A fé correta produz o comportamento correto

As pessoas estão acostumadas a pensar no cristianismo como uma religião, mas o cristianismo não é uma religião. Evidentemente, nós falamos para as pessoas de fora como se fosse uma religião para que elas possam entender. Cristianismo é crer corretamente, e não comportar corretamente. Obviamente, teremos um comportamento correto, mas apenas como resultado de crer corretamente. Isso é importante porque a sua fé afeta seu espírito, seu corpo, sua alma, sua vida financeira, familiar, profissional, enfim, cada aspecto de sua vida.

 

Todo comportamento é resultado de uma crença. Uma crença errada sempre vai produzir um comportamento errado. Costumo dizer que não existe teologia neutra, pois aquilo em que cremos sempre vai produzir um estilo de vida como resultado. Desta forma, se queremos ser transformados, precisamos mudar a nossa crença. Esse processo de mudança de crença é uma mudança de mente que a Palavra de Deus chama de arrependimento. A palavra “arrependimento” no grego é metanoia, que literalmente significa “mudança de mente, mudança de ideia”.

Viva no arrependimento

O que é o arrependimento genuíno? O arrependimento verdadeiro é uma questão de mudança de mente. É uma mudança radical de entendimento e opinião. Quando renovamos a nossa mente com a Palavra de Deus, estamos nos arrependendo. Em Lucas 15, o Senhor contou uma parábola para ilustrar o arrependimento.

 

Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo. E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. (Lc 15.3-7)

 

A Parábola das Cem Ovelhas é uma ilustração do verdadeiro arrependimento. É interessante que nada nos é dito sobre a ovelha, senão unicamente sobre o pastor. É o pastor que sai para procurar a ovelha, que deixa as outras noventa e nove no aprisco, que a coloca nos ombros e a carrega e depois se alegra com os amigos. Mas onde fica a ovelha nessa história? Não é a ovelha que precisava do arrependimento? A única atitude da ovelha foi a de se deixar ser levada de volta para casa. Ela simplesmente se entregou ao pastor, e o Senhor disse que esse é o verdadeiro arrependimento.

Para se permitir ser levada, a ovelha precisa reconhecer que está perdida. Ela precisa perceber o amor do pastor e desejar voltar para casa. O resto do trabalho é do pastor, e o pastor aqui é o próprio Senhor Jesus.

É interessante ler na Palavra de Deus que Judas se arrependeu depois de ter traído Jesus. Certamente, foi mais um tipo de remorso do que arrependimento, mas ele devolveu as moedas e reconheceu que tinha traído sangue inocente. Apesar disso, ele se perdeu porque tomou a justiça sobre si mesmo e se enforcou. Podemos dizer que ele não se permitiu ser levado pelo bom pastor. Ele se enforcou pendurado numa árvore sem saber que, poucas horas depois, o Filho de Deus seria pendurado no madeiro para salvá-lo (Mt 27.3-5).

No Velho Testamento, os ninivitas se arrependeram porque Jonas disse que a cidade seria destruída em três dias. No Novo Testamento, é a bondade de Deus que nos conduz ao arrependimento. Foi o olhar amoroso de Jesus que conduziu Pedro ao arrependimento.

 

Ou desprezas a riqueza da sua bondade, tolerância e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento? (Rm 2.4)

 

Observe que Pedro somente chorou depois que viu o olhar de Jesus. Assim, não foi o choro de Pedro que atraiu o amor de Deus; na verdade, foi o amor de Jesus que o levou a chorar (Mt 26.75). No Velho Testamento, o homem precisava se arrepender primeiro e então Deus o abençoaria. No Novo Testamento, provamos primeiro o amor de Deus, daí nos arrependemos. O arrependimento envolve a tristeza, segundo Deus, pelo pecado, mas é mais do que isso, é uma mudança de opinião em relação a si mesmo e a Deus.

 

Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte. (2Co 7.10)

 

Em relação a Deus, precisamos reconhecer que Ele nos ama. O Senhor já nos amava quando vivíamos no pecado e blasfemávamos contra Ele.

