A nova e eterna aliança

Você não é herdeiro porque se comporta bem, você é herdeiro porque é filho.
Apesar de estarmos na Nova Aliança, há muitos que ainda vivem de acordo com os preceitos da Velha Aliança. No Velho Testamento, havia um céu de bronze sobre a cabeça dos homens, porque nenhum deles podia cumprir as exigências da lei. Mas, no Novo Testamento, não há mais céu de bronze, porque o céu foi aberto sobre nós.

Por que o céu está aberto? Porque você está em Cristo. Lá no Calvário, aconteceu a grande troca. Cristo se tornou o que eu era para que eu seja o que Ele é. Ele tomou o meu lugar na cruz para que hoje eu ocupe o lugar que é d’Ele na glória. Essa grande troca do Calvário faz com que hoje Deus trate você como se fosse Cristo.

Você foi unido a Ele. A posição d’Ele é a sua. Quando você chega diante de Deus, Cristo está chegando junto com você.

É verdade que o céu está aberto apenas sobre Cristo. A Bíblia diz que, no dia do batismo, quando Ele entrou na água, os céus se abriram sobre Ele. Isso significa que, onde Cristo está, o céu está aberto. O céu não está aberto sobre mim ou sobre você individualmente. Como, então, Deus pode nos abençoar? Ele nos coloca em Cristo. Agora, estando em Cristo, desfrutamos do céu que está aberto sobre Ele.

O princípio do representante

Deus se relaciona conosco com base no representante. Este é um princípio presente em toda a Palavra de Deus. Ninguém pode chegar diante de Deus diretamente, precisa de um representante. É por isso que Jesus disse que ninguém vai ao Pai senão por meio d’Ele. Ele é o nosso sumo sacerdote, o nosso representante.

Quando Adão pecou, por exemplo, nós pecamos com ele. Ele era o nosso representante. Todos nós estávamos nele. Mas hoje o Senhor Jesus é o segundo Adão, o cabeça de uma nova raça. Quando nós cremos em Cristo, nós somos colocados n’Ele de forma que Ele se torna o nosso representante. Se Ele obedeceu, para Deus é como se nós tivéssemos obedecido. Se Ele venceu, a vitória é nossa também (Rm 5.19).

Deus quer que saibamos que, na cruz, o Senhor Jesus se tornou o que nós éramos para que possamos nos tornar o que Ele é (2Co 5.21).

Como o Senhor Jesus, que nunca cometeu pecado, tornou-se pecado? Ele recebeu o nosso pecado. Como nós, que nunca praticamos a justiça, tornamo-nos justos? Nós recebemos a justiça d’Ele. Esta é a grande troca do Calvário. Quando Jesus recebeu o nosso pecado, Deus o julgou e o puniu. Quando recebemos a Cristo como a nossa justiça, Deus nos abençoa. O Senhor não merecia se tornar pecado, e nós não merecemos ser feitos justos.

Davi e Golias ilustram o princípio do representante. Golias desafiou o exército de Israel, dizendo: “Escolham um para lutar comigo. O que vencer a luta venceu a guerra!” Quando Davi o venceu, a vitória não foi somente de Davi, mas de todo o Israel. Davi e Golias eram representantes.

O mesmo princípio se aplicava ao sumo sacerdote. Ele representava todo o povo diante de Deus. Se o sumo sacerdote entrasse no santo dos santos e caísse morto ali, ele seria arrastado para fora e toda a nação saberia que Deus os havia rejeitado. Eles agora teriam um ano ruim com derrota para os inimigos, seca e fome. Mas quando o sumo sacerdote saía do santo dos santos vivo, ele erguia a sua mão para abençoar a nação e agora eles sabiam que Deus os havia aceitado e eles teriam um grande ano com chuva e abundância. O que Deus estava dizendo é que, se o seu sumo sacerdote é bom, você estará bem.

Agora nós temos um sumo sacerdote que vive para sempre. Quando o sumo sacerdote é aceito, nós somos aceitos também, e hoje o nosso sumo sacerdote é Jesus. João diz que, como Ele é, nós somos neste mundo. Se Ele é aceito por Deus, nós também somos aceitos. Se Ele é justo, nós também somos justos. Se Ele é saudável, nós também somos neste mundo. Se Ele é próspero, nós também somos. Se Ele está debaixo do favor de Deus, nós também estamos.

