A purificação do leproso

O que Deus deseja dos seus filhos é que tenham uma profunda percepção do seu amor por eles. Aquele que mais agrada a Deus é o que sabe que é amado por Ele. Quanto mais conscientes nos tornamos do amor de Deus, mais Ele tem prazer em nós. Esta é a fé verdadeira, crer que somos amados sem qualquer merecimento. É verdade que Deus ama todos os filhos igualmente, mas Ele tem mais prazer naquele que sabe e crê que é amado. O trabalho de cada líder é ministrar ao povo de Deus um senso vivo do amor de Deus. Não somos alimentados com regras, regulamentos e mandamentos, mas somente pelo amor do Pai.

Logo depois de liberar a Constituição do Reino no Sermão do Monte, a primeira pessoa com quem o Senhor se deparou foi com um leproso. Um leproso era considerado impuro e por isso não poderia se misturar com a multidão, caso contrário seria apedrejado.
Ora, descendo ele do monte, grandes multidões o seguiram. E eis que um leproso, tendo-se aproximado, adorou-o, dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me. E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo da sua lepra. Disse-lhe, então, Jesus: Olha, não o digas a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e fazer a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho ao povo. (Mt 8.1-4)

Observe que o leproso não duvidava que Jesus tinha poder para purificá-lo, mas ele não sabia se Jesus queria usar o seu poder para curá-lo. Esta é a mesma condição da maioria das pessoas hoje. Elas não duvidam do poder de Deus, apenas não sabem se Deus quer operar na vida delas, porque acreditam que precisam merecer a bênção antes de recebê-la e, como sabem que não merecem, não têm fé para receber. A resposta do Senhor ao leproso estabelece a sua vontade de uma vez para sempre: “Quero”. Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Hoje, Ele quer nos curar e purificar. Na lei, se você tocasse numa pessoa impura, você se tornava impuro também, mas agora o Senhor tocou no leproso impuro e foi a pureza do Senhor que passou para o que antes estava enfermo. Na graça, nós transmitimos pureza.

O Senhor fez o milagre inteiramente pela graça. O leproso não tinha nada para dar ao Senhor em troca. O Senhor não faz porque somos bons, mas porque Ele é bom. Somente a graça pode tributar toda glória a Deus. A lepra é um símbolo do pecado na Palavra de Deus. No Velho Testamento, nada poderia ser mais terrível do que alguém com lepra. Esta pessoa era expulsa da cidade e condenada a viver isolada nos ermos da terra. Ela não poderia voltar para a sua casa, acalentar os seus filhos ou abraçar a sua esposa. Nunca poderia fazer parte do culto da congregação.

Em Levítico 14, temos a descrição de como um leproso curado poderia ser purificado. Este é um quadro alegórico de como somos purificados pelo Senhor. Disse o SENHOR a Moisés: Esta será a lei do leproso no dia da sua purificação: será levado ao sacerdote; este sairá fora do arraial e o examinará. Se a praga da lepra do leproso está curada, então, o sacerdote ordenará que se tomem, para aquele que se houver de purificar, duas aves vivas e limpas, e pau de cedro, e estofo carmesim, e hissopo. Mandará também o sacerdote que se imole uma ave num vaso de barro, sobre águas correntes. Tomará a ave viva, e o pau de cedro, e o estofo carmesim, e o hissopo e os molhará no sangue da ave que foi imolada sobre as águas correntes. E, sobre aquele que há de purificar-se da lepra, aspergirá sete vezes; então, o declarará limpo e soltará a ave viva para o campo aberto. (Lv 14.1-7)

O leproso era trazido
A primeira coisa que o texto diz é que o leproso era trazido. Isso indica a presença de uma terceira pessoa. O leproso representa eu e você. Sei que é desagradável pensar assim, mas nós estávamos perdidos no pecado. Éramos estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo. Nunca podériamos achar o caminho, mas nós fomos trazidos ao sacerdote, que é Cristo. A pessoa que traz o leproso não tem nome porque aponta para o Espírito Santo. Ele nunca chama a atenção para si mesmo, mas unicamente para Cristo.

Para fora do arraial
O sacerdote, então, deveria sair fora do arraial para examinar o leproso. O Senhor Jesus deixou a sua glória e veio nos encontrar onde estávamos. Em Mateus 8, o Senhor saiu do acampamento dos judeus e veio para fora onde estava o leproso. O Senhor pagou a nossa dívida fora do arraial, onde nós estávamos confinados (Hb 13.13). Se o Senhor não saísse lá fora para encontrar o leproso, não haveria esperança para ele, pois de si mesmo nunca poderia entrar.

Fora do arraial, o sacerdote deveria examinar o leproso para ver se ele estava curado. O sacerdote não tinha poder para curar o leproso, mas somente para examinar se a lepra estava lá. Isso aconteceu por mil e quinhentos anos, o tempo que durou a lei. Nesse tempo, ninguém veio ao sacerdote dizendo que estava curado. Em todo o Velho Testamento, só há a menção da cura de um leproso, Naamã, mas ele não era judeu e portanto não seguiu o ritual de purificação. Debaixo da lei, ninguém foi curado de lepra.

