A vara da lei e o bordão da graça.

Os eventos narrados em Números 20 aconteceram trinta e oito anos depois de os espias serem enviados de Cades-Barneia. Como você deve se lembrar, dez espias tiveram um relatório negativo, enquanto apenas Josué e Calebe tiveram fé para entrar na posse da herança. Aqueles dez influenciaram toda a congregação, por isso todos eles morreram no deserto. Foram libertos da escravidão do Egito, mas nunca entraram em Canaã. Agora temos uma nova geração que viu o mar ser aberto quando eram ainda crianças. São esses que entrarão na posse da herança. Moisés também não pode entrar na posse da terra por causa de um pecado.
O que aconteceu de tão drástico para que Deus fosse tão severo? Eles estavam tão perto da promessa, mas então Moisés cometeu um pecado que o desqualificou (Nm 20.2-12). Estavam peregrinando por quarenta anos e ainda assim continuavam murmurando. A murmuração é a primeira e mais evidente expressão da carne. Mas a primeira expressão de fé é sempre chegar-se ao Senhor para compartilhar a sua necessidade. Diante da situação de murmuração, Moisés e Arão se lançaram sobre o seu rosto e a glória de Deus apareceu. Então, quatro coisas precisam ser observadas aqui.

1 Em primeiro lugar, o Senhor mandou que Moisés pegasse o bordão.
2 Em segundo lugar, mandou que Arão estivesse junto.
3 Depois, mandou que se ajuntasse a congregação.
4 Por fim, mandou que Moisés ordenasse à rocha.

Quarenta anos antes, o Senhor havia tirado o povo do Egito e o conduzido no meio do mar, que se abriu, Ele lhes deu água em Mara, fez cair o pão do céu e então os levou até Refidim, onde Moisés feriu a rocha e dela saiu água. (Ex 17. 3-6)
Quando comparamos esses dois eventos, compreendemos melhor a seriedade do pecado de Moisés.

Pegue o Bordão
Na primeira vez, o Senhor mandou que Moisés tomasse o bordão com o qual ele feriu o Mar Vermelho. O bordão de Moisés simboliza julgamento, a lei. O primeiro milagre de Moisés foi transformar a água em sangue de morte, mas o primeiro milagre de Jesus foi transformar a água em vinho novo de vida e alegria. Esta é a diferença entre a graça e a lei. Quarenta anos antes, Deus mandou que a rocha fosse ferida, mas agora Moisés deveria apenas ordenar à rocha. É assim porque Cristo foi ferido uma única vez pelos nossos pecados.
Na primeira vez, o Senhor mandou que Moisés pegasse o bordão que ele tinha usado para abrir o Mar Vermelho, mas agora o Senhor manda pegar o bordão que estava diante dele no Tabernáculo (v. 9). O bordão de Moisés simboliza o julgamento de Deus, a lei, mas o segundo bordão tem um significado diferente. No capítulo 17, Deus mandou que se pegasse um bordão representando cada uma das doze tribos e os colocasse no Tabernáculo. No outro dia, o bordão representando Arão e a tribo de Levi havia florescido e dava amêndoas. Depois, o Senhor mandou que esse bordão fosse guardado dentro da Arca da Aliança.

Foi esse bordão que Deus mandou que Moisés levasse. Esse não é o bordão da lei, mas o bordão da graça. Ele fala de vida de ressurreição, da vida que vem da morte. Depois do inverno, a primeira árvore a dar fruto em Israel são as amendoeiras. O sinal da escolha de Deus é a vida de ressurreição. O verdadeiro ministério escolhido por Deus deve sempre liberar vida. Agora Moisés deveria tomar o bordão da vida e da graça junto com Arão, o sumo sacerdote, e ordenar à rocha.
Em Êxodo, a palavra “rocha” é tsur, que significa uma grande rocha, mas a palavra usada em Números é cela, que significa um penhasco, uma rocha alta. Isso para significar que agora Cristo foi exaltado com um nome acima de todo nome. Hoje, precisamos apenas falar à Rocha quando precisarmos do suprimento de vida, simbolizado pela água. Ele é tudo aquilo de que precisamos em nossa vida. Você não precisa falar aos homens, fale à Rocha.