As cláusulas da Nova Aliança

A lei foi dada por meio de Moisés, mas, mil e quinhentos anos depois, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. Hoje, a presente verdade é a Nova Aliança (Hb 8.7-12).

O próprio Deus diz que a Velha Aliança tinha defeito. Deus achou defeito num sistema perfeito porque o seu povo é imperfeito. Agora Deus faz uma nova aliança e Ele mesmo diz que cumprirá todas as cláusulas dessa aliança, e não há menção de condições impostas ao seu povo.

O texto de Hebreus 8 é uma citação de Jeremias 31.33-34, na qual são colocadas as cláusulas da Nova Aliança. O Senhor diz que fará quatro coisas:
• Na sua mente, imprimirei as minhas leis;
• Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo;
• Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, dizendo: Conhece ao Senhor;
• Dos seus pecados jamais me lembrarei.

1. Na sua mente, imprimirei as minhas leis

Em primeiro lugar, Ele diz que vai escrever suas leis em nosso coração. Eu gostaria de poder colocar dentro do meu filho o desejo de comer brócolis, mas não tenho esse poder. Deus, porém, pode e é exatamente isso o que Ele fez, Ele colocou a sua lei dentro de nós. Hoje, nós temos no nosso coração o desejo de fazer a sua vontade. O problema da lei é que ela não muda o interior do homem. Ela toca apenas o exterior, e isso não satisfaz a Deus.

Vamos usar o casamento como ilustração. Imagine que o meu casamento é uma união segundo o princípio da lei. Eu chego até a minha esposa e digo os mandamentos da minha. Primeiro mandamento: “Amará o teu marido de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento”. Segundo mandamento: “Farás comida todos os dias para o teu marido”. Terceiro mandamento: “Beijarás o teu marido”. Quarto mandamento: “Farás sexo com o teu marido”.

Certo dia, chego à minha casa, vejo o jantar pronto e fico contente. Então, pergunto à minha esposa: “Por que você fez o jantar?” E ela diz: “É o segundo mandamento. Eu até nem queria fazer a comida, mas preciso cumprir o mandamento”. Eu lhe peço um beijo. Ela prontamente me beija, dizendo que esse é o terceiro mandamento. Eu fico confuso e lhe pergunto: “Você me ama?” “Claro!” Ela responde. “Esse é o primeiro mandamento, lembra?” Creio que nenhum de nós gostaria de estar casado com uma mulher que nos beija ou faz sexo conosco porque a lei manda. Nós queremos ser amados.

Agora imagine um casamento segundo a graça. Em vez de dar à minha esposa mandamentos, eu decido conquistar o coração dela mostrando-lhe o quanto eu a amo. Eu trabalho e faço todo sacrifício para que ela seja suprida e feliz. Num dia, chego à minha casa e a comida não foi feita. Imediatamente, eu saio para comprar comida, mas como não tem restaurante aberto, eu compro os ingredientes e eu mesmo cozinho para ela. No fim, eu lhe pergunto: “Você me ama?” “Como posso não amar?” Responde ela. “Você me ama tanto que me conquistou com tanto carinho e dedicação”.

A Velha Aliança é: “Amarás o Senhor teu Deus”. Mas a Nova Aliança é: “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro”. Hoje, o nosso amor é uma resposta ao amor d’Ele por nós (1Jo 4.19).

2. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo

A segunda cláusula da Nova Aliança é: “Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo”. Esta é uma afirmação poderosa, pois se estivermos doentes, Ele será o nosso Deus e nós teremos cura. Se estivermos necessitados, Ele será o nosso Deus e nós teremos plena provisão.

Quando o anjo veio anunciar o nascimento do Senhor, ele disse que o seu nome seria “Salvador”, literalmente Yeshua. Não é que Ele veio nos ensinar um caminho de como ser salvo, Ele veio para nos salvar. Ele mesmo é a nossa salvação. Esta é uma diferença entre a lei e a graça. Quando pregamos a lei, nós dizemos às pessoas o que elas precisam fazer, mas quando pregamos a graça, nós falamos do que o Senhor faz por nós. Quando temos uma crise no casamento, nós não pensamos que precisamos de um salvador, mas presumimos que devemos aprender como nós mesmos podemos salvar o nosso casamento.