 

Testificando tanto a judeus como a gregos, o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo. (At 20.21)

 

Em relação a nós mesmos, precisamos reconhecer o pecado da justiça própria. O arrependimento, segundo o evangelho, é abandonar a ideia de que possuímos algum merecimento. O arrependimento, na verdade, é um arrependimento de obras mortas e reconhecer que boas obras, moralidade ou sacrifícios religiosos não podem salvar.

 

Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar para o que é perfeito, não lançando, de novo, a base do arrependimento de obras mortas e da fé em Deus. (Hb 6.1)

 

A Palavra de Deus diz que a fé que salva é aquela que Deus justifica o ímpio. Se não reconhecemos que somos ímpios, então não precisamos de um salvador.

 

Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça. (Rm 4.5)

 

Lutero dizia: “Senhor, tu és o meu pecado na cruz, e eu sou a sua justiça na terra”.

 

Viva pela justiça de Cristo

Pedro cometeu o mesmo pecado de traição de Judas, mas ele se permitiu ser amado pelo Senhor. Muitos são como Judas, que querem fazer justiça punindo a si mesmos pelos próprios pecados. Quando fazemos isso, estamos simplesmente andando pela justiça própria. A mãe de todos os pecados é a justiça própria.

O Senhor Jesus amaldiçoou a figueira porque ela simbolizava a justiça própria. Num tempo em que deveria estar seca, aquela figueira estava verde como se tivesse fruto (Mc 11.13-14). A primeira menção de figueira na Palavra de Deus é quando Adão e Eva tomaram das suas folhas e fizeram roupas para si. As cintas tipificam as obras humanas tentando se justificar diante de Deus (Gn 3.7). Amaldiçoe a justiça própria em sua vida. Renuncie toda justiça própria diante de Deus e se aproprie da justiça que vem de Cristo.

 

Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos. (Rm 5.19)

 

Nós nos tornamos pecadores por causa do pecado de um único homem. Você não é pecador por causa de seus próprios pecados, ainda que você certamente os tenha, mas você é pecador porque herdou a natureza de Adão. Isso pode soar injusto para você, uma vez que não nos parece razoável ser condenado pelo pecado de um homem. Deus mostra a sua justiça nos fazendo justos por causa da obediência de um só homem. Você se tornou justo por causa da obediência de Cristo. Do mesmo modo que você herdou o pecado de Adão, agora você herda a justiça de Cristo.

No tempo em que era pecador, você certamente fazia boas obras, como dar comida aos pobres, ajudar os enfermos e coisas assim. Essas boas obras o faziam justo diante de Deus? Certamente que não. Você ainda era um pecador. Existem pecadores decentes e existem pecadores realmente malignos, mas são todos pecadores. Não adianta ficar medindo a iniquidade dos pecadores porque todos eles estão mortos, e ninguém pode estar mais morto que outro. Todos necessitam igualmente de receber a vida de ressurreição.

O que o primeiro Adão fez foi tão poderoso que você não pode desfazer pelas suas próprias obras. Entenda que as suas boas obras não podiam mudar o seu status de pecador. Quando você fazia boas obras, ainda continuava sendo um pecador. O mesmo princípio continua valendo depois que você recebe a justiça de Cristo. Uma vez que recebemos a justiça, já não somos mais pecadores. Ainda estamos sujeitos ao pecado e podemos ainda pecar, mas não somos mais pecadores. O pecado não pode mais mudar a nossa posição de justos porque ele não é maior que o poder da justiça de Cristo que nos foi dada.

Rejeite toda introspecção

Muitos ficam todo o tempo se analisando para ver se acham alguma justiça em si mesmos, mas, ao fazerem isso, caem na arapuca da introspecção. Ficar se olhando e se analisando o tempo todo produz apenas angústia e morte. A introspecção é um tipo de justiça própria, a carne tentando se melhorar e o homem pensando que pode se transformar pelo próprio braço. O diabo procura nos levar a ficar ocupados conosco mesmos, olhando-nos e analisando-nos o tempo todo. O resultado disso é sentimento de culpa, depressão, desânimo e incredulidade. O alvo de Deus é que olhemos para Cristo. Quanto mais olhamos para Cristo e nos esquecemos de nós mesmos, mais somos cheios de vida e transformados de glória em glória. Precisamos entender que é a justiça d’Ele que nos faz justos, e não o nosso próprio bom comportamento e as boas obras. O diabo sempre nos dirá: “Olhe para você. Você não obedeceu o suficiente. Como você pode crer em Deus para receber cura? Como você pode crer em Deus para prosperidade? Você desobedeceu. Você já não é mais justo diante de Deus”. É nesse momento que precisamos trazer todo pensamento à obediência de Cristo.