Você não precisa fazer, precisa apenas falar. Moisés feriu a Cristo uma segunda vez. Evidentemente, ninguém pode ferir o Cristo glorificado, então a que se refere a tipologia bíblica aqui? Refere-se ao corpo de Cristo. Nós ferimos a Cristo quando ferimos a igreja, os irmãos, pois eles são o corpo de Cristo. Moisés feriu a Cristo quando chamou o povo de rebelde. Deus queria mostrar a sua graça aos olhos do povo. Eles sabiam que tinham pecado, mas Moisés preferiu condená-los. Quando pregamos palavras de condenação, nós ferimos o corpo de Cristo. No verso 11, lemos que Moisés feriu a rocha duas vezes com o seu bordão. Este é o bordão da lei, da condenação. Deus tinha mandado que ele usasse o bordão da graça, mas ele preferiu condenar o povo com o bordão da lei que estava sempre com ele. Nós temos hoje também a opção de usar o bordão da lei ou o bordão da graça, que é cheio de vida e fruto. Do ponto de vista estético, ninguém liga para um bordão cheio de flores, parece bem melhor usar um bordão mais másculo. Entretanto, do ponto de vida divino, somente a vida conta. Deus detesta a morte.

Não estou dizendo que não deva haver correção e disciplina no corpo de Cristo. Em todo relacionamento saudável, há a necessidade de disciplina. No entanto, não devemos confundir disciplina com condenação. Alguns pais dizem aos filhos: “Você é inútil, nunca dará coisa alguma na vida! Você é estúpido, nunca vai aprender nada!” Isso não é correção, é bater na Rocha. Muitos pastores fazem o mesmo com o corpo de Cristo. Não importa o problema ou a dificuldade, devemos falar à Rocha. Não batemos na igreja, não condenamos os irmãos, não ferimos o corpo de Cristo. Não bata no corpo, alimente-o. Você também não deve bater em si mesmo. Você é corpo de Cristo. Aqueles que vivem se condenando e se ferindo caem inevitavelmente em reprovação diante do Senhor, como Moisés.
Naquele dia, o povo bebeu água debaixo de condenação. Deus não quer que os seus filhos comam à mesa sentindo-se condenados. O Senhor quer demonstrar a todos a riqueza da sua graça. A consequência do pecado de Moisés foi que ele não pôde entrar em Canaã. Isso certamente foi assim para mostrar que a lei não nos pode conduzir à posse da herança.No fim, fica parecendo que o pecado de Moisés não teve perdão e suas consequências não puderam ser mudadas. No entanto, em Mateus 17, nós encontramos Moisés junto com Jesus dento da terra prometida. Em Cristo, a lei pode ser cumprida e todo pecado é cancelado.

Tome a arão.
O Senhor sabe da nossa sede por vida, realização, amor e reconhecimento, por isso Ele disse que estaria sobre a rocha quando Moisés a ferisse. O Senhor Jesus foi condenado pela lei de Deus para que tivéssemos acesso aos rios de água viva. Alguém teve de pagar pelo nosso pecado. Todo ser humano entende intuitivamente a necessidade de pagar pelo pecado. Crianças que não são disciplinadas se tornam ansiosas e problemáticas, porque elas erraram, mas não sentiram que pagaram pelo erro. Porém, quando são disciplinadas, elas ficam em paz. Creio que as doenças possuem um componente de autopunição. Quando a pessoa peca, ela intuitivamente quer que alguém pague. Algumas vezes, os filhos pagam, o cônjuge paga e muitas vezes a pessoa se torna doente como um tipo de autopunição inconsciente. Mas, quando cremos que todo pecado já foi pago, a doença perde espaço em nossa vida.

