A fé que conduz ao milagre

Muitos ignoram que devem cooperar com Deus pela fé, a fim de que as riquezas de Cristo se manifestem em sua vida. Em certa ocasião, perguntaram a Jesus: “Que faremos para realizar as obras de Deus?” Ele respondeu: “A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado” (Jo6.28,29).Eles perguntaram no plural sobre “as obras” de Deus. Certamente porque presumiram que existiam muitas coisas a fazer. Entretanto, Jesus responde no singular: “A obra de Deus é […]”. Por quê? Porque só existe uma obra de Deus para você fazer: crer em Cristo.

SOMOS COOPERADORES DE DEUS
Está escrito: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus. E nós, na qualidade de cooperadores com ele, também vos exortamos a que não recebais em vão a graça de Deus” (2Co 5.21 e 6.1). Somos cooperadores com Deus. Um cooperador é aquele que realiza a obra junto. É um imenso privilégio sermos chamados para realizar a obra de Deus juntamente com Ele. Qual é a nossa parte nessa cooperativa? É crermos na obra consumada de Cristo. Quando cremos que a graça é que realiza em nós e através de nós a obra de Deus, então vivemos o favor imerecido do Pai. Muitos irmãos não cooperam com Deus, pelo contrário, eles impedem Deus de manifestar o seu favor. Não é que declaram isso, mas suas atitudes e principalmente suas palavras fazem isso. Eles não cooperam com a fé. É como se Deus pegasse o remo direito do barco e começasse a remar para frente, e eles pegassem o remo esquerdo e remassem para trás! Para onde irá esse barco? Ele não sairá do lugar! Deus é Deus, mas não disputará com você. Ou você coopera com sua fé, ou você não sai do lugar. Fé é remar do lado de Deus.

A fé que conduz ao milagre
Houve uma mulher que sofria de hemorragia por doze anos. Ela tocou na orla das vestes de Jesus e foi completamente curada. Sua cura é uma das mais ilustrativas sobre os princípios da fé que produz milagres. Vamos meditar nos acontecimentos segundo o Evangelho de Marcos 5.25-34. “Tendo ouvido a fama de Jesus […]”(v. 27). Jesus curou essa mulher provavelmente em Cafarnaum, pois acabara de regressar de Gadara, onde libertou o homem de 6mil demônios. Em Cafarnaum, Jesus curou um endemoninhado: “Correu célere a fama de Jesus em todas as direções […]”(Mc 1.28).

Em Marcos 1.32-39, vemos muitas outras curas em toda a Galileia. O verso 34 diz: “E ele curou muitos doentes de toda sorte de enfermidades; também expeliu muitos demônios […]”.Depois, temos a cura do leproso que não sabia se Jesus queria curá-lo. Jesus profundamente compadecido (v. 41), isso me toca muito o coração, este é meu Jesus, cheio de compaixão pela nossa dor. Marcos relata que o ex-leproso saiu a propalar e a anunciar a cura a tal ponto que Jesus não podia entrar mais publicamente em qualquer cidade (Mc 1.45). Outra cura foi a do o paralítico de Cafarnaum levado pelos quatro amigos (como é bom ter amigos que nos levam a Jesus!) em cima de uma cama. Eles não aceitaram obstáculos, abriram o telhado e baixaram o leito até onde Jesus estava. Essa cura foi tão impactante que todos saíram dali, dizendo: “Jamais vimos coisa assim!” (Mc 2.12). Outra cura foi do homem da mão ressequida, em Marcos 3, a qual irritou tanto os fariseus que a, partir desse momento, decidiram matar Jesus. Ainda em Marcos 3.7-11 narra-se a cura de muitos enfermos e endemoninhados, mas observe o verso 10: “[…] se arrojavam a ele para o tocar”. Arrojar é cair sobre! No verso 11, diz: “[…] os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele […]” Gosto disto: os enfermos se lançam sobre Ele, os demônios se curvam diante d’Ele!

