A libertação da lei e do pecado

Disse o SENHOR a Moisés: Ordena aos filhos de Israel que lancem para fora do arraial todo leproso, todo o que padece fluxo e todo imundo por ter tocado em algum morto. (Nm 5.1-2)

Três tipos de pessoas não podiam fazer parte da congregação dos filhos de Israel: o leproso, o que padecia de fluxo e o que tinha tocado no morto. Todos esses três são tipos do pecado em diferentes aspectos. A lepra simboliza o pecado passivo; o fluxo é um pecado mais ativo; e tocar um cadáver é um pecado por associação. O pecado pode acontecer dessas três formas: por omissão, quando não fazemos o certo; por comissão, quando fazemos o errado; e por nos associarmos com aquele que comete pecado.

Muitas pessoas pensam que não há nada de errado em assistir a certos programas na TV, filmes e shows. Na verdade, podemos estar tocando em cadáveres e cometendo pecado por associação. Se você assiste a um vídeo pornográfico, mesmo que não tenha feito nada, apenas assistido, você se associou ao pecado daquele filme. O primeiro milagre de Jesus mencionado em Mateus, logo depois do Sermão do Monte, foi purificar um leproso (Mt 8.2). Depois, em Mateus 9.20, ele curou a mulher que padecia de fluxo por doze anos. E, sobre os mortos, nós sabemos que o Senhor os ressuscitou. Isso significa que o Senhor nos liberta de todo tipo de pecado. Precisamos confessar mais e desfrutar mais da verdade do evangelho da graça.

Todo crente já foi liberto do pecado, mas poucos, de fato, acreditam nessa afirmação. Eles veem diariamente fatos que parecem contradizer essa verdade. Todo o problema acontece porque não entendemos claramente o que significa ser liberto do pecado. O que significa ser liberto do pecado? Ser liberto do pecado é ser liberto da condenação do pecado. Isso está colocado em Romanos 6.

Eu morri para o pecado
Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus. (Rm 6.10-11). Para compreendermos a nossa libertação, primeiro precisamos perceber que Cristo morreu para o pecado. O verso 10 diz claramente que Cristo morreu para o pecado. Em que sentido Ele morreu para o pecado? Em primeiro lugar, Ele não morreu para a influência do pecado, uma vez que Ele não tinha a natureza do pecado, portanto Ele não tinha nenhuma atração do pecado.

Em segundo lugar, Ele não morreu para a prática do pecado, pois Ele nunca cometeu pecado. Então, por qual aspecto do pecado Cristo morreu? Na cruz, Ele recebeu a condenação pelos nossos pecados. Ele foi condenado de uma vez por todas por causa dos nossos pecados. Agora, veja que o verso 11 começa com a expressão: “Assim também vós […]”. Essa expressão significa “do mesmo modo que Ele”. Em outras palavras, o verso 11 diz: “Do mesmo modo que Cristo morreu pelo pecado, vocês também devem se considerar mortos para o pecado”.

Cristo morreu para sofrer a condenação do pecado. Assim, eu devo me considerar morto para toda condenação também. No passado, eu aprendi que Cristo havia morrido para a prática do pecado. Assim, eu pensava que eu deveria me considerar morto o tempo todo. Eu ficava confessando que estava morto, mas, quanto mais confessava, mais vivo para o pecado eu percebia que estava. Simplesmente não funciona. A crença estava equivocada. Eu estou morto para toda condenação, mas não estou morto para a influência, para a tentação ou para a prática do pecado. Eu preciso confessar todo o tempo que estou livre de toda condenação do pecado. É isso o que nos livra da escravidão.

Livre do poder do pecado
Mas eu não sou livre do poder do pecado? Para responder a essa pergunta, você precisa saber o que é a força ou poder do pecado. A Palavra de Deus diz claramente que a força do pecado é a lei. O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. (1 Co 15.56)

Para ser liberto do poder do pecado, eu preciso antes ser liberto da lei. É a lei que dá poder ao pecado, portanto ser livre da lei é fundamental. Mas como posso ser livre da lei? Você precisa apenas crer que a morte do Senhor foi também a sua morte. Quando Ele morreu, nosso velho homem também morreu, e quando Ele ressuscitou, também ressuscitamos com Ele. Você era casado com a lei. Porém, uma vez que você morreu, o casamento acabou, e agora, depois de ter nascido de novo, você está casado com Cristo. Uma definição simples de lei é “favor merecido”. Enquanto você viver tentando merecer a bênção de Deus, tentando conquistar o seu amor com o seu bom comportamento, você estará vivendo na lei. Eu sei que parece loucura dizer isso, mas enquanto você viver assim, o pecado será cada vez mais forte em sua vida. A força do pecado é a lei.

Fuja do pecado
Então, uma vez que sou liberto da lei, eu nunca mais terei tentações? Sim, você ainda as terá e poderá ainda cair quando tentado, mas como já morreu para a condenação, você não perderá a sua posição diante de Deus. Hoje, não somos desafiados a vencer o pecado, mas a apenas fugir dele. Nós precisamos aprender a fugir de tudo o que dá ocasião à carne. Em outras palavras, preciso fugir de toda tentação. Compreenda que faz parte da graça orar para não entrar em tentação e não somente para não cair. Precisamos aprender a orar antes que as provações e tentações aconteçam. Durante muito tempo, eu aprendi e até ensinei que as provações nos fazem mais fortes, mas o Senhor nos ensinou a orar para não entrarmos em tentações e provas.

Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. (Mt 26.41)
A vontade do Senhor é que não entremos em tentação, mas se tivermos de passar por elas, devemos ficar firmes na fé e no amor de Deus, sempre nos alimentando de Cristo. E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém! (Mt 6.13)

Todos os dias, eu oro dessa forma por mim e pela minha família. Eu creio que é a melhor oração que podemos fazer. Nós podemos ser livrados de tentações e provas. Deus nos tem dado provisões para que vivamos dessa forma.

Livres da lei
Não há libertação do poder do pecado a menos que experimentemos libertação da lei. Lembre-se de que a lei é demanda e exigência de Deus, fomos libertos das suas demandas. Hoje, Ele cumpre suas próprias exigências em nós e por nós. Os cristãos não precisam guardar a lei. Este é um grande problema, a maioria dos cristãos que conheço é extremamente confusa sobre isso. Eles sabem que estão na Nova Aliança, mas também sabem que Deus deu a lei, então eles presumem que precisam ainda guardar a lei. 

A verdade é que a lei passou completamente para nós. Muitos pensam que não matamos o próximo porque a lei diz “não matarás”, mas a verdade é que não matamos porque o amor de Deus foi derramado em nosso coração. Recebemos uma nova natureza que rejeita o homicídio. É por isso que Paulo diz, em Gálatas 5.18, que o Espírito substituiu a lei. A lei foi escrita em tábuas de pedra na Velha Aliança, mas agora a vontade de Deus está escrita em nosso coração. Este é o Espírito que nos foi dado. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei. (Gl 5.18)

Não é a lei que determina a nossa conduta. Vamos encarar a verdade, tivemos a lei por milhares de anos e ela não fez muito para nos impedir de pecar.
Nossa decisão de andar no Espírito ou não é o fator decisivo em nossa caminhada cristã. Em 1 Timóteo 1.9-10, diz que “a lei não é para os justos, mas para os injustos”. Hoje, fomos justificados pela fé, recebemos a justiça de Cristo, por isso a lei não é para nós.

Tendo em vista que não se promulga lei para quem é justo, mas para transgressores e rebeldes, irreverentes e pecadores, ímpios e profanos, parricidas e matricidas, homicidas, impuros, sodomitas, raptores de homens, mentirosos, perjuros e para tudo quanto se opõe à sã doutrina. (1 Tm 1.9-10).

A lei é um jugo insuportável 
Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais puderam suportar, nem nós? (At 15.10)

A lei revela o pecado, mas não pode corrigi-lo
Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado. (Rm 3.20)

Se a lei funcionasse, então a fé seria irrelevante
Pois, se os da lei é que são os herdeiros, anula-se a fé e cancela-se a promessa. (Rm 4.14)

A lei traz ira sobre aqueles que a seguem (Rm 4.15). 
O objetivo da lei era aumentar o pecado (Rm 5.20).

Os cristãos não estão debaixo da lei
Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça. (Rm 6.14)

Os cristãos foram libertos da lei (Rm 7.1-6).
A lei é boa, perfeita e santa, mas não pode ajudá-lo a ser bom, perfeito ou santo (Rm 7.7-12).
A lei que promete a vida só traz a morte através do pecado (Rm 7.10).
A lei faz você pecaminoso além da medida (Rm 7.13).
A lei é fraca (Rm 8.2-3).

A força do pecado é a lei 
O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. (1 Co 15.56)

A lei é um ministério de morte 
E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente, como não será de maior glória o ministério do Espírito! (2 Co 3.7-8)

A lei é um ministério de condenação
Porque, se o ministério da condenação foi glória, em muito maior proporção será glorioso o ministério da justiça. (2 Co 3.9)

A lei é o oposto da graça
E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça. (Rm 11.6)

A lei não tem a glória se comparada com a Nova Aliança (2 Co 3.10).
O ministério da lei está desaparecendo (2 Co 3.11).
Em qualquer lugar que a lei é pregada, cria-se uma mentalidade de endurecimento e um véu de cegueira no coração (2 Co 3.14-15).

A lei não justifica ninguém
Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado. (Gl 2.16)

Os cristãos estão mortos para a lei
Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo. (Gl 2.19)

A lei anula a graça
Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão. (Gl 2.21)

É estupidez voltar para a lei depois de abraçar a fé (Gl 3.1).
A lei amaldiçoa todos os que a praticam e não conseguem fazê-lo perfeitamente (Gl 3.10).
A lei não tem nada a ver com a fé (Gl 3.11-12).
A lei traz a maldição da qual Cristo nos resgatou (Gl 3.13).
A lei funcionava no propósito de Deus como uma aliança temporária de Moisés até João Batista, que anunciou Cristo (Gl 3.16 e 19, veja também Mt 11.12-13; Lc 16.16).
Se a lei funcionasse, Deus a teria usado para nos salvar (Gl 3.21).
A lei era a nossa prisão (Gl 3.23).

Cristo aboliu a lei, que era uma parede de separação 
Aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz. (Ef 2.15)

Paulo considerava tudo o que a lei ganhou como perda (Fp 3.4-8).
A lei só é boa se for utilizada no contexto certo (1 Tm 1.8).

A lei foi feita para os injustos, não para os justos
Tendo em vista que não se promulga lei para quem é justo, mas para transgressores e rebeldes, irreverentes e pecadores, ímpios e profanos, parricidas e matricidas, homicidas, impuros, sodomitas, raptores de homens, mentirosos, perjuros e para tudo quanto se opõe à sã doutrina. (1 Tm 1.9-10)

Deus encontrou a falha na Velha Aliança, por isso Ele criou um pacto melhor, promulgado em melhores promessas (Hb 8.7-8). É apenas uma sombra das coisas vindouras e nunca vai fazer alguém perfeito (Hb 10.1).

Você tem confessado que está livre de toda condenação do pecado?
Em meio às tentações, você tem se firmado na fé e no amor de Deus?

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