A figueira no meio da vinha

por Aluízio A. Silva, pastor presidente da Videira – Igreja em Células

Naquela mesma ocasião, chegando alguns, falavam a Jesus a respeito dos galileus cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios que os mesmos realizavam. Ele, porém, lhes disse: Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas? Não eram, eu vo-lo afirmo; se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis. Ou cuidais que aqueles dezoito sobre os quais desabou a torre de Siloé e os matou eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis. Então, Jesus proferiu a seguinte parábola: Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e, vindo procurar fruto nela, não achou. Pelo que disse ao viticultor: Há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não acho; podes cortá-la; para que está ela ainda ocupando inutilmente a terra? Ele, porém, respondeu: Senhor, deixa-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e lhe ponha estrume. Se vier a dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la. ( Lc 13.1-9)

Sabendo que o Senhor Jesus e a maior parte de seus discípulos eram galileus, os fariseus usaram esse evento em que os galileus foram mortos por Pilatos para mostrar que estes eram mais pecadores. O Senhor, porém, lhes respondeu: “Se não se arrependerem, se não mudarem a sua mente a meu respeito, todos igualmente perecereis”.

Igualmente, aqui significa que todos eles morreriam nas mãos dos romanos se não o reconhecessem como Salvador. Sabemos que, quarenta anos depois, os romanos destruíram Jerusalém e dispersaram os judeus por todo o mundo.

A palavra “arrependimento” aqui é metanoia, mudança de mente. O Senhor estava dizendo que eles deveriam mudar a mente em relação a Ele. Precisavam crer que Ele era o salvador, precisavam reconhecer que eram pecadores para que pudessem nascer de novo. O nosso velho eu não pode ser melhorado, mas o nosso novo eu não pode mais ser condenado.

Quando você nasceu de sua mãe, você nasceu para a enfermidade, para a maldição e para este mundo caído. Mas quando você foi gerado pelo Espírito Santo, você ganhou um novo eu que jamais poderá ser condenado.

No fim desse mesmo capítulo de Lucas, o Senhor declarou: “Quantas vezes quis eu reunir teus filhos como a galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas, e vós não o quisestes!” O Senhor queria que eles aceitassem se abrigar debaixo de suas asas.

Nesse mundo caído estamos sujeitos a enfermidades, mas ele quer nos proteger debaixo de suas asas. Nesse mundo estamos sujeitos a ataques do maligno, mas ficaremos seguros se estivermos debaixo de suas asas.

A comparação é a base da justiça própria

Estamos sempre procurando uma forma de parecer melhores diante dos homens. Mas isso nada mais é que justiça própria.

Gostamos de apontar o pecado das pessoas de forma que possamos parecer melhores aos olhos dos outros. Esta é a razão por que os escândalos da mídia nos atraem, porque eles nos fazem sentir melhores a respeito de nós mesmos. Mas a verdade é que, sem a graça de Deus em nossa vida, aquele corrupto na cadeia poderia ser qualquer um de nós. Precisamos ser humildes o suficiente para dizer: “Se não fosse pela graça de Deus, ali estaria eu”. Antes de começar a criticar e julgar as pessoas, apenas lembre-se de que não há níveis de morte. Não há um morto mais morto que outro.

Os judeus de Jerusalém se julgavam superiores aos judeus galileus. Nós sabemos que o mar da Galileia fica abaixo do nível do mar, mas Jerusalém fica a mais de mil metros acima do nível do mar. Quando João Batista veio, ele profetizou que “todo vale seria aterrado, e nivelados todos os montes e outeiros” (Lc 3.5). Isso significa que todos os homens foram nivelados na presença de Deus, de forma que todos são pecadores e assim podem ser igualmente salvos.

Dessa forma, a pergunta mais apropriada não é por que aquele bom homem sofre, mas por que ele não sofre ainda mais. Todos nós quebramos todos os mandamentos dentro de nós. Talvez por fora nunca tenhamos quebrado muitos deles, mas por dentro somos culpados de todos.

Quando o Senhor diz que todos pereceriam igualmente, estava profetizando que, quarenta anos depois, todos aqueles que não creram n’Ele seriam mortos ou desterrados pelos romanos. O historiador Flávio Josefo diz que nenhum cristão morreu na destruição de Jerusalém. Foi assim porque eles se lembraram da profecia de Jesus que disse que, quando vissem a cidade cercada de exércitos, deveriam fugir para os montes.

Pare de se comparar com outros. Você não é considerado justo só porque há outros piores que você em sua opinião. Todos nós precisamos da graça de Deus. Quando nos sentimos desapontados conosco mesmos, é porque ainda há justiça própria em nós.

A figueira no meio da vinha

Em João 15, o Senhor disse que o Pai é o agricultor. O viticultor é o Senhor Jesus. A vinha com as uvas aponta para a vida abundante cheia do vinho novo da alegria no Espírito. A vinha é um símbolo das bênçãos do amor de Deus por nós.

Acontece que havia uma figueira plantada na vinha. A figueira não tinha sido plantada pelo dono da vinha, alguém a plantou ali.

Isso é algo muito incomum, porque a Palavra de Deus diz em Deuteronômio que não se poderia semear dois tipos de semente numa vinha (Dt 22.9).

