordo com 1.17. Isso significa que a condição da geração em relação a Cristo não mudará até que Ele venha. Particularmente, creio que o Senhor está se referindo à geração que verá a figueira com as folhas brotando. A volta do Senhor não passaria, portanto, dessa geração. De qualquer forma, todos os sentidos acima devem estar corretos e contribuem para a compreensão do texto.

c. Como nos dias de Noé (37 a 39)

Podemos entender o paralelo entre os dias de Noé e os últimos dias da seguinte maneira:

– A condição humana será como nos dias de Noé – viviam em função do prazer e do dinheiro.

– Como Noé e sua família foram preservados, os santos serão guardados naqueles dias (Ap 12). Na verdade, Noé passou pelo dilúvio, mas foi guardado pela arca.

– O dilúvio destruiu a todos, exceto Noé e sua família. Quando Noé entrou na arca, veio o dilúvio. O arrebatamento provavelmente será um dos fatores que desencadeará a grande tribulação.

d. O arrebatamento antes da vinda (40 a 42)

Existem três interpretações desse texto:

þ Refere-se apenas aos judeus.

þ Os tomados são crentes e os deixados são os ímpios. þ Os deixados e tomados são crentes.

Por causa do verso 42, fica claro que se refere a crentes, pois a exortação é para aqueles que têm o Senhor. O texto diz que não sabemos a que hora virá o nosso Senhor. O Senhor não é Senhor dos incrédulos e nem manda incrédulos vigiarem. Esse texto, portanto, se refere a pessoas convertidas. A questão do arrebatamento é colocada de maneira simples: ambos estarão trabalhando, um será tomado e deixado o outro. Não precisamos nos tornar monges para sermos arrebatados, podemos trabalhar de maneira normal. O que diferencia os dois irmãos é a questão da maturidade. Os crentes vencedores são aqueles que estão maduros e prontos para serem colhidos.

e. O arrebatamento será como um ladrão (43 a 44)

A vinda do Senhor tem dois aspectos: um oculto e outro às claras. O aspecto oculto é o arrebatamento, a respeito do qual a Palavra de Deus diz que será como o ladrão à noite. Sobre o arrebatamento, não existem muitos sinais e por isso somos exortados a vigiar e orar. O segundo aspecto, às claras, é a volta do Senhor propriamente dita, que acontecerá depois de uma série de sinais: a vinda do anticristo, a grande tribulação, a marca da besta, o falso profeta, o sol escurecerá e a lua será como sangue. Quando esses sinais acontecerem, o Senhor virá.

Perguntas para compartilhar:

– Qual é o seu entendimento sobre o que será a grande tribulação?

– Qual é a sua percepção a respeito do que tem acontecido em Israel?

– Você está preparado para a volta de Jesus?


















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