Não é que nós trazemos o nosso pensamento para obedecer a Cristo, mas trazer todo pensamento à obediência de Cristo. A obediência é de Cristo e, porque Ele obedeceu, fui feito justo pela fé. Agora, toda fortaleza maligna é quebrada por causa da obediência de Cristo.

Descanse no seu representante

O diabo é o acusador. Quando você obedece, ele diz que você não obedeceu o suficiente, e quando você desobedece, ele lhe condena. Mas precisamos ter em mente que, assim como Cristo é, nós somos neste mundo.

 

Nisto é em nós aperfeiçoado o amor, para que, no Dia do Juízo, mantenhamos confiança; pois, segundo ele é, também nós somos neste mundo. (1Jo 4.17)

 

Depois que foi assunto ao céu, o Senhor se tornou o nosso sumo sacerdote. E o que Ele está fazendo agora? Hebreus 1.3 diz que, depois que o Senhor fez a purificação dos pecados, Ele se assentou à destra da majestade nas alturas porque a sua obra está completa. O profeta fala de Deus aos homens, mas o sacerdote fala dos homens a Deus (Hb 5.1). O sacerdote representa o homem diante de Deus. É claro que o Senhor Jesus também é profeta, mas Ele está sentado como sumo sacerdote em nosso favor e nos representa diante de Deus.

 

Porque todo sumo sacerdote, sendo tomado dentre os homens, é constituído nas coisas concernentes a Deus, a favor dos homens, para oferecer tanto dons como sacrifícios pelos pecados. (Hb 5.1)

 

Deus sempre trabalha com representantes. Quando Davi venceu Golias, a vitória de Davi foi a vitória de todo o Israel. Não era necessário que todo o Israel lutasse, pois o povo tinha um representante. O mesmo princípio se aplicava ao sacerdote. Ele representava todo o povo diante de Deus.

Em Israel, havia um dia do perdão nacional, chamado de Dia da Expiação. Nesse dia, o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos do Templo para fazer a expiação dos pecados da nação. Se o sacerdote entrasse no Santo dos Santos e caísse morto ali, ele seria arrastado para fora, e toda a nação saberia que Deus o havia rejeitado. O povo agora teria um ano ruim, com derrota para os inimigos, seca e fome. Quando o sumo sacerdote saía do Santo dos Santos vivo, ele erguia a sua mão para abençoar a nação, e ela sabia que Deus a havia aceitado e que teria um grande ano com chuva e abundância. O que Deus estava dizendo é que, se o seu sumo sacerdote for bom, você estará bem. Se o sumo sacerdote é aceito, você é aceito também.

O que acontecia naquele tempo é que os bons sumos sacerdotes envelheciam e morriam. É por causa disso que a segurança no Velho Testamento não era permanente. Aquele bom sumo sacerdote ficava velho, e as pessoas olhavam temerosas para o filho que o sucederia e que não tinha um bom comportamento. Agora nós temos um sumo sacerdote que vive para sempre. Quando Ele é aceito, somos aceitos também, e hoje o nosso sumo sacerdote é Jesus. João diz que, como Ele é, nós somos neste mundo (1Jo 4.17).

Se Ele é aceito por Deus, nós também somos aceitos. Se Ele é justo, nós também somos justos. Se Ele é saudável, nós também somos. Se Ele é próspero, nós também somos. Se Ele está debaixo do favor de Deus, nós também estamos. Sei que são afirmações poderosas que eventualmente são confrontadas pelas nossas circunstâncias. Se você está doente, lembre-se de que a sua doença é um fato, mas a verdade é maior que o fato. É um fato que você está enfermo, mas a verdade é que Cristo já levou na cruz nossas doenças. Fique com a verdade e rejeite o fato. O fato é momentâneo, mas a verdade é eterna.

Perguntas para compartilhar:

  1. Como você pode crer em Deus para receber cura?
  2. O que é o arrependimento genuíno?

 

Tags