A comunicação no casamento

Casamento é sinônimo de comunicação. Se você é capaz de expressar o que sente, pensa, deseja, crê, teme, odeia ou sonha, terá um casamento gratificante e realizador. Quando começam a relacionar, muitos se encantam com o fato de o outro parecer adivinhar o que estão pensando. Mas no casamento isso não funciona, é preciso aprender a conversar. O problema é que temos a expectativa de ser compreendidos sem dizer coisa nenhuma.

A Palavra de Deus nos dá exemplos interessantes de comunicação. O julgamento que Deus executou sobre Babel foi exatamente a confusão na comunicação. As pessoas falariam, porém não conseguiriam comunicar-se. Quando o Espírito Santo foi derramado no Pentecostes, aconteceu o contrário do que havia ocorrido em Babel. Cada um falava em uma língua que não era a sua própria e eles conseguiam comunicar-se. Só existe comunicação genuína no espírito. Para saber o que quer, como quer e como expressar isso, é necessária uma vida no espírito. Em todas as áreas de sua vida, o segredo está em ser cheio do Espírito. Se o seu casamento está complicado, é porque ele precisa de mais Pentecostes e menos Babel, precisa que você alimente mais o seu espírito do que a sua carne. Para ter uma comunicação efetiva, precisamos seguir cinco princípios:

1 – Fale a verdade
Jesus disse: “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno” (Mt 5.37). O sim ou não deixa de ser suficiente quando você pede provas, quando analisa e rastreia para verificar se o que a pessoa falou é coerente. Não tente também ser adivinhador, nem falar presumindo o que o outro está pensando ou sentindo. Nunca diga que você sabe o que o outro está pensando, você não é Deus.  Não faça declarações insinceras para encobrir insatisfações porque você deseja parecer espiritual. O nosso desejo é ser amável e ceder ao outro, mas quando isso não é uma verdade dentro de nós, estamos apenas armando uma bomba que vai explodir depois detonada por alguma coisa insignificante. Alguns pensam: “Em nome da paz em minha casa, eu prefiro ser mentiroso e falso”. Mas essa falsidade é pecado, e a verdadeira paz só existe onde a verdade reina.

Fuja das generalizações. Nada é mais mentiroso do que usar as palavras “sempre” e “nunca” para descrever o relacionamento conjugal. Todas as vezes que você fala que o outro é “sempre assim” ou que “nunca faz isso”, você demonstra que não têm expectativas de que ele mude. Evite também exageros de linguagem. Colorir a fala com adjetivos também não ajuda quando queremos ser verdadeiros.

2 – Faça afirmações, e não perguntas
A clareza na comunicação é afirmar o que precisa ser afirmado e perguntar o que precisa ser perguntado. A confusão acontece quando usamos perguntas para fazer afirmações e afirmações para fazer perguntas. Nos relacionamentos conjugais, podemos ver pelo menos seis tipos de perguntas que, na realidade, são pseudoperguntas, pois revelam uma intenção manipuladora por detrás: perguntas capciosas, punitivas, autoritárias, hipotéticas, provocadoras e ardilosas.

As capciosas são as famosas: “Você não acha, não preferiria?” Com elas, a pessoa sente-se acuada e segue a direção do questionador. “Por que você disse isso?” é um exemplo de perguntas punitivas, que têm o objetivo de recriminar a pessoa e produzir conflitos. Nas perguntas autoritárias, uma ordem está escondida no questionamento: “Quando você vai fazer alguma coisa em relação a isso?” Esse tipo de pergunta tem o objetivo de criticar ou desprezar o ponto de vista do outro. As perguntas hipotéticas geralmente dizem: “No meu lugar, você não…” ou “O que você quis dizer com isso?” Elas são perguntas provocadoras, que têm a intenção de gerar confusão, porque estão baseadas na desconfiança das motivações do outro. A pergunta ardilosa ataca e acusa com questionamentos do tipo: “Certa vez, você não disse que…?”  Perguntas são armas ocultas. Esqueça essas perguntas e faça afirmações claras a respeito do seu ponto de vista. É mais fácil ignorar uma pergunta do que uma afirmação. Elimine os “porquês”. Se realmente é importante saber uma informação, pergunte “como” e “o quê”. 

3 – Substitua o “você” pelo “eu”
Poucas coisas destroem tanto um relacionamento quanto a atitude de procurar um culpado. A raiz por detrás dessa atitude é a raiva e a tentativa de se ver sempre como inocente. Sua raiva é resultado de expectativas que não foram satisfeitas. O processo para ficar livre da raiva começa quando compartilhamos com sinceridade nossas expectativas com o outro. Nossas expectativas procedem do nosso ego, e o egocentrismo se expressa usando mais o “você” do que o “eu”. As mensagens com “eu” possuem um caráter de confissão, a pessoa assume algo. As mensagens com “você” são uma forma disfarçada de culpar o outro por nossas escolhas. Em vez de dizer: “Eu estou com raiva”, o cônjuge diz: “Você me deixa com raiva”. Com essa troca de palavras, ele foge da responsabilidade. Deixamos de procurar culpados quando assumimos as responsabilidades. Somos responsáveis pelas respostas que damos ao outro e pela maneira que reagimos a ele. Ninguém nos faz ficar com raiva, escolhemos a raiva.

4 – Compreenda as diferenças
As diferenças são reais, mas o que conta para um casamento feliz não é o quanto somos compatíveis, mas como lidamos com nossas incompatibilidades. Homem e mulher são tão diferentes que alguém disse que é como se ele viesse de Marte, e ela, de Vênus. A mulher percebe claramente quando uma pessoa está aborrecida ou magoada. O homem só desconfia que algo está errado depois de muitas lágrimas e acessos de fúria. Os homens olham para o geral, mas a percepção feminina é voltada para os detalhes. A mulher tem maior sensibilidade auditiva e tem uma notória capacidade de prestar atenção em mais de uma coisa ao mesmo tempo, o que é quase impossível para um homem. O homem é muito menos resistente à dor que a mulher. A mulher, por sua vez, é mais sensível emocionalmente. Quando estão com problemas, os homens se isolam e tentam resolvê-los sozinhos; as mulheres precisam falar abertamente sobre suas dificuldades. Homens têm a tendência de ficar ressentidos; mulheres, de se sentir culpadas. Perceber essas diferenças ajuda os casais a se entenderem melhor. Ignorá-las é sinal de egocentrismo.

5 – Compreenda as semelhanças
Homem e mulher não são de espécies diferentes. Esta é a base para o relacionamento. O que está presente no outro também está em mim. Ambos possuem necessidade de confiança e aceitação, buscam os mesmos valores e nenhum deles pode viver sem amor. Nossas diferenças nos completam e nos atraem em certo fascínio mútuo, mas as semelhanças é que nos irritam, desgastam e frustram. Não gostamos no outro exatamente daquilo que temos em nós mesmos. As semelhanças servem de ponte para explorarmos a riqueza de nossas diferenças.

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