O que significa a figueira? Eu gosto sempre de usar o princípio da primeira menção. Segundo esse princípio, a primeira menção de qualquer assunto nas Escrituras nos dá uma chave para o seu entendimento em toda a Bíblia. As folhas da figueira foram mencionadas pela primeira vez quando Adão e Eva tentaram fazer cintas para si (Gn 3.7). Elas simbolizam, portanto, a obra humana procurando ter justiça própria diante de Deus. É um esforço humano para tentar cobrir o pecado sem o sangue de Jesus. A figueira com folhas sem frutos foi amaldiçoada por Jesus (Mc 11.12-14).

O Senhor fez muitos milagres, mas todos eles foram obras de graça e misericórdia, apenas um foi um milagre de maldição. Quando o Senhor amaldiçoou a figueira, Ele estava, na verdade, amaldiçoando a justiça própria, o tentar se justificar pelas obras da lei.

Nós estamos debaixo da bênção, mas se decidirmos confiar em nossos méritos e obras, estaremos nos posicionando segundo um estilo de vida que foi amaldiçoado por Jesus. Não faça isso. Permaneça na posição da bênção.

A bênção e a maldição estão relacionadas ao nosso entendimento da lei e da graça. Depois que somos justificados pela fé, podemos viver como vencedores ou derrotados. Se pensamos que agora a vida cristã deve ser vivida no esforço e no merecimento da lei, então viveremos como derrotados, mas se cremos que a santificação também é graça mediante a fé, seremos vencedores.

A bênção de Deus não pode ser liberada antes que você primeiro amaldiçoe a justiça própria em sua vida. A figueira simboliza aqueles que vivem debaixo da lei. Nunca foi plano de Deus que o homem vivesse pela lei, mas Ele bondosamente deixa a figueira crescer para ver se ela consegue produzir algum fruto. O alvo de Deus é a vinha. O Senhor mesmo disse que Ele é a videira e nós somos os ramos.

A justiça própria é o estrume

O dono da vinha, então, diz ao viticultor: “Há três anos, venho procurar fruto nesta figueira e não acho; podes cortá-la; para que está ela ainda ocupando inutilmente a terra?” (Lc 13.7). Três anos é o tempo do ministério do Senhor Jesus na terra.

O Senhor Jesus é o viticultor e Ele responde a Deus: “Senhor, deixa-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e lhe ponha estrume. Se vier a dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la”.

O estrume é para fertilizar, a fim de que produza fruto. Em Filipenses 3.7, o apóstolo Paulo diz que ele considera toda justiça própria como estrume.

Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé. (Fp 3.4-9)

A palavra “refugo” é, na verdade, “estrume” no original. Tudo aquilo em que presumimos poder confiar, tal como realizações, posições e virtudes, nada mais é que estrume diante de Deus. Se não temos muito fruto, é porque aquilo que poderia ser estrume tem sido guardado de alguma forma. O estrume guardado tem mau cheiro, mas quando o entregamos aos pés do Senhor, então o bom perfume de Cristo exala em nós.

Depois de três anos de ministério do Senhor Jesus no meio de Israel, o Senhor ainda lhes deu um ano quando o Espírito foi derramado no Pentecostes, quando Estêvão pregou cheio do Espírito e o jovem Paulo se converteu e se tornou a apóstolo da graça.

O juízo já deveria ter caído sobre a nação porque ela rejeitou receber a Cristo como o Messias, mas Deus deu mais uma oportunidade especial do Pentecostes até a destruição do Templo.

Alguns fazem o melhor que podem para só depois buscarem a graça. Acreditam que Deus faz a parte d’Ele e nós devemos fazer a nossa. Mas a nossa parte é entender que não temos parte alguma. Toda a obra é realizada por Ele.

Pare de tentar ser melhor aos olhos de Deus. Entenda o veredicto de Deus, o seu velho eu não pode ser mudado. Descubra o seu novo eu em Cristo. Olhe para fora, para Cristo. A sua salvação começa quando você deixa de olhar para dentro de si mesmo e olha para fora, para Cristo.

Deus decidiu que não vai nos julgar com base em nosso comportamento ou com base em nossos sentimentos, mas Ele nos julga com base em seu Filho Jesus. Cristo é o nosso novo eu. Esta é a razão por que o seu novo eu jamais poderá ser condenado. Sua vida agora está oculta em Cristo.

Os olhos de Deus não olham para você como sendo você, mas olham para Cristo como sendo você. Quando compreende isso, você quer investir o seu tempo para conhecer a Jesus, e não para olhar para si mesmo. A sua verdadeira identidade é Cristo.

Quanto mais tivermos luz para enxergar a justiça própria em nós, mais poderemos rejeitá-la como o estrume. Israel se recusou a lançar fora o estrume da justiça própria, por isso a figueira foi arrancada.

Muitos pensam que o maior obstáculo para recebermos a bênção é o pecado, mas a verdade é que o grande obstáculo é a nossa dificuldade de perceber a justiça própria.

Perguntas para compartilhar:
– O que o tem impedido de permanecer na posição da bênção?
– Quanto da graça de Deus você precisa?

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