Duas aves
Duas aves eram separadas. Uma era sacrificada dentro de um vaso e o sangue era colocado sobre a outra ave viva. Então, o sangue era aspergido sobre o leproso que era assim declarado limpo. Essas duas aves apontam para o Senhor Jesus, que veio do céu. A ave que é sacrificada aponta para o Senhor Jesus morto na cruz. A outra ave molhada com sangue é o Senhor Jesus em ressurreição. Essa ave agora molhada com o sangue era solta, apontando para o Senhor Jesus, que ressuscitou e voltou para Pai. Esta é a maneira como o nosso pecado é purificado.

Na lei, o leproso precisava ser curado e então purificado. Mas o Senhor Jesus purificou primeiro o leproso e depois ele foi curado (Mt 8.3). Na verdade, o Senhor fez as duas coisas ao mesmo tempo. O sacerdote do Velho Testamento não tinha poder para curar, mas o Senhor Jesus é rei e sacerdote. Como rei, Ele ordena a cura; e, como sacerdote, Ele declara o leproso limpo. O rei Jesus usou seus decretos reais não para comandar que as pessoas o servissem, mas, como rei, ele usou os seus decretos para salvar, curar, libertar e purificar. Este é o nosso Deus.

A unção e a purificação
O sacerdote tomará do sangue da oferta pela culpa e o porá sobre a ponta da orelha direita daquele que tem de purificar-se, e sobre o polegar da sua mão direita, e sobre o polegar do seu pé direito. (Lv 14.14)

O que você ouve afeta o que você faz, e o que você faz determina a direção do seu caminhar. Por isso, o sangue era aplicado na orelha direita, no polegar direito da mão e no polegar direito do pé.
[…] do restante do azeite que está na mão, o sacerdote porá sobre a ponta da orelha direita daquele que tem de purificar-se, e sobre o polegar da sua mão direita, e sobre o polegar do seu pé direito, em cima do sangue da oferta pela culpa, o restante do azeite que está na mão do sacerdote, pô-lo-á sobre a cabeça daquele que tem de purificar-se; assim, o sacerdote fará expiação por ele perante o SENHOR. (Lv 14.17)

O óleo representa a unção, o Espírito Santo. Veja que o óleo vem sobre o sangue na orelha direita, no polegar direito da mão e no polegar direito do pé. Onde o sangue toca, o Espírito confirma. Sempre que o sangue de Jesus é proclamado, o Espírito Santo vem para confirmar. O Espírito não opera simplesmente porque você prega sobre o próprio Espírito Santo. Mas, quando pregamos sobre o sangue de Jesus, o Espírito vem para confirmar com a unção. A igreja que prega o evangelho da graça e a obra consumada do Calvário tem sempre a manifestação do poder do Espírito para atestar a mensagem.

O restante do óleo o sacerdote aplicava na cabeça do leproso que havia sido purificado. Nos dias do Velho Testamento, somente reis, profetas e sacerdotes recebiam a unção de Deus. Somente esses eram ungidos. O que isso significava na prática? Que tais pessoas recebiam habilidades especiais. O que outros faziam com muito esforço e dificuldade essas pessoas apenas tocavam e a obra era feita. Mas agora aqueles que eram os últimos dos últimos também tinham esse privilégio.

Deus escolheu os fracos
A graça de Deus não é atraída pela força do homem. A graça de Deus se manifesta sempre na fraqueza. Naquela área em que você pensa que é forte, ali você é fraco, pelo motivo óbvio de que o favor imerecido não pode ser merecido. Porque, se o favor de Deus pode ser merecido de alguma maneira, já não será mais graça.
Você está enfrentando lutas em alguma área? Se você tiver olhos para ver, você perceberá que é justamente nessa área que a graça de Deus tem sido mais abundante. Muitos querem ser fortes em si mesmos, mas Paulo diz que é a graça que nos faz fortes. Ele diz a Timóteo: 

Tu, pois, filho meu, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus. (2Tm 2.1)
É esta exatamente a ideia de Paulo quando ele diz que a graça nos basta. O que ele está dizendo é que a graça nos fortalece de tal forma que não precisamos de outra coisa.
E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte. (2Co 12.7-10)

Nós estamos sempre procurando nossos pontos fortes e escondendo nossas fraquezas, mas Paulo diz exatamente o contrário. Ele diz que deveríamos, na verdade, nos gloriar nas fraquezas. Quando nos gloriamos nas fraquezas, a graça nos fortalece e o poder de Cristo respousa em nós. Sempre haverá superabundante graça para toda grande fraqueza. Quando você admite que tem um problema numa área e clama pela graça, pelo favor imerecido, você receberá poder sobrenatural para vencer aquela fraqueza. A graça de Deus é atraída pela fraqueza humana. Somente na fraqueza existe favor imerecido.

Perguntas para compartilhar: 
1- Por que o cristão não deve viver debaixo da lei?
2- Por que a graça de Deus se manifesta na fraqueza?

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