Em Marcos 4.35, Jesus acalma uma tempestade e, em Marcos 5, liberta o endemoninhado, aquele que trazia medo a todos os moradores de Gadara. Ninguém passava por lá. Os lotes de terrenos estavam em liquidação, mas ninguém queria! Então, chegamos à narrativa da mulher. Jesus realizou muitos milagres até esse momento. Utilizei-me do Evangelho de Marcos para nos deter no contexto do livro. Imagine comigo, a mulher enfraquecida, sem esperança, sem dinheiro e indo de mal a pior, deitada em seu quarto, ouviu falar da fama de Jesus. Não sabemos como. Quem sabe ela tinha uma vizinha abençoada que levava um chá à tarde e lhe contava: “Sabe, tem um Jesus que cura todos que se chegam a Ele”, e narrava as boas novas. “Fiquei sabendo que Ele está vindo para cá!” E quanto a você? Já ouviu a fama de Jesus? Senão ouviu, é por isso, que não consegue crer. A fé vem pelo ouvir a palavra de Cristo. Como é bom nascer num lar onde se ouve sobre a fama de Jesus desde cedo! Filhos pequenos devem ouvir a Palavra em seus lares. Eles devem ser educados na cultura dos céus. Eles não são desta terra. Há uma linguagem celestial que eles devem aprender. Lamento profundamente quando percebo que os pais não se importam em falar de Jesus para os seus filhos, não lêem a Bíblia para eles e não os levam ao culto para ouvir sobre a fama de Jesus.

Você acabará crendo naquilo que ouve constantemente. Ouça sobre Jesus. Não ouça outro evangelho que não seja o Cristo ressurreto e o seu amor eterno. Aproprie-se da palavra da fé e avance rumo ao seu milagre. “Porque, dizia: Se eu apenas lhe tocar as vestes, ficarei curada” (v.28).Tenha muito cuidado com o ensino que diz: “Você precisa agir para demonstrar que tem fé” ou “Se você crê, então precisa agir”. Eu cria assim, hoje não mais. Note que a mulher agiu porque dizia. A confissão de fé precede a ação. O cuidado se restringe ao fato de que a ação é posterior à fé, e não o contrário. Muitos agem e recebem o milagre porque antes creram, e outros tantos agem, mas não recebem o milagre porque não crêem. A fé é do coração. Ambos agiram, mas um se alegra e o outro fica confuso. Então, vem o sr. diabo e o convence de que deve haver algo errado com a sua vida, porque Deus não o cura, não o livra, não lhe responde. Você percebe a sutiliza desse ensino? Tal ensino é contrário à graça consumada. Nossa fé é na graça de Cristo, e não em nossas ações.

Esta mulher veio porque cria, veio porque dizia consigo mesma. Aqui desejo destacar algo a mais sobre a fé que conduz ao milagre. Ela nasce pelo que eu ouço e é mantida pelo que eu declaro. Jesus é tanto o autor como o consumador da fé. Veja como isso funciona: Pedro viu Jesus andando sobre as águas e firmemente disse: “Se é o Senhor, me manda ir ter contigo”. E ele foi, sua fé foi ativada pela palavra ouvida. Instantes depois, ele tirou os olhos de Jesus e começou a afundar, sua fé não foi consumada. Quando você ouve, a fé é gerada, mas isso não é suficiente, você precisa cooperar com Deus declarando a sua fé. Abraão ouviu Deus falar e declarou: “Amém!”, consumando a sua fé.

O valor da confissão do travesseiro
Em Mateus 9.21, está escrito: “Porque dizia consigo mesma: Se eu apenas lhe tocar a veste, ficarei curada”. A confissão que gera realidade não é a que você declara no meio dos irmãos, mas aquela que você declara consigo mesmo, quando não há ninguém por perto, mas somente você, Deus e o diabo. A confissão que funciona é aquela que você faz no travesseiro, antes de dormir ou ao despertar. Davi disse: “[…] consultai no travesseiro o coração e sossegai” (Sl 4.4b). Sim, é a fé do travesseiro, como gosto de chamar. Não é interessante que Jesus, no meio da tempestade, dormia no travesseiro (Mc 4.38)? Este é o tipo de fé real que está dentro de você. Aquilo que você é capaz de confessar, por uma certeza interior, em sua intimidade, quando está somente você e Deus. Muitas vezes, o que confessamos diante dos outros é apenas para mostrarmos que “somos espirituais” e, como os fariseus, não queremos ser reprovados pela opinião de ninguém. Precisamos manter uma imagem, afinal somos tão bons! Não julgo você, já fiz isso muitas vezes! No verso 29 de Marcos 5, diz: “[…] e, sentiu no corpo estar curada”. Observe que o sentir veio depois da “consumação” da fé. Ela foi até onde a sua confissão declarava e, no momento do toque, o poder de Deus foi transferido para ela.

Existe um momento em que a declaração de fé e a sua ação de fé se transformarão no milagre. Jesus disse: “[…] e assim será”. Fala do futuro, e não do presente. A fé não se move pelos sentimentos físicos, ela se move pela palavra liberada. “A tua fé te salvou; vai em paz e fica livre do teu mal” (v. 34).

Pr. Gilberto Camilo

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