As doenças autoimunes são uma evidência desse princípio. Tudo o que os médicos podem dizer a respeito dessas doenças é que elas são o próprio organismo atacando a si mesmo. Os médicos podem aliviar os sintomas, mas não podem curar esse tipo de doença. Todo requerimento divino somente pode ser satisfeito de uma forma divina. Autopunição não satisfaz a justiça de Deus, por isso Cristo veio para ser punido em nosso lugar. Da primeira vez, Arão não estava lá, porque não havia sumo sacerdote quando Cristo morreu, mas depois da sua ressurreição, ele foi feito sumo sacerdote. O sumo sacerdote é um símbolo da graça de Deus.
Nos dias da lei, não importava quão bom fosse o povo, se o sumo sacerdote fosse ruim, Deus rejeitava a nação inteira. Todavia, se o povo fosse mau, o que era bem comum, mas o sumo sacerdote fosse bom, então toda a nação era abençoada. O problema é que o bom sumo sacerdote morria, mas nós temos um sumo sacerdote que vive para sempre. Deus trabalha com o princípio do representante. Foi apenas Davi que lutou e venceu Golias, mas se diz que a vitória foi da nação. Hoje, Cristo é o nosso sumo sacerdote; se Ele é aceito, nós somos também; se Ele é aprovado, nós todos somos abençoados.É por isso que João diz que, segundo Ele é, também nós somos neste mundo (1Jo 4.17). Se Ele é justo, nós somos justos neste mundo. Se Ele é santo, nós somos santos neste mundo. Se Ele é aceito e abençoado, também nós somos neste mundo. Pelo princípio do representante, Deus nos trata de acordo com Cristo.

Reúna a congregação.
Na primeira vez, o Senhor mandou levar os anciãos de Israel, mas agora o Senhor mandou falar diante de toda a congregação. O que isso significa? Agora, temos a congregação de santos, a igreja do Senhor. No Velho Testamento, havia uma classe separada, mas agora temos um reino de sacerdotes. Nessa ocasião, Arão ainda não havia sido ungido sumo sacerdote, mas na segunda vez, o Senhor manda que Moisés leve Arão. Hoje, nós temos um sumo sacerdote que já fez a reconciliação com Deus.

Fale a rocha
Antes de tudo, você precisa ter em mente que a Rocha aqui é Cristo. (I Co 10.4) O Senhor permite que cheguemos a situações extremas, como essa onde não havia água, para manifestar o que está em nosso coração. Muitas vezes, estamos cheios de reclamações, murmurações e incredulidade. Quando não sabemos o que está em nosso coração, nunca vamos valorizar o que está no coração do Pai. Este é o propósito do deserto, mostrar o nosso coração e revelar a graça de Deus.
A ordem do Senhor foi para que se falasse à Rocha diante da congregação, mas Moisés inverteu a ordem e falou ao povo diante da Rocha. Hoje, muitos ministérios sofrem perda porque não falam à Rocha, mas costumam falar muito ao povo. O problema é o que falamos ao povo. Normalmente, somos tentados a fazer como Moisés e chamá-los de rebeldes. Pensamos que podemos mudá-lo com palavras duras que ferem a Rocha. É digno de menção que esta foi a única vez em quarenta anos que Moisés os chamou de rebeldes. É interessante que, mesmo tendo errado, Deus honrou Moisés e a água saiu da rocha. Não devemos ficar impressionados porque a água sai da rocha quando pastores legalistas batem no povo com a lei. Nem sempre o resultado é sinal de aprovação. Quem é aprovado sempre tem resultados para mostrar, mas nem todos que mostram resultados foram aprovados.
Alguns ministérios têm uma mistura de lei e graça e mesmo assim crescem. Mas não devemos nos iludir com os resultados, devemos observar o que eles ensinam. Deus continua suprindo o seu povo porque os ama, mas a liderança pode vir a ser reprovada e rejeitada. Em 2 Coríntios 3.9, diz que o ministério da condenação possui alguma glória. Aqueles que pregam a condenação e colocam jugo sobre o povo ainda possuem alguma glória, mas a glória dos ministros da Nova Aliança é muito maior e eles são muito mais cheios de vida.

