A cura é para quem não merece

Vivemos num mundo caído que ainda está debaixo da maldição do pecado. Por causa disso, podemos sofrer ainda com muitos tipos de ataques espirituais, e a enfermidade certamente é o mais visível desses ataques. Gostaria de ministrar fé ao seu coração para receber cura hoje mostrando cinco bases para a sua fé.

A cura não é por merecimento
Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler. Então, lhe deram o livro do profeta Isaías, e, abrindo o livro, achou o lugar onde estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor. Tendo fechado o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e todos na sinagoga tinham os olhos fitos nele. Então, passou Jesus a dizer-lhes: Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir. (Lc 4.16-21).
Nesse texto, o Senhor Jesus está lendo a profecia de Isaías 61 numa sinagoga em Nazaré, a cidade onde fora criado. A primeira coisa que Ele diz é que veio pregar boas novas aos pobres. Qual é a boa notícia que o pobre deseja ouvir? É que a sua dívida aumentou? Claro que não! O pobre quer ouvir que há esperança de prosperar. O Senhor foi enviado para dar libertação aos cativos e curar os doentes. Foi para isso que Ele foi ungido e Ele continua fazendo isso ainda hoje.

Mas depois de dizer isso, o Senhor confronta a atitude do povo com dois exemplos do Velho Testamento. Ele diz que havia muitas viúvas em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou por três anos e seis meses, reinando grande fome em toda a terra; e a nenhuma delas foi Elias enviado, senão a uma viúva de Sarepta de Sidom. Havia também muitos leprosos em Israel nos dias do profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o siro (Lc 4.25-27). O que essas pessoas tinham em comum? Elas não eram de Israel. Deus não enviou Elias para nenhuma viúva de Israel, mas para uma viúva que era de Sidom. E, nos dias de Eliseu, havia muitos leprosos em Israel, mas nenhum foi curado, senão unicamente Naamã, que era siro. O primeiro milagre foi de provisão, e o segundo, de cura. Ele veio proclamar boas novas aos pobres, e a boa nova que o pobre deseja é provisão. E também veio para curar os oprimidos.

Quando os que estavam na sinagoga ouviram isso, eles se encheram de raiva, porque eram judeus e se julgavam merecedores das bênçãos de Deus. Mas o Senhor faz questão de mostrar que Deus deseja toda glória e não fará coisa alguma segundo o nosso suposto merecimento. Naamã e a viúva receberam sem merecer. A bênção de Deus não é baseada na lei, num sistema de merecimento. Provisão e cura vêm pela graça. A cura não tem nada a ver com o que você é, mas com o que Deus é. Não tem nada a ver com a sua fidelidade, mas com a fidelidade de Deus. Não depende do quando você ama a Deus, mas do quanto Ele ama você. Se você entender isso, receberá provisão e cura.

A lei resulta em doença e pobreza
Os gálatas tinham voltado para a lei e por causa disso estavam experimentando todo tipo de dificuldades. A lei é santa e justa, mas ela não foi dada por Deus para nos fazer justos. Aqueles que vivem pela lei precisam entender que somente serão aceitos por Deus se cumprirem todos os mandamentos. Se quebrarem apenas um, serão culpados de todos. Como nenhum homem consegue cumprir a lei, o resultado é a maldição da desobediência descrita em Deuteronômio 28. No momento em que você presume que pode cumprir a lei, você está prestes a sofrer com maldição, porque você terá de cumprir todos os mandamentos, e não apenas aqueles que acha mais convenientes. Viver pela lei nos coloca debaixo de maldição. Em Gálatas 3.10, Paulo diz claramente que “todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição”. O resultado de quem tenta viver
pela lei é sempre maldição. É triste, mas esta é a razão por que muitos crentes ainda padecem debaixo de maldição.

Pare de procurar em si mesmo alguma virtude ou mérito para receber a bênção de Deus. Apenas creia que você é justiça de Deus em Cristo. Você não é justo porque obedece, mas porque crê na obra consuma do Senhor Jesus. Todo o contexto do livro de Gálatas é que eles estavam voltando para a lei. E, no capítulo 4, Paulo faz uma afirmação poderosa do que acontece quando voltamos para a lei. Paulo diz que a lei é fraca e pobre.
Mas agora que conheceis a Deus ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como estais voltando, outra vez, aos rudimentos fracos e pobres, aos quais, de novo, quereis ainda escravizar-vos? (Gl 4.9)

A palavra “fraco” usada aqui no grego é traduzida nos evangelhos como “enfermo e doente”. E a palavra “pobre”, na verdade, significa “mendicante, indigente”. Em outras palavras, o sistema da lei vai produzir doença e pobreza. E muitas vezes ficamos nos questionando por que tantas igrejas são fracas e pobres. Isso significa que temos o direito de julgar qualquer irmão pobre ou enfermo dizendo que vivem na lei? Claro que não. Quando resolvemos julgar os outros, estamos nós mesmos tomando o lugar da lei. A graça não julga e nem condena. Se hoje você quer ser curado e restaurado, precisa deixar de lado todo merecimento. Parece loucura, mas a bênção é apenas para quem não merece.