É por isso que muitos pastores pregam um tipo de autoajuda. Se você está em crise no casamento, eu vou lhe ensinar sete passos de como salvá-lo, dez passos de como ter uma união feliz. Tudo isso é o que você mesmo pode fazer, mas viver na graça significa crer que Ele mesmo vai nos tirar do buraco.

Todos queremos aprender como transformar o nosso casamento de água em vinho. Mas não temos como fazer isso a não ser que Jesus seja convidado para fazer o milagre. E quando Ele faz, o milagre acontece num instante, e não num processo que leva toda a vida.

Sempre associamos salvação a ser salvo do inferno e da condenação, mas a palavra “salvar” é sozo, e ela significa muito mais que isso. Nós podemos ser salvos de uma enfermidade, de uma vida de pobreza, e claro, de um casamento ruim. Ele, porém, não nos salva destruindo o casamento, mas mudando a nossa sorte. O nosso Salvador quer nos salvar de tudo isso.

3. Todos me conhecerão

A terceira cláusula é que “todos conhecerão o Senhor, desde o menor deles até ao maior, diz o Senhor”. O conhecimento de Deus hoje é intuitivo dentro de nós. Nós podemos ter comunhão com Ele em nosso espírito. Não importa se somos crianças ou velhos, cultos ou iletrados, todos podemos conhecer a Deus.

4. Dos seus pecados jamais me lembrarei

Por fim, na última cláusula da Nova Aliança, o Senhor diz: “Para com as suas iniquidades, usarei de misericórdia e dos seus pecados jamais me lembrarei”. Esta é a cláusula que torna possível todas as outras.

Debaixo da lei, o Senhor disse que visitaria a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e a quarta geração, mas agora Ele não se lembra mais de nossos pecados (Êx 20.5). Enquanto Deus se lembra, Ele julga, mas agora não há mais lembrança de nenhum dos nossos pecados. Isso significa que não há mais condenação sobre nós e nem sobre os nossos filhos e netos.

Na Velha Aliança, os sacrifícios de sangue de animais apenas cobriam os pecados dos filhos de Israel durante somente um ano; o processo tinha de ser repetido a cada ano (Hb 10.3). Mas agora o sangue de Jesus removeu os pecados – passados, presentes e futuros – dos crentes, completa e perfeitamente, de uma vez por todas (Hb 10.11-12).

Qual é a parte do homem na Nova Aliança? Ele não tem de fazer coisa alguma, apenas crer. O justo viverá pela fé. Por que muitos não conseguem crer que a lei foi escrita em nosso coração? Por que não conseguem crer que Deus é o seu Deus no meio da necessidade? Por que pensam que não podem conhecer o Senhor? Tudo isso é porque não creem que o Senhor se esqueceu do seu pecado.

Muitos ainda se achegam a Deus na posição de pecadores, mas você hoje foi declarado justo. Ore como filho: “Pai, eu sou seu filho e sou coerdeiro com Cristo. Fui justificado pela fé e hoje tenho a justiça de Cristo. Meus pecados foram todos cancelados e o Senhor não se lembras de nenhum deles”. Esta é uma oração poderosa, porque honra a aliança.

Deus é o seu pai. Você é filho e herdeiro. Você não é herdeiro porque se comporta bem, você é herdeiro porque é filho. Muitos não conseguem ter esperança por causa do medo da condenação e da ira de Deus. Mas a verdade é que, sobre nós, não há mais condenação, e o Senhor jurou que não mais se iraria contra nós (Is 54.9).

A nossa esperança não é baseada em algo vago e nem é um tipo de salto no escuro, mas está firmada na fidelidade de Deus em sua aliança. O Senhor se comprometeu a nos dar um grande futuro por causa da Nova Aliança. “Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim” (Jr 32.40).

Perguntas para compartilhar:
1. O que significa o princípio do representante?
2. Qual é o problema da lei?

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