Muitos pensam que o pecado de Moisés foi ter ficado irado. Mas isso não parece ser verdade. Moisés ficou irado e nervoso em outras ocasiões e o Senhor nem mesmo o repreendeu. Quando ele desceu do monte e viu a congregação diante do bezerro de ouro, ele quebrou as tábuas da lei de tão irado que estava. Mas nada aconteceu com ele, o Senhor simplesmente mandou que ele escrevesse novamente. A ira de Moisés naquele momento estava em linha com a ira de Deus. A verdade é que o bezerro de ouro tinha também irado o Senhor. A ira nem sempre é pecaminosa. Efésios 4.26 diz: “Irai-vos e não pequeis”. Podemos ficar irados com aquilo que desagrada ao Pai. Jesus ficou irado com os fariseus, mas nunca se irou com um pecador. Ele ficou irado com o líder da sinagoga quando queria proibir um homem da mão ressequida de ser curado no sábado. Lembre-se sempre de que Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Se o pecado de Moisés não foi a sua ira, o que foi então? A situação agora é muito mais grave. O Senhor disse que Moisés não o santificou diante da congregação. Deus queria mostrar sua graça, mas Moisés mostrou a condenação da lei.

Em Romanos 10, Paulo diz que aquele que pratica a justiça da lei vive por ela. Mas a justiça decorrente da fé apenas diz, fala. Assim, a lei é baseada no fazer, mas a graça procede da fé, que se expressa no falar. Portanto, a lei faz, mas a fé fala. (Rm 10.5-6) Deus fez todas coisas apenas falando. A obra de Deus é falar. Hoje, Deus quer que atuemos da mesma forma. Uma forma de entender a diferença entre a lei e a graça é entendendo que aqueles que vivem na lei estão sob o espírito de servidão. O servo faz as coisas. Mas, na Nova Aliança, fomos feitos filhos e consequentemente reis e sacerdotes (Ap 1.6). Assim, na Nova Aliança, nós apenas falamos porque somos reis sentados em tronos. Servos fazem, mas reis ordenam. No palácio, todos os que trabalham são servos e escravos, mas o rei não faz, ele fala e as coisas acontecem. Como sacerdotes, nós usamos as palavras para adorar e louvar a Deus e, como reis, usamos nossa palavra para alterar as circunstâncias.
Esses dois eventos de Moisés em Refidim apontam para as duas alianças. Na primeira vez, Moisés feriu a Rocha. Isso aponta para a Velha Aliança. Mas, na segunda vez, Deus mandou que ele falasse. Esta é a Nova Aliança, nós apenas falamos e a Rocha libera o seu rio de vida sobre nós. Que cada um compreenda hoje que o milagre está na sua boca apenas esperando para ser liberado.

Em Romanos 10, Paulo diz que aquele que pratica a justiça da lei vive por ela. Mas a justiça decorrente da fé apenas diz, fala. Assim, a lei é baseada no fazer, mas a graça procede da fé, que se expressa no falar. Portanto, a lei faz, mas a fé fala. (Rm 10.5-6) Deus fez todas coisas apenas falando. A obra de Deus é falar. Hoje, Deus quer que atuemos da mesma forma. Uma forma de entender a diferença entre a lei e a graça é entendendo que aqueles que vivem na lei estão sob o espírito de servidão. O servo faz as coisas. Mas, na Nova Aliança, fomos feitos filhos e consequentemente reis e sacerdotes (Ap 1.6). Assim, na Nova Aliança, nós apenas falamos porque somos reis sentados em tronos. Servos fazem, mas reis ordenam. No palácio, todos os que trabalham são servos e escravos, mas o rei não faz, ele fala e as coisas acontecem. Como sacerdotes, nós usamos as palavras para adorar e louvar a Deus e, como reis, usamos nossa palavra para alterar as circunstâncias.
Esses dois eventos de Moisés em Refidim apontam para as duas alianças. Na primeira vez, Moisés feriu a Rocha. Isso aponta para a Velha Aliança. Mas, na segunda vez, Deus mandou que ele falasse. Esta é a Nova Aliança, nós apenas falamos e a Rocha libera o seu rio de vida sobre nós. Que cada um compreenda hoje que o milagre está na sua boca apenas esperando para ser liberado.

Perguntas para compartilhar:
1. Se o pecado de Moisés não foi a sua ira, o que foi então?
2. Por que precisamos saber sobre a graça?

Tags