Nunca pergunte quem pecou
Quando você encontrar uma pessoa doente, nunca faça a pergunta: “Quem pecou?”
Caminhando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos perguntaram: Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus. (Jo 9.1-3)

Quando você encontrar uma situação que precisa da intervenção do Senhor, apenas saiba que
você está diante daquele problema para resolvê-lo, para trazer o suprimento de Deus sobre ele.
Eu creio que isso é tudo o que precisamos saber sobre o problema do outro.
Na Velha Aliança, a pergunta é sempre: “Quem pecou?” Mas, na Nova Aliança, a pergunta é:
“Quem intentará acusação contra nós?” Isso mostra qual deve ser a nossa atitude diante de qualquer problema. Esta é a razão por que muitas pessoas escondem suas enfermidades em certas igrejas. Elas não podem pedir oração porque serão acusadas de pecado. Veja como o diabo traz o jugo, a pessoa sofre com o ataque da doença e ainda sofre sem poder receber a ajuda dos irmãos.

A cura está disponível para todos
Ora, aconteceu que, num daqueles dias, estava ele ensinando, e achavam-se ali assentados fariseus e mestres da Lei, vindos de todas as aldeias da Galiléia, da Judéia e de Jerusalém. E o poder do Senhor estava com ele para curar. (Lc 5.17)

Nessa ocasião, a única pessoa que foi curada foi o paralítico que foi trazido ao Senhor pelo telhado da casa, mas o evangelho diz claramente que o poder do Senhor estava com ele para curar.
A quarta coisa que você precisa saber sobre cura é que Deus está sempre suprindo, nós é que não estamos recebendo. E não estamos recebendo porque muitas vezes ainda temos crenças erradas. Pensamos que o nosso pecado impede o Senhor de agir, ou o pecado de nossos pais, ou ainda uma maldição hereditária. Pensamos que precisamos ser extrassantos para recebermos o milagre. O poder do Senhor estava presente para curar todos eles, mas apenas um recebeu.

Vieram, então, uns homens trazendo em um leito um paralítico; e procuravam introduzi- lo e pô-lo diante de Jesus. E, não achando por onde introduzi-lo por causa da multidão, subindo ao eirado, o desceram no leito, por entre os ladrilhos, para o meio, diante de Jesus. Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Homem, estão perdoados os teus pecados. (Lc 5.18-20)
A Palavra de Deus diz que o paralítico foi introduzido por um buraco no telhado. Aquilo causou muita distração, mas o Senhor olhou para o homem e viu a sua fé. Quando o Senhor olha para nós, Ele poderia ver o nosso pecado, porque eles existem, mas, em vez disso, Ele olha a nossa fé.

E os escribas e fariseus arrazoavam, dizendo: Quem é este que diz blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus? Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse-lhes: Que arrazoais em vosso coração? Qual é mais fácil, dizer: Estão perdoados os teus pecados ou: Levanta-te e anda? Mas, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados — disse ao paralítico: Eu te ordeno: Levanta-te, toma o teu leito e vai para casa. Imediatamente, se levantou diante deles e, tomando o leito em que permanecera deitado, voltou para casa, glorificando a Deus. (Lc 5.21-25). O que o Senhor está demonstrando aqui é que o perdão dos pecados produz a cura. Aquele homem vivia na lei e, no seu conceito, ele tinha pecado, por isso a maldição tinha vindo sobre ele na forma de uma enfermidade. Quando ele ouve que seus pecados são perdoados, ele ganha fé para se livrar da maldição. A maldição veio por causa do pecado, mas agora o pecado foi removido, então a maldição tem de ir embora.

O fato de o homem ter sido curado era também a prova visível de que os pecados dele haviam sido perdoados. O Senhor quer fazer hoje milagres para comprovar a mensagem do evangelho. No momento em que você crê que foi perdoado, você está pronto para ser curado também. Nesses dias, veremos muitas curas como selo da mensagem do evangelho da graça.

Como o Senhor vê o enfermo?
Vamos ver três ocasiões nas quais o Senhor nos mostra como Ele via o homem enfermo. Precisamos também ganhar a sua perspectiva.
Tendo Jesus partido dali, entrou na sinagoga deles. Achava-se ali um homem que tinha uma das mãos ressequida; e eles, então, com o intuito de acusá-lo, perguntaram a Jesus: É lícito curar no sábado? Ao que lhes respondeu: Qual dentre vós será o homem que, tendo uma ovelha, e, num sábado, esta cair numa cova, não fará todo o esforço, tirando-a dali? Ora, quanto mais vale um homem que uma ovelha? Logo, é lícito, nos sábados, fazer o bem. Então, disse ao homem: Estende a mão. Estendeu-a, e ela ficou sã como a outra. Retirando-se, porém, os fariseus, conspiravam contra ele, sobre como lhe tirariam a vida. (Mt 12.9-14).

Os fariseus claramente criam que o Senhor podia curar o homem, mas mesmo assim desafiaram- no a curar no sábado. O Senhor, então, mostra o coração de Deus para com eles. Se eles estavam dispostos a tirar uma ovelha que caiu numa cova num dia de sábado, muito mais o Senhor tiraria o enfermo da sua cova, porque valemos muito mais do que uma ovelha. Esta é a maneira como o Senhor vê aqueles que estão doentes. Ele nunca os vê em seus erros. Ele os vê como ovelhas que caíram numa cova. Quando alguém está caído num buraco, não ficamos discutindo como ele chegou ali, nós resolvemos o problema, nós o tiramos de lá. Precisamos mudar a nossa mente e ver da maneira como o Senhor vê. Quando vivemos pelo merecimento da lei, não conseguimos perceber o valor das pessoas, porque concluímos que a ovelha mereceu cair na cova. É claro que o pecado desagrada a Deus, mas a justiça própria é a mãe de todos os pecados.

Aconteceu que, ao entrar ele num sábado na casa de um dos principais fariseus para comer pão, eis que o estavam observando. Ora, diante dele se achava um homem hidrópico. Então, Jesus, dirigindo- se aos intérpretes da Lei e aos fariseus, perguntou-lhes: É ou não é lícito curar no sábado? Eles, porém, nada disseram. E, tomando-o, o curou e o despediu. A seguir, lhes perguntou: Qual de vós, se o filho ou o boi cair num poço, não o tirará logo, mesmo em dia de sábado? A isto nada puderam responder. (Lc 14.1-6).
Mais uma vez, nessa ocasião, o Senhor mostra que precisamos ver o enfermo como um filho que caiu num poço. Se um filho cai num poço, não ficamos ali o exortando a ser mais cuidadoso ou perguntando detalhes de como tudo aconteceu, nós simplesmente o tiramos de lá. Tudo isso mostra como o Senhor nos ama. Não é fascinante como o Senhor gostava de fazer os seus milagres no sábado? Quando o homem descansa, Deus trabalha.

E veio ali uma mulher possessa de um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; andava ela encurvada, sem de modo algum poder endireitar-se. Vendo-a Jesus, chamou-a e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade; e, impondo-lhe as mãos, ela imediatamente se endireitou e dava glória a Deus. O chefe da sinagoga, indignado de ver que Jesus curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que se deve trabalhar; vinde, pois, nesses dias para serdes curados e não no sábado. Disse-lhe, porém, o Senhor: Hipócritas, cada um de vós não desprende da manjedoura, no sábado, o seu boi ou o seu jumento, para levá-lo a beber? Por que motivo não se devia livrar deste cativeiro, em dia de sábado, esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos? Tendo ele dito estas palavras, todos os seus adversários se envergonharam. Entretanto, o povo se alegrava por todos os gloriosos feitos que Jesus realizava. (Lc 13.11-17).

Aquela mulher estava oprimida por um demônio de enfermidade, no entanto o Senhor a curou sem falar nada com o espírito imundo. Mesmo que não conheçamos tanto a respeito de demônios, ainda assim podemos ser usados para libertar pessoas. Muitas vezes, as pessoas estão doentes e a causa não é elas terem feito isso ou aquilo errado, mas o fato é que foram alvos de ataques espirituais. Nunca devemos ignorar as obras do maligno. Aquela mulher estava doente há dezoito anos. Todos a conheciam, ela agora estava curada, mas o seu líder não ficou feliz, pois não estava preocupado com a ovelha. Ele disse: “Há seis dias em que o homem deve trabalhar”. Esta era a sua mentalidade, o homem trabalha para receber de Deus. Mas o Senhor quer fazer sua obra quando o homem desiste de receber pelo seu trabalho.

O Senhor diz que, no sábado, todos desprendem seu boi da manjedoura para levá-lo para beber. A ilustração agora é que o enfermo precisa beber da água viva. O Senhor vê o doente como um sedento precisando ser suprido. A mulher tinha um espírito de enfermidade, e o Senhor esclarece que satanás a trazia presa por dezoito anos. Isso mostra de onde procede a enfermidade, do diabo. A mulher estava presa com sede, mas agora foi desprendida para beber a água da cura.

Perguntas para compartilhar:
1-Quais são as cinco bases da fé?
2- Por que devemos viver pela graça?

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